Leve seu próprio vinho...com cuidado!

Um jantar na casa dos amigos ou um piquenique sofisticado exigem vinho. Aprenda a transportar as garrafas sem correr o risco de ficar com a taça vazia


Petra Winkler/Stock.XchngO transporte de vinho pode parecer algo simples e corriqueiro. Pode até mesmo parecer de pouca utilidade para a maioria dos enófilos iniciantes. Com o passar do tempo, percebese que o assunto merece maior atenção. Em diversas situações precisamos transportar uma ou várias garrafas de vinho para algum local:

- quando convidados para um jantar na casa de amigos e queremos chegar com um vinho para degustar;

- quando vamos a um restaurante, que permite aos os clientes levar as próprias garrafas (mas este é um outro assunto, mais polêmico);

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- quando fazemos um piquenique num parque (porque não? a primavera vem aí!);

- quando, durante uma viagem, queremos trazer algumas garrafas para rechear e enriquecer nossa adega, ou quando vamos viajar e queremos levar garrafas.

O importante é garantir que o transporte dessas "preciosas" garrafas se faça de forma segura e prática. Para tanto, precisamos verificar a melhor forma de fazê-lo. Basicamente temos dois tipos de transporte de vinho: para consumo imediato ou para guarda e/ou consumo posterior. A seguir, estão os principais problemas relacionados a eles e as dicas para resolvê-los.

Transporte de Vinhos para Consumo Imediato

fotos: Roberto Rodrigues
Porta-garrafas em neopreme

O importante é que o vinho chegue ao local de destino (casa, restaurante, etc.) próprio para ser consumido imediatamente. A temperatura deve estar adequada e o vinho não pode sofrer muita agitação durante o transporte, pois a aparência também conta no momento do consumo. Convém que o vinho seja retirado de uma adega ou geladeira logo antes do transporte, geralmente de pouca duração. Uma outra característica comum, neste caso, é que, em geral, são transportadas poucas garrafas, usualmente apenas uma ou duas.

Dica: A recomendação é que a garrafa de vinho seja transportada na posição vertical com a menor movimentação possível. Nas lojas especializadas em vinho, ou em importadoras, podem ser encontradas bolsas para transporte de uma ou duas garrafas, confeccionadas em diversos materiais como couro, tecido, neoprene, etc As bolsas em couro - natural ou sintético - são as mais elegantes e acomodam as garrafas com maior segurança. Deve-se dar preferência às que são revestidas com material isolante térmico - plástico ou isopor -, cujo interior é menos vistoso, mas mantêm melhor a temperatura.

Bolsas de neoprene (o mesmo material utilizado nas roupas de mergulho) têm uma aparência menos sofisticada, mas são ótimas para manter a temperatura dos vinhos transportados, além de serem mais discretas que as de couro. E mais baratas.

Outra solução, simples e barata, é a utilização de bolsas próprias para transporte de material fotográfico, encontradas em qualquer loja do ramo. Apresentam a desvantagem de acomodar as garrafas apenas deitadas. Mas para vinhos brancos e espumantes, elas conseguem conservar a temperatura por mais tempo. Esse tipo de bolsa comporta, normalmente, até quatro garrafas.

Dica: Se for necessário manter a temperatura baixa por um tempo maior, as garrafas devem ser colocadas com blocos congelantes (podem ser comprados em casas de material para camping). Não se pode esquecer que eles devem permanecer por algumas horas no congelador ou freezer antes de serem utilizados.

Transporte de Vinhos em Viagens

fotos: Roberto Rodrigues
Champagne para viagem

Durante viagens ao exterior, os amantes do vinho se sentem tentados a trazer algumas garrafas de vinhos, pois o preço é um bom chamariz. Para compensar, os vinhos, normalmente, são mais sofisticados - e raros. Como transportar os tesouros líquidos garimpados em outro país?

Muitas pessoas fazem uso de uma solução simples e que, aparentemente, funciona: envolvem as garrafas em peças de roupa - camisetas ou toalhas - e colocam com as demais roupas da mala. Muito simples. No entanto, algum desastre pode ocorrer e a garrafa se quebrar. Neste caso, tomara que o vinho seja branco. Imagine o estrago de um vinho tinto em uma mala repleta de roupas. Este transporte improvisado deve ser evitado. Há várias sugestões e cada um deve escolher a mais adequada em função da quantidade de vinhos que serão transportados. As duas dicas principais são:

- Leve sempre em sua bagagem um rolo de fita adesiva de boa qualidade que sirva para fechar caixas de papelão;

- Leve alguns metros de "plástico bolha" (na viagem de ida serve para preencher os espaços vazios das malas), encontrado por alguns poucos reais em lojas de plásticos.

Transporte em Caixas

A forma mais segura é embalar os vinhos em caixas (de seis ou doze garrafas) de papelão ou madeira. Elas podem ser obtidas nas mesmas lojas em que se adquirem as garrafas de vinho. Basta pedir. Claro que as de madeira são melhores, mas também mais difíceis de serem encontradas. Os vinhos são transportados nesse tipo de caixa quando vendidos pelas vinícolas.

O principal problema ocorre em relação às garrafas de tamanhos e formatos fora do padrão. Para uma garrafa menor basta envolvê- la em plástico bolha até que fique do tamanho das maiores. É importantíssimo não deixar folgas para que as garrafas se choquem. E se quebrem. As garrafas maiores devem ser transportadas em outro local.

É importante completar a caixa. Nos locais não ocupados por garrafas coloque jornais dobrados até preencher todo o espaço ou, melhor ainda, compre mais algumas garrafas até que a caixa fique completa. Depois é só lacrá-la com fita adesiva e, para maior segurança, envolvê-la com uma ou duas camadas de plástico bolha.

Por último, ao despachar a caixa, peça à aeroviária que coloque um adesivo de FRÁGIL.

Transporte em Malas

fotos: Roberto Rodrigues
Porta-garrafas em couro

Sempre envolva cada garrafa em plástico bolha para evitar quebra. É simples e barato. O ideal é que as garrafas dos vinhos mais caros sejam transportadas como bagagem de mão em uma mala tipo "cachorrinho". O problema é o peso. Em último caso, algumas poucas garrafas podem ser colocadas na mala que vai ser despachada no vôo. Mas tenha cuidado em colocar um saco plástico sem furos (tipo saco de lixo) e lacrá-lo. Se a garrafa quebrar o estrago será menor. Depois disso envolva em plástico bolha.

Outro conselho é utilizar apenas malas rígidas e não deixar objetos de metal soltos dentro da bagagem. Um saca-rolhas, por exemplo, pode fazer um grande estrago.

Em viagens de carro, utilize sempre caixas de vinho, e não malas.

Transporte para Piqueniques

Por último, para um bucólico piquenique, além das garrafas, é preciso levar também as taças. Aqui se aplica o mesmo método utilizado para o caso de transporte de vinho para consumo imediato, levando-se em consideração que a quantidade pode ser um pouco maior. Na Europa, encontra-se, com facilidade, bolsas adequadas para este tipo de transporte. Traga uma delas em sua próxima viagem e aproveite a primavera para um bom piquenique com queijos, frios, vinhos e excelente companhia.

Lugares não faltam em nosso país. Nunca a distância pode se tornar empecilho ao consumo de um bom vinho. Mas se nada der certo, ainda resta a esperança de transportar o vinho como na ilustração da Junta do Comércio de Portugal - guardada no Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, em Portugal - ou seja, utilizar um carro de bois a puxar pipas de vinho. Santé!

Roberto Rodrigues é Enófilo e consultor de vinhos - rr@pobox.com

Roberto Rodrigues

Publicado em 25 de Julho de 2006 às 06:48


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