O mar diante dos olhos

A água, escassa na região, serve de fachada para a vinícola Viña Mar, no vale chileno de Casablanca


fotos: Divulgação
Lâmina d’água chama a atenção diante da belíssima Viña Mar

Assim como diversas cidades, Casablanca foi fundada em 1753 sob forte influência espanhola. Seu nome, Villa de Santa Bárbara de la Reina de Casablanca, foi escolhido como homenagem à esposa do Rei Fernando VI, Bárbara de Braganza, falecida cinco anos depois.
No início, Casablanca tinha uma importância arqueológica – sendo uma região onde eram encontrados indícios de povos antigos –, mas estava longe de desenvolver qualquer atividade econômica significativa. A população do lugar, distante apenas 20 quilômetros do Pacífico, era escassa, como a água.

Talvez por isso a história vitivinícola da região seja tão recente. Há pouco menos de 30 anos, o enólogo Pablo Morandé, conhecido como o “descobridor do Vale de Casablanca”, encontrou semelhanças entre o clima do vale de Casablanca e o de Carneros, na Califórnia – uma das melhores zonas vinícolas dos vales do Napa e Sonoma – e decidiu iniciar um projeto por lá.

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foto: Divulgação
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O nascimento oficial do vale se deu em 1985, quando os primeiros vinhos casablanquenses foram apresentados. Como num piscar de olhos, a região foi crescendo e hoje somam-se mais de 4 mil hectares de superfície de plantação. Dentro destes tantos estão os 274 hectares da Viña Mar, vinícola fundada em 2002 buscando entrelaçar tradição e modernidade.

A importância da água
Localizada no Vale de Casablanca, ela está na rota entre Santiago e Viña del Mar, cidade conhecida como “Ciudad Jardín” (Cidade Jardim). A vinícola, que dista apenas 18 km do oceano, sofre grande influência do clima marítimo e procura incorporar as características da região em sua arquitetura.

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Talvez pela escassez da região, a fachada frontal da grande casa branca é marcada pela onipresença da água, que se assemelha a um pequeno oceano. Tão azul quanto o mar, as águas são um dos artifícios para trazer o visitante para perto do clima e das influências sofridas pela região.

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Edifício da vinícola é um palácio amplo e aconchegante, que mescla tons frios da pedra com detalhes em madeira
foto: Divulgação

Logo de cara, a fachada frontal da vinícola, que combina as cores azul (do céu e da água) e branco (do “palácio”), transmite uma sensação quase que celestial. Cercada pelo verde dos vinhedos que a rodeiam e pelo clima litorâneo, quem visita a Viña Mar certamente encontra a tranquilidade e a paz tão procuradas pelo projeto arquitetônico.
Todos os ambientes do belo casarão branco, que faz questão de deixar à mostra suas plantações, são espaçosos e remetem a antigos palácios, onde a disposição dos objetos e da decoração privilegiavam a movimentação dos hóspedes.

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Luz do céu
As manhãs frias e a neblina típica de Casablanca, região que não possui a proteção das colinas tão comuns no Chile, fazem necessária uma iluminação perfeita. Todos os ambientes são cercados por grandes janelas envidraçadas, que dão um “quê” tradicional ao casarão tão jovem.

Estas janelas, unidas ao já falado arranjo decorativo dos cômodos, torna possível a formação de ambientes arejados e frescos, nos quais a brisa tem forte presença. Além desta função, as janelas ainda desempenham outro papel: deixar o visitante a par dos processos e técnicas de cultivo das uvas, que estão sob o olhar atento de todos os visitantes.

Clássico e moderno
Se por fora a Viña Mar é conhecida como um palácio imponente, a parte interna não deixa dúvidas de seu esplendor. A escada central, por exemplo, que opõe o preto dos degraus ao branco e dourado da decoração, reforça a ideia do medieval, mas sem deixar de lado alguns detalhes contemporâneos e acabamento em madeira. A maioria dos ambientes se alterna nesta mesma linha, buscando priorizar ora o moderno, ora o clássico.
A “Casablanca” onde está cravada a vinícola tem diversas funções. Além da produção de vinhos – a capacidade é superior a 2,5 milhões de litros –, o local ainda oferece ao turista a chance de conhecer o processo de fabricação do espumante (são mais de 300 mil garrafas por ano).

Aproveitando a beleza do vale, a Viña Mar possui um importante projeto de turismo enológico, que procura unir todas as características tão peculiares da região com a arquitetura moderna e limpa.
O compromisso da vinícola com a promoção da região é tanto que ela oferece caves abertas a visitação – que contam com diversos barris de carvalho –, restaurantes no próprio local, que harmonizam os vinhos com a comida típica da região, e tours a outros vinhedos.

Carolina Almeida

Publicado em 15 de Abril de 2010 às 13:49


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Artigo publicado nesta revista