Revista ADEGA

Os cubanos no Brasil

ADEGA conversou com representante da Habanos S.A. para saber seus planos para o mercado brasileiro e mundial

Paulo Rogério Bueno em 29 de Abril de 2009 às 05:48

Divulgação

ADEGA esteve presente em um evento que marcou o início de uma nova era do que parecia ser o conturbado mercado de charutos no Brasil: a (re)inauguração da quinta Casa del Habano no Esch Café. Lá, entrevistamos uma das maiores autoridades em charutos cubanos, o vice-presidente da Habanos S.A., Don Manoel Garcia, ou Manoelito, como gosta de ser chamado pelo amigos. A Habanos S.A. é uma estatal cubana responsável pela comercialização dos charutos e subprodutos, assim como tudo o que é vinculados à marca "Casa del Habano".

Tivemos também o prazer de conversar com Alberto Salles, sócio-proprietário da "Emporium Cigar", firma responsável pela importação e distribuição oficial dos produtos da Habanos S.A., assim como a intermediação de franquia da "Casa del Habano".

Com muita informalidade, mas sem perder o requinte que merecem os puros Habanos, saiba mais do mercado que cresce a cada dia no universo do luxo e sofisticação no Brasil.

DON MANOEL GARCIA
Quais são as marcas principais de comercialização no Brasil?

A empresa estatal Habano S.A. tem 34 marcas de charutos reconhecidas internacionalmente, das quais apenas 27 são totalmente feitas à mão. Aqui existe um processo de registro de marca e temos que fazer isso passo a passo. Até o momento são 14 as marcas registradas no Brasil.

Qual sua visão quanto ao mercado de charutos no Brasil em comparação com outros países da América Latina?
Há outros países na América Latina que vendem mais (Argentina). Pensamos, assim, que existe, no Brasil, um grande potencial. Ao lado de uma companhia como a Emporium Cigar, achamos que o País pode vir a ocupar o primeiro lugar no mercado latinoamericano.

Hoje qual o maior mercado dos charutos cubanos no mundo? Espanha em primeiro lugar, depois França e, em seguida, Alemanha. O mercado inglês é muito sofisticado, elitista, que conhece muito bem o charuto cubano, mas sofre muito com as restrições em relação ao fumo (leis antitabagismo) e, com isso, vem registrando quedas ano a ano.

Qual o balanço do ano passado em valores e unidades vendidas de charutos cubanos "Premium" (folhas inteiras produzidos à mão)?
Normalmente não divulgamos uma contabilização em valores. Em unidades, são mais de cem milhões. Não há um número exato, pois não achamos isso necessário. Estamos em mais de 160 países, em todos os continentes, temos uma rede de produção exclusiva praticamente para o mundo inteiro, com exceção do mercado norte-americano. Isso apenas em relação ao "Premium".

No Brasil há uma comercialização de charutos ilegais, sejam eles contrabandeados e ou falsificados. Existe uma ação da Habanos S.A. para o combate a este mercado?
Estamos combatendo com todas nossas forças as ações ilegais contra as companhias que estão comercializando aqui ou em qualquer lugar do mundo os charutos falsos cubanos. Mas esse é um problema que temos em muitos lugares.

Ano passado, Cuba sofreu com três furacões. Como estão as plantações e o estoque?
Os furacões foram muito severos e calcula-se que os danos causados à economia cubana estão em torno de US$ 5 milhões. Por sorte, não houve grandes danos ao setor de charuto, pois, nesse momento não havia tabaco plantado (entressafra). Porém, aconteceu um dano considerável nas casas de secagem e maturação das folhas, que também não estavam com produtos. Mais de 5 mil foram atingidas. Ou seja, os furacões foram muito devastadores, mas, no caso do tabaco, não causou grande impacto e os estoques estão normais.

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Existem outros mercados em que a Habanos S.A. está iniciando ações parecidas como no Brasil?
Sim, agora é um momento muito importante dos países que fazem parte do BRIC, ou seja, Brasil, Rússia, Índia e China. Esses são mercados que estão na mira de todos os produtores.

#Q#

No ano passado, o Festival del Habanos foi um sucesso. O que há de especial para este ano?
O Festival del Habano é um encontro anual dos tabaqueiros de todo o mundo que acontece em Cuba, normalmente no mês de abril, e a Habanos S.A. traz os lançamentos para o ano. No ano passado, participaram mais de mil amantes dos puros Habanos. Para este ano, esperamos algo em torno de 20% maior em público.

Há uma tendência, desde 1999, de lançamentos de tabacos especiais para o mercado mundial mais exigente. Quais as novidades para 2009?
Esta é, sim, uma estratégia da Habanos S.A. Fuma-se menos, mas fumase melhor. Cada vez se limita mais o consumo do produto em alguns lugares (pelas leis antitabagistas) e estamos nos focando nos colecionadores, nos grandes apreciadores. A cada ano, buscamos um lançamento, edição limitada, especial, regional. Neste ano, no Festival del Habano, apresentaremos uma nova linha para o mercado, o Montecristo Open, que será um grande êxito. E também a Gran Reserva de Bolívar, a marca mais emblemática e famosa dos charutos cubanos, entre outras novidades.

Hoje qual o maior mercado consumidor de charutos "Premium"?
Os líderes são os Estados Unidos. Não para charutos de origem cubana, mas de outros lugares: República Dominicana, Honduras, Nicarágua. O consumo deles é quase três vezes o do resto do mundo inteiro.

Existe uma possibilidade de abertura comercial para os Estados Unidos? Se isso se concretizar, como se estabelece a Habanos S.A. no mercado?
Não sabemos. Estamos estudando esta possibilidade. Se esse mercado se abrir, haverá muitas possibilidades. É um público que está esperando o produto há muitos anos. Mas teremos muitos problemas econômicos com as leis antitabagistas, com a crise, com todas estas questões. Estamos focados em vender nossos charutos nos locais em que poderemos fazer isso logo. Esse é nosso maior objetivo e não o mercado norte-americano. Os Estados Unidos, não podemos negar, é um mercado consumidor bem grande e com enorme potencial para os charutos cubanos. No momento em que se concretizar as possibilidades, revisaremos as estratégias comerciais.

Quais são os maiores concorrentes da Habanos S.A.?
São todos os que fazem charutos de qualidade totalmente à mão. A República Dominicana ainda é o maior produtor, com produtos muito bons e com um grande mercado em mãos (Estados Unidos).

ALBERTO SALLES Onde elas estão localizadas as "Casa del Habano" no Brasil?
No Rio de Janeiro temos duas e, aqui em São Paulo, três.

Qual a sua visão do mercado brasileiro para os charutos cubanos?
Não tenho dúvida de que o Brasil é potencial mercado para charutos cubanos. A única coisa é que encontramos um mercado um pouco desarrumado e tivemos muito trabalho para arrumar tudo. Então, não partimos de zero, partimos de menos alguma coisa, e chegamos a zero agora. Estamos indo muito bem e fazendo exatamente o que este mercado de produto nobre, como é o charuto, necessita. Hoje a gente tem muito charuto falsificado, contrabandeado. Acho que o consumidor tem que estar sempre alerta para não comprar gato por lebre. A origem do nosso charuto, todos sabemos qual é. Somos distribuidores exclusivos, portanto não há dúvida.

Acha que o registro da ANVISA é um bloqueio para se trazer boas coisas e outras marcas, já que a Habanos S.A. tem 34 marcas, além dos blends?
Detesto falar de imposto e taxa, mas tenho que viver com essa realidade. A estratégia é trazer aqueles charutos que são realmente procurados pelo público. Agora, é óbvio que não podemos trazer um charuto cujo registro seja maior que a rentabilidade dele próprio. Então não faz sentido.

Hoje vocês comercializam 14 marcas registradas pela ANVISA, pretendem trazer mais alguma?
Pretendemos trazer, no próximo ano, alguma coisa, mas não sabemos exatamente quais marcas são aquelas que estão crescendo no mercado internacional e que interessam. As marcas que trazemos já representam 93% das vendas. O consumidor brasileiro tem à sua disposição 90% das vendas mundiais de charuto.


Charutos

Artigo publicado nesta revista


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