Revista ADEGA
Busca

Vinho espacial

Teste com videiras que foram para o espaço com Petrus mostram resultados surpreendentes

Pesquisas iniciais nas vinhas que passaram 14 meses em órbita junto com garrafas de Petrus 2000, sugerem resultados promissores e há planos até para uma “colheita espacial” em 2023


Space Cargo começa o replantio das videiras espaciais
Space Cargo começa o replantio das videiras espaciais

As 320 videiras que passaram 14 meses no espaço junto com garrafas do famoso Petrus, safra 2000, estão passando por testes e mais testes desde retornaram da Estação Espacial Internacional. E os resultados são surpreendentes.

"As primeiras indicações do nosso trabalho são extremamente promissoras", disse Nicolas Gaume, cofundador e CEO da Space Cargo Unlimited, empresa por trás do projeto. "As primeiras 'uvas espaciais' agora são visíveis nos parreirais apenas alguns meses após a fase de replantio que ocorreu em fevereiro de 2022", completou Gaume.

Segundo a empresa, ainda é cedo para afirmar, mas os resultados preliminares da pesquisa sugerem que as “vinhas espaciais” podem mostrar maior resistência ao míldio e à praga da filoxera, bem como apresentam mudanças na quantidade de polifenóis.

O Dr. Michael Lebert, diretor científico do grupo, acrescentou: “Estamos entusiasmados com a possibilidade que o espaço nos proporcionou para desenvolver novas variedades de vinho orgânico que são mais resistentes às mudanças climáticas. Mais trabalho ainda é necessário, mas estamos muito animados com as perspectivas, especialmente com nossa próxima primeira colheita de uvas espaciais para produzir vinho”.

teste-com-videiras-que-foram-para-o-espaco-com-petrus-mostram-resultados-surpreendentes
Estufa da Space Cargo mostra as videiras espaciais

Embora algumas uvas possam ser colhidas em 2022, a primeira “colheita espacial”, como vem sendo chamada a vindima dessas parreiras, está prevista para 2023, seguida de uma “microvinificação” para criar vinhos de teste para pesquisa.

A análise do vinho também continua, depois de uma degustação que apontou diferenças entre o “Petrus espacial” e garrafas da mesma safra que ficaram na terra, a empresa afirmou que há evidências de alterações químicas importantes no vinho que estagiou na Estação Espacial Internacional. Mais testes serão feitos para determinar os efeitos da microgravidade também no vinho.

André De Fraia
Publicado em 20/06/2022, às 09h00


Mais Mundovino