• APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
Assine
Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA
  • APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
  • Um château de influência britânica

    Um general do exército britânico deu nome ao que é hoje um dos mais prestigiados vinhos de Margaux

    por Arnaldo Grizzo

    foto: Divulgação

    A história do Château Palmer, como o nome denuncia, está intimamente ligada aos britânicos. Quando o duque de Wellington, Arthur Colley Wellesley - que ficaria famoso pela batalha de Waterloo -, lutou para derrotar Napoleão, um de seus generais era Charles Palmer. Este chegou à região de Bordeaux em 1814 e, segundo a lenda, suas habilidades não se limitavam apenas às conquistas militares, mas amorosas.

    #Q#

    Assim, quando conheceu Marie Brunet de Ferrière, viúva de Blaise Jean Charles Alexandre de Gascq, então dona do Château de Gascq, ele acabou adquirindo a propriedade por 100 mil francos.
    Assim, antes das guerras napoleônicas, o Château Palmer pertenceu à família Gascq, que estava intimamente ligada ao vinho na região do Médoc e cujos descendentes estiveram vinculados a outros tantos importantes Châteaux de Bordeaux. Quando o vendeu a Palmer, a viúva havia dito que seu Château só estava abaixo de Lafite em termos de reputação (havia sido um dos preferidos da corte de Luiz XV).

    Palmer gozava de grande prestígio na Grã-Bretanha. Sua família fez fortuna na cidade de Bath, no sudoeste da ilha - e era famosa desde os tempos do Império Romano por suas águas termais. Na época Elisabetana e Georgiana, Bath se tornou um complexo termal que atraia os ricos. Tamanho era o prestígio dos Palmer em Bath que se mudaram para Londres, para ficar perto da monarquia. Assim, quando Charles serviu o exército, ele era da mesma companhia do Príncipe Regente, futuro rei George IV. Essa proximidade com a realeza e nobreza fez com que o vinho de Palmer (na época conhecido como "claret de Palmer") rapidamente ganhasse fama nos altos clubes britânicos.
    Contudo, uma querela com o Príncipe Regente - que considerou a bebida fina e anêmica se comparada com seu vinho oficial, um Hermitage - fez com que Charles resolvesse modificar seu vinho, derrubando vinhas antigas e plantando novas, com novas variedades. Os experimentos, entretanto, não surtiram efeito e os altos custos consumiram grande parte de sua fortuna. Sem saber cuidar de suas finanças, ele foi forçado a vender a propriedade a um de seus credores e, no fim, ela acabou nas mãos da casa de hipotecas francesa em 1844.

    #Q#

    foto: Divulgação

    Portugueses?
    Durante quase uma década, a propriedade ficou sob domínio da "Caisse Hypothécaire", quando parte foi adquirida pelos irmãos Isaac e Emile Péreire, em 1853. Judeus de ascendência portuguesa, eles eram banqueiros empreendedores, rivais da família Rothschild - que também investiria em propriedades vinícolas no Médoc -, um dos principais nomes do Segundo Império, com Napoleão III.

    foto: Divulgação

    Os irmãos Péreire promoveram grandes mudanças no Château Palmer, incluindo a construção do edifício - no mesmo estilo do Château Pichon-Baron - que permanece até os dias atuais. Entretanto, não houve tempo para que os Péreire recuperassem a fama da propriedade a tempo da classificação de Bordeaux em 1855, que deixou Palmer como um troisième Cru - terceiro lugar na ordem de importância.
    Nos anos que se seguiram, a família Péreire ainda teve de lutar contra as pragas, como míldio e filoxera, contra os inimigos na Guerra Franco-Prussiana, em 1870, e na I Guerra Mundial. Por fim, não conseguiram aguentar a crise dos anos 1930 e tiveram de vender a propriedade.

    #Q#

    Consórcio
    Em 1938, um consórcio de famílias ligadas ao vinho, com nomes como Sichel, Ginestet, Mialhe e Mähler-Besse, formou a Sociedade Civil do Château Palmer. A propriedade foi revitalizada e, mais tarde, somente as famílias Sichel e Mähler-Besse mantiveram-se no negócio, com a saída dos Ginestet - que venderam sua parte para finalizar a compra do Château Margaux - e dos Mialhe. Assim, as três bandeiras que tremulam sobre Palmer atualmente remetem às origens destas famílias: inglesa, holandesa e francesa.
    O novo gerenciamento sofreria com a II Guerra Mundial e a invasão alemã, mas a partir da safra de 1961 - quando o vinho do Château Palmer foi considerado um dos melhores do mundo -, a propriedade ganharia notoriedade, com muitos críticos considerando sua classificação como "troisième" injusta, comparando-a, em muitos casos, ao Château Margaux, um premier Cru, que era seu vizinho.

    Terroir
    As vinhas de Palmer - 45 hectares produtivos no total de 52 (o tamanho da propriedade variou muito durante os anos, chegando a alcançar mais de 150 hectares tanto com Charles Palmer quanto com os irmãos Péreire) - ficam logo ao sul do Château Margaux, sobre um pequeno platô.
    O solo é de cascalho grosso de quatro metros de profundidade, o que faz com que as vinhas tenham que cavar fundo para alcançar um terreno mais nutritivo. Mas, com isso, também ganham minerais que dão complexidade ao sabor e nuances de personalidade ao seu vinho. A densidade é de 10 mil plantas por hectare, sendo 47% de Merlot, outros 47% de Cabernet Sauvignon e o restante de Petit Verdot. Toda colheita é feita à mão, geralmente por estudantes dinamarqueses, com os quais a propriedade possui contrato. A cultura não é biodinâmica, mas há um cuidado especial sobre o controle de pragas através de meios biológicos. A idade média das vinhas é de 30 anos.

    #Q#

    Vinho
    O principal vinho do Château Palmer, conhecido apenas como Château Palmer, varia sua mistura de Merlot, Cabernet e Petit Verdot ano a ano, com a proporção de Merlot indo de 40 a 60% (em algumas safras mais antigas). A Petit Verdot também possui papel importante, chegando a 8% em anos recentes. A decisão do blend é feita no primeiro ano em adega. Ele fica 21 meses em barrica de carvalho, sendo 45% novas. O segundo vinho, Alter Ego de Palmer (antes conhecido como Resérve de General) fica 17 meses em carvalho, 20% novo.

    Seu blend de Cabernet Sauvignon e Merlot (em quantidades quase iguais, o que é raro no Médoc), com pequenas quantidades divididas entre Malbec, Cabernet Franc e Petit Verdot, dão-lhe a suavidade e a sensação aveludada, que fazem a diferença. A produção é de apenas 180 mil garrafas e a regularidade faz dele um dos principais vinhos de Bordeaux. Algumas safras históricas são: 1928, 1945, 1959, 1961, 1966, 1970, 1975, 1978, 1979, 1983, 1989, 1996, 2000 e 2005 - que podem ser consideradas até melhores do que alguns Premier Cru.

    O estilo de Palmer possui uma fragrância e buquê sensacionais que podem ser facilmente identificados em degustações às cegas. De textura rica, geralmente macia e exuberante, e com profundidade e concentração de fruta, seu vinho pode envelhecer tranquilamente por 20 anos, quando não o dobro, mantendo a consistência.



    Gostou? Compartilhe

    Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA

    palavras chave

    Notícias relacionadas

    logo Krug

    Como a Krug mantém o mesmo estilo de Champagne há seis gerações

    Alsácia

    Família Hugel: o legado dos vinhos que desafiaram as guerras na Alsácia

    Château Pichon-Longueville

    Os dois Pichons: Pichon-Longueville e Pichon-Lalande

    Domaine Comte Georges de Vogüé

    A história e os vinhedos do lendário Domaine de Vogüé em Chambolle-Musigny

    Don Melchor

    Como nasceu o Don Melchor

    Na Toscana, imponentes castelos ornamentam a paisagem

    Supertoscanos, os fora-da-lei mais famosos do mundo do vinho

    O vinhedo Le Pin deu origem ao "garagismo"

    O garagista de Bordeaux que se tornou um dos vinhos mais valiosos do mundo

    Quinta da Alorna

    Os 300 anos da Quinta da Alorna

    Lançamento de 8 mil garrafas de Sauvignon Blanc do Château Margaux

    Château Margaux lança 8 mil garrafas de raro vinho branco

    S.Chapuis/Château Suduiraut

    A história do Château Suduiraut dos jardins Sauternes

    Château d'Yquem

    Escolha sua assinatura

    Impressa
    1 ano

    Impressa
    2 anos

    Digital
    1 ano

    Digital
    2 anos

    +lidas

    Descorchados 2026 tem dois vinhos com nota máxima
    1

    Descorchados 2026 tem dois vinhos com nota máxima

    Robert Mondavi reabre vinícola histórica em Napa
    2

    Robert Mondavi reabre vinícola histórica em Napa

    Mudanças climáticas impulsionam aumento do cultivo de Garnacha em Rioja
    3

    Mudanças climáticas impulsionam aumento do cultivo de Garnacha em Rioja

    Maior colecionador de vinhos do mundo quer abrir um museu na França
    4

    Maior colecionador de vinhos do mundo quer abrir um museu na França

    Brasil tem primeiros restaurantes com 3 estrelas Michelin
    5

    Brasil tem primeiros restaurantes com 3 estrelas Michelin

    Revista ADEGA
    Revista TÊNIS
    AERO Magazine
    Melhor Vinho

    Inner Editora Ltda. 2003 - 2022 | Fale Conosco | Tel: (11) 3876-8200

    Inner Group