Uma feira de tendências

London International Wine Fair mostra o porquê de o mercado inglês tradicionalmente ser um grande definidor de tendências


fotos: Juliana Reis

Mesmo com o aeroporto de Heathrow fechado por causa das cinzas do vulcão da Islândia, a 30ª edição da London International Wine Fair - Feira Internacional de Vinhos de Londres - atraiu 13.700 visitantes entre 18 e 20 de maio de 2010. Com 1.071 expositores, 1.544 produtores, 326 regiões produtoras e 36 países, quem expõe na feira busca lançar produtos, encontrar clientes, procurar vendedores, despertar novos canais de venda e distribuição, ou simplesmente aparecer na mídia. É uma oportunidade para supermercados, agentes de importação, cadeias de restaurantes e compradores em geral fazer negócios no mercado inglês e no mundo.

Público seleto
Quem visita essa feira são os empresários buscando novos vinhos para representar, mas também profissionais do on-trade. Do total de visitantes 26% era do varejo, 24% do ontrade (restaurantes, bares etc), 16% de agentes de importação, entre outros. Impressiona também que mais de 3.200 visitantes vieram de fora do Reino Unido. O evento não é aberto ao público, logo é raro ver consumidores desavisados querendo degustar e conhecer os vinhos expostos. A organização da feira reserva-se o direito de restringir a entrada de pessoas ou de retirar da feira aqueles que tiverem uma conduta não desejável.


Muito além de avaliações, produtores se preocupam em oferecer conhecimento sobre o vinho na feira

Avaliações e premiações
Durante o evento, os vinhos participam de diversas avaliações, competições e desafios que despertam a atenção de empresários buscando os produtos que se destacam. O reflexo de uma boa avaliação na feira muitas vezes é imediato. Uma dessas competições é o International Wine Challenge, que avalia por meio de inúmeras degustações às cegas mais de 10 mil garrafas enviadas por 46 países produtores. Este ano, cerca de 370 enólogos, empresários e escritores de vinhos do mundo todo participaram como jurados. As amostras são enviadas com antecedência para que os resultados sejam revelados durante a feira e o processo de avaliação é cuidadoso. O Brasil enviou 32 amostras de espumantes para participar do desafio e obteve mais de 30% de premiação.

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Educação do vinho
Além das avaliações, a educação do vinho é um assunto amplamente explorado nesse evento. Seja por meio da organização da feira ou pelos próprios produtores. Muitos apostam em levar conhecimento ao participante, promovendo atividades de degustação dirigida ou aulas sobre assuntos específicos. Nas salas paralelas, a programação inclui temas oferecidos por regiões produtoras que despertam interesse pela mesma, como por exemplo: "Por que Rioja?", "O Chile sob um novo olhar", "Vinhos Sustentáveis do Oregon", "Por que os Aromáticos da Nova Zelândia?" , "Introdução aos vinhos da Croácia" , "Vinhos da Índia - tradicionalmente modernos".

Preocupação com o mercado regional
Temas referentes à indústria vitivinícola também são abordados e levavam em consideração problemas e soluções em embalagens, no engarrafamento, no clima, em técnicas especificas, em tendências e oportunidades no mundo do vinho. Nessas palestras o mercado inglês sempre é protagonista, e se discutem assuntos como: maneiras de tornar o mercado do Reino Unido viável para produtores de vinho? Ou: por que adultos britânicos não bebem vinho com mais frequência?

Definidor de tendências
Da mesma forma, muitos produtores tem espaços adaptados dentro de seus próprios estandes para acomodar visitantes durante suas palestras. Portugal investiu em promover educação sobre os vinhos da Madeira. A Áustria apostou em trazer conhecimento sobre a uva Grüner Veltliner. Já o Sul da França trouxe a atenção para os vinhos feitos com Carignan e os orgânicos. Com tanta informação, avaliação, educação e discussão sobre o vinho em seus diferentes aspectos, é fácil entender por que a Inglaterra é conhecida por lançar tendências de consumo, afinal tudo se discute nesse evento e os profissionais estão antenados.

Juliana Reis

Publicado em 30 de Junho de 2010 às 12:54


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Artigo publicado nesta revista