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  • IGW no Rhône

    Vinhos do Vale do Rhône possuem alta pontuação de Robert Parker, mas ainda não representam grandes investimentos

    por Douglas Andreghetti

    fotos: divulgação

    Embora o Rhône tenha uma diversidade de vinhos maior do que encontrada em Bordeaux e Borgonha, isto não se traduz em grandes oportunidades de investimento. A maior parte dos vinhos aqui é para beber e não para investir, sendo menos do que 1% dos investimentos dedicados à região.





    A Bolsa de Vinhos de Londres Liv-ex) possui poucos vinhos do Rhône em seus índices:
    Liv-ex 100 - Somente 1 vinho representa 0,19% do total
    Clos de Papes Châteauneuf-du-Pape - safra 2005
    Liv-ex 500 - Apenas 6 vinhos representam 5,2% do total
    Guigal Côte-Rôtie "La Landonne", "La Mouline" e "La Turque" - safras 2000 a 2004
    Paul Jaboulet Aîné Hermitage "La Chapelle" - safras 2001 a 2005
    Clos de Papes Châteauneuf-du-Pape - safras 2001 a 2006
    Beaucastel Châteauneuf-du-Pape "Hommage à Jacques Perrin" - safras 2002 a 2006


    Paul Jaboulet Aîné Hermitage
    "La André Brunel Châteauneufdu- e Clos de fotos: divulgação Chapelle",
    du-Pape "Cuvée Centenaire" Papes Châteauneuf-du-Pape
    são três dos principais vinhos do Vale do Rhône

    Reconhecimento

    O Rhône é provavelmente a região com as maiores pontuações do mundo de Robert Parker. 84 vinhos já ganharam a famosa marca RP 100 (ou RP 98-100), enquanto Bordeaux possui 83 vinhos com o mesmo score.

    Até 2000, os vinhos da região eram apenas procurados por alguns aficionados. Apesar das lendárias safras 1989, 1990 e 1991, eles não conseguiam chamar mais atenção do que aqueles feitos em Bordeaux, Itália ou Califórnia. Na metade dos anos de 1990, algumas safras ruins fizeram a região cair no esquecimento, enquanto outras áreas foram agraciadas com abundância e vinhos excelentes.

    Mas isso mudou em 2000, quando Robert Parker revisou a safra de 1998 e proclamou: "Visito a França profi ssionalmente por 22 anos e nunca tinha visto uma transformação de qualidade tão grande como a do Vale do Rhône nestes últimos quatro ou cinco anos". Isso marcou uma nova era para o Rhône. O trabalho da nova geração de vinicultores foi finalmente recompensada depois de anos de declínio.

    A maior nota de Robert Parker para um vinho do Vale do Rhône (que inclui a região dos míticos Châteauneuf-du-Pape, perto de Avignon, que foi morada dos papas franceses na Idade Média - no Palais des Papes - na foto ao lado) foi o Domaine Pégaü "Cuvée da Capo"

    Nota

    A maior nota de Parker até hoje foi para um vinho do Rhône:
    Domaine Pégaü 2003 "Cuvée da Capo" RP 100+
    A região também preenche todas as condições necessárias para obter a marca IGW:
    Pontuações altíssimas e consistentes;
    Habilidade para amadurecer bem por várias décadas;
    Muitos produtores com excelente pedigree;
    Produção grande o bastante para os investidores montarem uma posição de compra;
    Apreciação de preços nas grandes safras.

    Então, por que ainda os vinhos do Rhône não viraram alvo dos investidores? Em parte, a resposta é porque não faz muito tempo que as melhores safras estão sendo provadas. A safra 1998, por exemplo, só ficou pronta a partir de 2007. Por isso, poucos tiveram a oportunidade de degustar os vinhos e provar que efetivamente amadureceram bem.

    Outra questão é que poucos vinhos tornaram-se IGW, ou seja, ainda existe um grande número de excelentes produtores com vinhos RP 100, que não foram percebidos pelos traders do mercado internacional, como Roger Sabon, Michel Ogier, Pierre Usseglio, Clos Saint-Jean, e La Janasse.

    Só para termos uma ideia da diferença de preços, os vinhos IGW de Guigal (La Landonne, La Mouline e La Turque) facilmente alcançam cifras acima de 1.000 euros por garrafa, enquanto os nomes menos badalados não chegam a 50% desse valor.

    Mas, mesmo com essa valorização expressiva, nem os vinhos top do Rhône alcançam a média dos vinhos IGW de Bordeaux. No gráfi co comparativo entre o Guigal "La Landonne" 1998 e o Liv-ex 100 (composto com 95% de vinhos de Bordeaux), este ícone de Côte-Rôtie perde em mais de 50% nos últimos dois anos.

    Por esse motivo, o conselho dos especialistas é investir apenas nos vinhos com RP 99-100 e rezar para o mercado acordar na região. É arriscado para quem investe, mas é muito bom para quem gosta de degustar vinhos com excelente preço x qualidade.

    1
    Gráfico comparativo de Guigal (azul) mostra que ele perde em relação aos principais vinhos do índice Liv-ex (vermelho) em termos de valorização nos últimos anos

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