A história da Gamay e do Beaujolais Nouveau
por Arnaldo Grizzo
Todo ano, desde 1951, os produtores de Beaujolais – uma região dentro da Borgonha, na França – lançam seus vinhos “novos” (o Beaujolais Nouveau) na terceira quinta-feira do mês de novembro em todo o mundo ao mesmo tempo.
Esse fenomenal evento de marketing foi criado para que os produtores – diante da crise que estavam vivendo na época – pudessem se capitalizar rapidamente. O “Dia do Beaujolais Nouveau” pegou e perdura até hoje. Os vinhos são feitos com uvas colhidas entre setembro e outubro do ano corrente, passam por maceração carbônica (uma técnica que os torna muito frescos e frutados – com característicos aromas de banana) e são feitos para serem bebidos muito jovens.
A variedade de uva usada é a Gamay, uma cepa vigorosa, de muito rendimento, e rústica – que era muito comum na Borgonha (convivendo com a mais delicada Pinot Noir) até a Idade Média.
No entanto, em 1395, Felipe, o Bravo, poderoso duque da Borgonha, baixou um decreto que “bania” a Gamay de seu ducado. Segundo o duque, ela era uma “cepa vil e desleal”, que gerava vinhos terríveis e duros (muito graças à sua elevada acidez); e isso prejudicava a imagem dos grandes vinhos borgonheses feitos com a Pinot Noir.
Por isso, ela foi implacavelmente retirada dos vinhedos da Borgonha, sobrevivendo quase que somente na região próxima de Beaujolais, onde até hoje é a principal variedade. Lá ela produz não apenas os famosos, porém simples, Beaujolais Nouveau, mas também alguns ótimos vinhos em vinhedos específicos, chamados de Crus (são 10 ao todo). Estes já tiveram grande reputação até 1950, com preços similares aos dos Grand Crus da Borgonha, mas hoje já não se equiparam.
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