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  • Visita à garagem para beber o vinho proibido

    Em evento exclusivo, ADEGA fez uma prova de alguns vinhos do "Bad Boy" de Bordeaux, Jean-Luc Thunevin, incluindo seu especial LInterdit

    por Por: Eduardo Milan

    Renato de Lucena Faria/Estúdio Lucena
    Jean-Luc Thunevin é um "popstar" em Bordeaux. Por conta de seu estilo e de sua incontestável marca deixada nesta tradicional região, ele é um dos mais emblemáticos nomes do mundo do vinho mundial. Bad boy, ovelha negra, garagista... não importa a nomenclatura; o fato é que, por meio de seus vinhos, ele virou de pernas para o ar a ordem estabelecida por séculos em Bordeaux. Reconhecidamente líder e precursor do movimento garagista de Saint-Émilion, Thunevin certamente é o protagonista de uma das histórias de maior sucesso escrita por um vinho de Bordeaux em um curto período de tempo.

    No dia 16 de abril, ADEGA conduziu de uma degustação exclusiva de seis vinhos produzidos por esse revolucionário vitivinicultor francês. O encontro realizou-se no restaurante Aguzzo e estiveram presentes Christian Burgos - sócio da revista - e Eduardo Milan - editor de vinhos -, além dos privilegiados Camilo Chodraui, Christian Conde Antonio, Daniel Ribeiro, Ety Esther, Fabio Abdo, Gabriel Zipman, Rodrigo Mascaretti, Rogerio Garrubbo, Sit Sei Wei e Veroka Vidal.

    Todos foram recepcionados com o espumante Cave Pericó Brut Champenoise 2007 em garrafa Magnum. Elaborado em Santa Catarina a partir de uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay, mostrou- se complexo, fresco e perfeitamente indicado para preparar a todos para a "árdua" tarefa que estava por vir. Vale ressaltar o comentário geral acerca da ótima qualidade do espumante.

    Fotos: Renato de Lucena Faria / Estúdio Lucenanho
    Le Clos du Beau-Père 2006, Clos Badon Thunevin 2006, Virginie de Valandraud 2006, L'Interdit de V......d 2000 e Domaine Virginie Thunevin 2006 foram os vinhos provados

    Grandes estrelas da noite, os rótulos degustados pelo grupo foram, na ordem: Le Clos du Beau- -Père 2006, Clos Badon Thunevin 2006, Virginie de Valandraud 2006, L'Interdit de V......d 2000 e Domaine Virginie Thunevin 2006. Sendo vinhos relativamente jovens, todos foram previamente decantados por aproximadamente uma hora.

    Durante a degustação todos foram convidados a dar sua opinião e declarar suas preferências. Foi unanimidade que os vinhos apresentaram ótima tipicidade e, mesmo sendo jovens, mostraram-se bastante acessíveis e agradáveis de beber, tendo a elegância característica de Bordeaux e retratando a vocação de cada terroir. Pode-se dizer que a busca por esse estilo é uma marca registrada dos vinhos de Thunevin e justifica a fama adquirida pelo casal no passar dos anos.

    O proibido
    Incontestavelmente o eleito da noite foi o L'Interdit ("Proibido", em francês), seguido de por Virginie de Valandraud, Clos Badon e Le Clos de du Beau- -Père. De fato, o L'Interdit de V...........d - cuja grafia do nome propositadamente oculta da palavra "Valandraud" - é um dos rótulos mais procurados e de preço mais alto da linha do produtor. Isso porque, na safra de 2000, Jean-Luc aplicou uma prática proibida em Bordeaux na parcela de vinhedos de onde se colheram as frutas usadas em sua produção: para reduzir a absorção de água pelas videiras, as ruas entre as plantas foram cobertas por plástico. Com isso, o vinho acabou por ser classificado na categoria "vin de table" (vinho de mesa), muito embora sua qualidade seja excepcional, similar à do Château Valandraud 2000. Esse fato nunca voltou a se repetir, ou seja, o L'Interdit de V...........d somente existe na safra 2000 e é verdadeiramente único.

    #Q#

    Em 2000, Thunevin usou técnicas proibidas em Bordeaux e teve que rotular seu vinho como "Vin de Table"

    Durante o jantar foi servido o Domaine Virginie Thunevin 2006. Seguindo a linha de estilo dos vinhos degustados antes dele, esse tinto se mostrou acessível e com fruta de ótima qualidade, agradando a todos, sendo unânime a opinião de que o vinho melhorou bastante quando foi servido com um delicioso brasato acompanhado por purê de batatas e abobrinhas. A deliciosa noite encerrou com uma especial torta de maçãs com sorvete, deixando uma doce lembrança na mente de todos os convidados.

    O SUCESSO DE THUNEVIN

    Tudo começou na década de 1990, quando o exbancário chegou a Bordeaux com pouco mais de 15 mil euros no bolso. Ao lado de sua esposa, Murielle Andraud, Thunevin adquiriu uma pequena parcela de vinhedos de aproximadamente 2 hectares, chamada originalmente de Vallon de Fongaban, que continha vinhas de 30 anos. Em 1991, depois de uma geada em que mais de 75% das frutas foi perdida e de ter empregado muito trabalho, o casal produziu 106 caixas de um tinto cujo nome é a combinação entre o nome original da propriedade e o sobrenome de Murielle: Château de Valandraud. Até aí, nada de mais.

    Eric Travers
    PRODUTOR FICOU CONHECIDO COMO "BAD BOY" DE SAINT-ÉMILION



    Ocorre que, naquela safra, as uvas foram colhidas manualmente e levadas para a garagem do vizinho de Thunevin. O vinho foi elaborado através de técnicas que definiriam o estilo de garagem, todas elas empregadas por necessidade e falta de recursos, e não exatamente por uma veia revolucionária de Thunevin. Tudo foi feito manualmente desde a colheita, até a seleção, o desengaço e a prensa das uvas, bem como o pigéage (rompimento do chapéu de massa sólida do vinho durante o processo de fermentação). Somente em uma coisa Thunevin não economizou, no uso de carvalho novo, onde o vinho permaneceu por 12 meses antes de ser engarrafado. Essas técnicas nunca tinham sido executadas de forma conjunta antes em Bordeaux.

    A aura criada em torno desse vinho fez com que ele atingisse, em algumas safras, altos preços, comparáveis aos classificados como Premier Cru. Tamanho sucesso assombrou e incomodou a velha guarda de Bordeaux, tornando o viticultor uma espécie de "ovelha negra da região". Robert Parker, ao degustar seus vinhos, o apelidou de "o Bad Boy de Bordeaux". Thunevin lida com sua reputação com irreverência. Tanto é que no rótulo do tinto "Bad Boy" se vê estampada uma ovelha negra, apoiada em uma placa indicativa de direção onde se lê a palavra "garage".

    Atualmente, Thunevin é um homem de negócios bem-sucedido. Tem sete propriedades em Bordeaux, é coproprietário de outra área e engarrafa 10 marcas de diversas sub-regiões de Bordeaux, produzindo perto de 16 mil caixas ao ano. Além disso, dá consultoria a diversos outros Châteaux e é dono de um wine bar e duas lojas de vinho. Junto com Michel Rolland, Thunevin tem inspirado toda uma nova geração de jovens viticultores a acreditar que podem produzir vinhos de alta qualidade. Isso vem trazendo comprovadamente benefícios enormes a todos de Bordeaux.

    #Q#

    91 pontos
    CLOS BADON THUNEVIN 2006
    Jean-Luc Thunevin, Bordeaux, França (Casa do Porto R$ 310). Em uma propriedade histórica que data do século XIX, adquirida em 1998, cujos vinhedos estão localizados logo abaixo das colinas da Costa Pavia, Thunevin produz este rótulo a partir de Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, com estágio de 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Vermelho-rubi de leves reflexos púrpura, apresenta aromas de frutas vermelhas e negras maduras, notas defumadas, terrosas e herbáceas, além de toques de especiarias picantes. Em boca, é bem elegante, mais profundo e delicado que o Le Clos de Beau Père, porém precisa de mais tempo em garrafa para mostrar todo seu potencial. Longo, de ótima persistência. Deve ficar ainda melhor na companhia de filé au poivre. EM

    89 pontos
    DOMAINE VIRGINIE THUNEVIN 2006
    Jean-Luc Thunevin, Bordeaux, França (Casa do Porto R$ 96). A partir de uvas vindas de uma área de 9 hectares em Lalande de Fronsac é elaborado este tinto, cujo blend leva Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, com estágio de 50% em barricas novas de carvalho francês. Vermelho-rubi de reflexos violáceos, apresenta aromas de frutas vermelhas, entremeadas por notas defumadas e herbáceas, além de toques tostados e de especiarias. No palato, é frutado, estruturado, equilibrado, tem bom volume de boca, taninos macios e final médio/ longo. Um Bordeaux de boa tipicidade e de vocação gastronômica. Deve melhorar na companhia de brasato com purê de batatas. EM

    90 pontos
    LE CLOS DU BEAU-PÈRE 2006
    Jean-Luc Thunevin, Bordeaux, França (Casa do Porto R$ 310). Precursor do movimento garagista de Saint-Émilion, Jean-Luc Thunevin e sua esposa, Murielle Andraud, adquiriram a propriedade onde este rótulo é produzido em 2006. Este tinto é elaborado a partir de Merlot e Cabernet Franc, com estágio de 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Apresenta cor vermelhorubi de reflexos violáceos, aromas de frutas vermelhas frescas, notas herbáceas, defumadas e de couro, além de toques de especiarias doces. Bem típico do Pomerol, com toques florais. Em boca, é frutado, elegante, taninos finos, boa acidez e final médio/longo. Jovem ainda, precisa de tempo, mas já mostra potencial. Carnes vermelhas ou de caça assadas são sugestões para escoltá-lo. EM

    93 pontos
    L'INTERDIT DE V......D 2000
    Jean-Luc Thunevin, Bordeaux, França (Casa do Porto R$ 2.500). Em 2000, para reduzir a absorção de água pelas videiras, Thunevin usou uma prática proibida em Bordeaux. Como resultado, o vinho produzido acabou por ser classificado como "vin de table" e, propositalmente, batizado de L'Interdit. Como esse fato nunca voltou a se repetir, esse rótulo pode ser considerado único. Vermelho-rubi de reflexos acastanhados, com aromas de frutas mais maduras, bem como notas florais, herbáceas e minerais bem pronunciadas, além de interessantes toques defumados, terrosos e de tabaco. Em boca, é frutado, fresco, estruturado, tem taninos presentes e muito finos, ótima acidez e final longo e persistente. Sem dúvida, um grande vinho, com profundidade e elegância comparáveis aos melhores da denominação. Apesar de agradável, ainda é uma criança, com longa vida pela frente. EM

    #Q#

    92 pontos
    VIRGINIE DE VALANDRAUD 2006
    Jean-Luc Thunevin, Bordeaux, França (Casa do Porto R$ 360). Desenvolvido em 1992 como segundo vinho, desde 1997 este rótulo passou a ter o status de cuvée próprio. É feito com uvas dos mesmos vinhedos do Château Valandraud, vinificado sob a supervisão de Murielle Andraud. O blend leva Merlot, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Malbec e Carménère, com estágio de 18 a 20 meses em barricas novas de carvalho francês. Vermelho-rubi de reflexos violáceos, apresenta aromas de frutas vermelhas e negras maduras, bem como pronunciadas notas defumadas, terrosas e de especiarias picantes, além de toques tostados e de tabaco. Em boca, é profundo, mais sério, mas bem mais elegante que o Le Clos de Beau Père e o Clos Badon Thunevin. Com profundidade e qualidade de fruta superiores, tem taninos finos e perceptíveis, além de ótima acidez. EM

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