A alma do vinho, por dentro e por fora

Vinícola portuguesa investe em arquitetura arrojada e recursos audiovisuais para oferecer uma experiência única aos apreciadores do vinho


Parte externa e interna são inspiradas no mundo do vinho

A Quinta do Encontro não foi pensada apenas para ser mais uma bela vinícola. Ela surgiu com o conceito ousado de querer inovar em uma região portuguesa tão marcada pela tradição como São Lourenço do Bairro, Anadia. Foi com esse pensamento que o arquiteto português Pedro Mateus conseguiu desenvolver um espaço moderno, onde tudo é voltado para a maior paixão daqueles que o visitam - o vinho.

fotos: Quinta do Encontro/divulgação
Pórtico remete às aduelas das barricas

Logo na parte externa fica clara a ambição de seu projeto: uma arquitetura que se assemelhasse aos mais essenciais elementos do mundo do vinho. É por isso que, por seu formato redondo, a vinícola parece uma enorme barrica. A entrada é constituída de um pórtico que remete às aduelas de madeira das barricas, mas pode ser analisada por outro ângulo. Como parece um andaime de construção, lembra o fato de que cada ano na atividade vitivinícola é um novo começo, uma nova construção. No interior, rampas circulares rodeiam todo o ambiente, fazendo clara referência à espiral do saca-rolha. Há ainda uma lareira em formato de garrafa.

A madeira está presente em todos os ambientes

O único edifício possui três andares e, por sua arquitetura circular, é de difícil exploração. Porém, isso não impediu que a Quinta do Encontro tivesse ambientes diversos. A vinícola fica no subsolo. O piso térreo é composto por uma loja, sala de estar e restaurante - que possui vista para os vinhedos. Os vinhos harmonizam com uma gastronomia diversificada, tanto regional como vanguardista, sendo o leitão seu prato mais tradicional. A parte superior abriga espaços para reuniões, exposições de arte e outros eventos.

A decoração dos ambientes varia, mas nas salas de reuniões, por exemplo, predominam sofás de design moderno e arrojado com cores fortes, contrastando com a madeira que forra as paredes. Aliás, madeira também é um elemento presente em todo o edifício por lembrar os barris usados na produção do fermentado. Outros materiais predominantes na construção são concreto e inox.

fotos: Quinta do Encontro/divulgação
Lareira em forma de garrafa é atração

A bela paisagem dos vinhedos com as Serras do Caramulo e do Buçaco ao fundo podem ser constantemente observadas através das grandes janelas de vidro e da varanda que contornam o prédio. Isso faz com que o visitante tenha uma perspectiva global da beleza que o cerca.

Edifício Inteligente
A tecnologia faz da Quinta do Encontro uma experiência ainda mais prazerosa para aquele que a conhece. Quem desce as rampas em formato de saca-rolhas percebe que as luzes se acendem conforme o ritmo de seus passos. Isso é possível graças a uma linha de pequenos LED´s (Diodo Emissor de Luz), que emitem luzes de graduações diversas enquanto a pessoa vai em direção à adega. Esse processo é chamado de eletroluminescência.

Esse, porém, não é o único "efeito especial" da Quinta do Encontro. À medida que o visitante continua seu caminho, escuta diversos sons, sempre referentes ao universo do vinho, como cantos de senhoras durante a colheita ou o barulho do vento batendo nas folhas da videira. Para finalizar, quando se chega à zona de vinificação, uma enorme tela exibe projeções de imagens e filmes sobre o importante momento da colheita.

Se o desejo principal do arquiteto Pedro Mateus era fazer algo único, não restam dúvidas que essa vontade se materializou na Quinta do Encontro. Uma vinícola com um projeto arquitetônico tão diferenciado só poderia mesmo acrescentar mais um roteiro para os amantes do enoturismo.


Thalita Fleury

Publicado em 22 de Outubro de 2008 às 07:58


Enoarquitetura

Artigo publicado nesta revista