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"Prima" da Cabernet Sauvignon

Conheça a Picual, a azeitona que representa cerca de metade das oliveiras espanholas

As oliveiras de Picual foram plantadas com o intuito de transformar áreas desertas em terras para o desenvolvimento econômico


Se perguntarmos para qualquer dos leitores assíduos de ADEGA ou para qualquer amante do vinho: "Qual o primeiro nome de uva que lhe vem à cabeça?", quase que seguramente a resposta será Cabernet Sauvignon. De fácil cultivo, grande potencial de adaptação, resistência às pragas, a verdade é que essa clássica cepa francesa, resultado do cruzamento da Cabernet Franc com a Sauvignon Blanc, conquistou o mundo, difundindo-se por todas as zonas como a rainha das uvas tintas.

Mas, e se fizéssemos esse mesmo tipo de pergunta para os apreciadores de azeite: "Qual azeitona que primeiro lhe vem à cabeça?", possivelmente, o resultado não seria assim tão predominante, dependeria muito mais da nacionalidade da pessoa e de suas influências culturais. No entanto, existe, sim, uma azeitona que poderia ser considerada a Cabernet Sauvignon das azeitonas: a Picual.

Durante os séculos XVII e XVIII, as oliveiras de Picual foram extensivamente plantadas com o intuito de transformar antigas áreas desertas em terras com potencial para o desenvolvimento econômico. Hoje, ela é nada menos que a oliveira que mais se prolifera no planeta, representando cerca de metade das olivas espanholas e um quinto de todo o resto do mundo.

A variedade mais importante do mundo está relacionada geograficamente com a região da Andaluzia, principal zona produtora do mundo, principalmente nas províncias de Jaén, Córdoba e Granada, mas sendo também encontrada em Málaga, Ciudad Real e Badajoz.

A oliveira

Assim como sua "irmã vinífera", a oliveira Picual possui porte vigoroso e é de fácil cultivo, fato que explica tamanha difusão. A árvore possui ramos curtos, copa cerrada e os troncos e galhos, quando jovens, de cor verde acinzentado.

A Picual é uma variedade precoce e extremamente produtiva, tendo como principais vilões as secas prolongadas e os terrenos calcários. Porém, possui a capacidade de suportar bem as geadas, além de se adaptar a diversas condições climáticas e de solo. A maturação de seus frutos acontece, em geral, entre a segunda semana de novembro e a terceira de dezembro, com um tempo médio de maturação de aproximadamente 40 dias.


Assim como a Cabernet Sauvignon, a oliveira Picual possui porte vigoroso e é de fácil cultivo, o que explica tamanha difusão

O azeite

O óleo de oliva produzido a partir do cultivar Picual é, muitas vezes, considerado um óleo de qualidade média, adorado pelos espanhóis, porém nem sempre pelos estrangeiros. O que compensa essa qualidade (que para alguns seria duvidosa) é o seu elevado índice de estabilidade, sua riqueza em ácidos graxos e em antioxidantes naturais, sua elevada proporção de monoinsaturados e polifenóis, que participam ativamente na prevenção de doenças cardiovasculares. O azeite da variedade Picual, portanto, possui um longo processo de possíveis oxidações e formações de ranço, além de uma maior estabilidade quando submetido a elevadas temperaturas. É por isso que, muitas vezes, o azeite Picual é mesclado com outras variedades que se oxidam e ficam ranças prematuramente.

Do ponto de vista organoléptico geral, os azeites de Picual possuem uma grande força, é frutado, amargo e encorpado com notas vegetais e, por vezes, de maçã. Normalmente, são diferenciados conforme a altitude do plantio de suas oliveiras. Quando cultivados em terrenos planos, produzem óleos mais amargos, com notas de madeira e picor mais acentuado. Já os oriundos de terras montanhosas normalmente são mais suaves e frescos.

Denominação de Origem

O cultivar Picual é amparado pelas seguintes denominações de origem: DOP Sierra Segura, que produz um óleo amarelado ou esverdeado, frutado, com aromas de ervas recém-cortadas ou de maçã-verde, sabor fresco, suave e ligeiro picor. DOP Sierra de Carzola, com óleo de coloração verde-amarelada, aroma e sabor fresco, com um ligeiro picor. DOP Sierra Mágina, com sua cor também verde-amarelada, aroma frutado e sabor de frutos frescos, leve amargor e picante. O óleo de oliva Picual é também encontrado em outras DOC espanholas, além de ter se proliferado pelo mundo, como na Argentina, por exemplo.

Por João Calderón
Publicado em 27/07/2016, às 16h00 - Atualizado às 10h37


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