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A personagem da Tempranillo

A uva que ganhou prestígio na Espanha se espalha pelo mundo e encanta os consumidores com seu estilo


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A marca registrada da Tempranillo é o aroma de morango

A uva Tempranillo é a tinta ibérica nobre por excelência, responsável pelos vinhos de maior prestígio de Rioja e Ribeira del Duero. Seu nome vem do espanhol: temprano, "amadurecimento que ocorre cedo", precocemente. Sua boa acidez e pouca tendência oxidativa permitem a seus vinhos uma longa guarda em barricas de carvalho e em garrafas. Tradicionalmente, na Espanha, seus vinhos passam bastante tempo em carvalho americano, quando atinge o nível intitulado crianza ("criado" em espanhol). Quando passam maior tempo em carvalho, os vinhos espanhóis são classificados como Reserva ou Gran Reserva. Atualmente, como regras existem para serem quebradas, várias bodegas espanholas usam carvalho francês, o que significa menos baunilha e maior complexidade ao vinho, outras até elaboram seus vinhos sem passagem por qualquer carvalho.

 

Na juventude, os vinhos de Tempranillo exibem aromas frutados simples, de morango, cereja ou framboesa. Nos exemplares envelhecidos notam-se aromas de figo, de geléias de frutas e envolventes traços de alcaçuz e torrefação.

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Na Espanha a uva é chamada Tempranillo somente na região de Rioja; nas outras regiões em que se adaptou recebe nomes diferentes (Ull de Liebre, na Catalunha, Tinto Fino ou Tinto del Pais, em Ribeiro del Duero, Tinto de Toro, em Toro e Cencibel, em La Mancha).

Em Portugal é denominada Aragonês, no Alentejo, e Tinta Roriz, no Douro e no Dão. Entra na composição do vinho do Porto, sendo uma das cinco uvas permitidas na elaboração desse importante vinho fortificado. Ela é também usada na produção de vinhos secos, varietais ou de corte, no Douro, no Dão e no Alentejo.

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Os vinhos argentinos da variedade competem com os do Velho Mundo

Trazida pelos colonizadores espanhóis para a Argentina, durante muito tempo a Tempranillo foi estigmatizada como "uva para vinhos comuns". Nos últimos anos, graças ao trabalho de algumas bodegas, têm sido elaborados tintos de qualidade, capazes de competir com seus equivalentes do Velho Mundo. Vinificados cuidadosamente e com passagem em carvalho americano, bem ao estilo espanhol, esses vinhos têm mostrado muitas qualidades e excelente capacidade de evoluir na garrafa. A Austrália intensificou o seu plantio, onde inicialmente era usada para produzir vinhos fortificados.

Recentemente, a Tempranillo foi plantada no Brasil, na região da Campanha, e a Miolo já colocou no mercado a segunda safra do Fortaleza do Seival 100% Tempranillo, que tem se revelado um bom tinto. Em todos os lugares onde ela foi plantada o sabor de morango, sua marca registrada, se destaca. Confira algumas seleções de ADEGA:

Toro El Albar Barricas 2003 - J&F Lurton. Rico e maduro, este Tinto de Toro destaca os aromas de morango e figo com especiarias doces, como canela, mostrando um toque exótico. Macio e redondo acompanha muito bem uma bisteca suculenta.

Valdelosfrailes 2002 - Vendimia Seleccionada de Bodegas Matarromera, Castilla y León. Apresenta aromas de baunilha e coco que evoluem vagarosamente para revelar uma faceta mais suave e frutada da Tempranillo, como aromas de morangos e cerejas.

Finca La Linda Tempranillo 2005 - Luigi Bosca (Decanter, R$ 28,20). É um tinto de bom corpo e concentração, paladar macio, aroma e sabor de boa intensidade, combinando frutas vermelhas e notas caramelo.

Benjamin de Nieto Senetiner - Tempranillo de bom preço, onde se percebem aromas marcantes de frutas vermelhas logo no início da degustação. No final notam-se aromas de torrefação e chocolate branco. Um vinho para acompanhar assados, quando você tiver convidados.

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José Ivan Santos

Publicado em 11 de Março de 2019 às 15:00


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Artigo publicado nesta revista