Casa caiada

Seguindo as mais antigas tradições arquitetônicas do Alentejo, a Herdade do Sobroso construiu um paraíso em meio à bucólica paisagem portuguesa


O cenário pode parecer um pouco repetitivo. Porções de terra por vezes árida, por vezes repletas de cultivos, por vezes de mata preservada. Casas e mais casas brancas, caiadas como se diz, com cornijas azuis ou ocre, espalhadas, seja na cidade, seja no campo. O Alentejo é uma terra de tradições. As casas, sempre térreas, são feitas de paredes de adobe (tijolos feitos geralmente de barro ou xisto, água e palha), são caiadas (pintadas com cal) a branco e cobertas com telhas de barro vermelhas, típicas desta região de Portugal. Envasamento (base mais larga do cunhal), cunhais (pilares na junção de duas paredes) e cornijas (espécie de moldura saliente na fachada), que são pintadas com as cores típicas do Mediterrâneo (azul ou amarelo ocre) - utilizando para isso pigmentos de óxido de ferro e cobalto misturados na cal - são alguns dos elementos que completam o estilo alentejano.

A caiação, tão costumeira, geralmente é feita e renovada pelas mulheres em épocas estivais, ou seja, no verão. Ainda fazem parte da estrutura das casas, as chaminés, ligadas à cozinha, e os alpendres, usados para secar alimentos. Dentro das habitações, o chão costuma ser uma mistura de tijolos vermelhos com soalho. As paredes, obviamente, caiadas. Os tetos, estucados (revestidos com um tipo de argamassa geralmente feita de pó de mármore, cal fina, gesso e areia) para formar abóbodas, muitos com a estrutura à vista.

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Fotos: Divulgação
Decoração não destoa da simplicidade da arquitetura

Uso das tradições
É dentro dessas tradições e desse contexto que a Herdade do Sobroso construiu sua adega e seu centro de enoturismo em impressionantes 1.600 hectares, que misturam vinhas e uma vegetação ainda natural, na Serra do Mendro. Composta por um conjunto de construções que foram reformadas, a vinícola preservou tudo o que foi citado no início deste texto.
A chamada "Country House" é o reflexo disso em um formato mais moderno, que oferece turismo rural, cinegético (de caça) e enoturismo. A "Casa da Quinta" é a casa principal da herdade, com cinco quartos especiais, cada um desenhado em um estilo, mas sempre respeitando as tradições alentejanas. Já a "Casa da Cegonha" é independente da casa principal, fica ao lado da piscina e tem diversos quartos, alguns até com cozinha dentro. O nome vem de um casal de cegonhas que vive por lá. Além dessas duas casas, existem mais duas no conglomerado. Um pouco afastado disso há ainda uma edificação, onde antes era uma pocilga de porcos, que foi transformada em um clube de caça.

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Quatro casas fazem parte do conglomerado da Herdade do Sobroso. Todas mantém o estilo alentejano

Acolhedor
A preservação das antigas tradições arquitetônicas dá à Herdade do Sobroso um ar bucólico acolhedor. A manutenção do estilo simples alentejano, contudo, não impede o cuidado com os detalhes, especialmente com a decoração sutil, sem rebusques, congruente com tudo o que está ao redor. Os quartos e as casas se transformam em um local singular, perfeito para relaxar em uma paisagem clássica do sul de Portugal.
Tamanha beleza é muito bem explorada pelo turismo. Além do vinho e dos 50 hectares de vinhas, que estão dentro dos 1.600 hectares da propriedade, o turismo cinegético é certamente um dos pontos altos, e a herdade oferece um safári fotográfico onde se pode observar e caçar javalis, veados, gamos, perdizes, lebres etc. Também é possível pescar, fazer canoagem, windsurf, wakeboard, tiro ao arco e outros tantos jogos mais tradicionais portugueses como a malha, por exemplo. Tudo cercado por um ambiente que exala serenidade e respeita a história e as tradições locais.

Arnaldo Grizzo

Publicado em 3 de Dezembro de 2010 às 06:57


Enoarquitetura

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