Direção do Domaine Clarence Dillon descarta ampliar área dedicada ao rótulo, cuja demanda cresce e cuja história remonta ao século XVIII.

por Redação
O Château Haut-Brion reafirma a escolha por manter restrita a produção de seu branco seco, hoje elaborado em apenas 2,5 hectares da propriedade em Bordeaux. A decisão, confirmada pelo diretor-geral adjunto do Domaine Clarence Dillon, Jean-Philippe Delmas, ocorre apesar da demanda crescente por uma das cuvées mais raras de toda a região.
Arquivos históricos do château mostram que a produção de vinhos brancos na propriedade remonta ao século XVIII. No século seguinte, antigos proprietários chegaram a tentar um rótulo licoroso denominado Haut-Brion Petit Sauternes.
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A experiência, no entanto, não avançou. Delmas contou ao francês Le Figaro que até chegou a testar novamente um estilo doce após um estágio na Califórnia, mas sem sucesso — as condições de neblina no terroir de Pessac-Léognan não favorecem o desenvolvimento do botrytis cinerea, fungo responsável pelos grandes sauternes.
O foco, portanto, permanece no branco seco, cuja singularidade está no protagonismo do sémillon. Enquanto a maioria dos brancos de Bordeaux é dominada pelo sauvignon blanc, o Château Haut-Brion Blanc trabalha com 60% a 70% de sémillon no corte.
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Segundo Delmas, o sauvignon confere frescor e aromas florais, enquanto o sémillon aporta estrutura e notas de frutas como pêssego e ameixa, criando um equilíbrio considerado “único no mundo do vinho”. Essa escolha também reflete o solo da propriedade, marcado por argilas e calcários especialmente favoráveis ao sémillon.
A produção, entretanto, é extremamente limitada. Os 2,5 hectares destinados ao branco exigem cuidados equivalentes aos 50 hectares dedicados aos tintos, tamanha a sensibilidade da uva e da vinificação. Por ano, apenas 5 mil a 6 mil garrafas de Château Haut-Brion Blanc chegam ao mercado (chegando a 10 mil quando somado o rótulo La Clarté de Haut-Brion). O número contrasta com cerca de 100 mil garrafas do tinto principal.
Questionado sobre um possível aumento de área para atender à demanda, Delmas foi categórico: não há planos de expansão. Para ele, parte essencial do prestígio do vinho está justamente na sua raridade.
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