Com a cidade maravilhosa a seus pés

Carta elaborada pelo cineasta de Mondovino faz bonito em cardápio dedicado aos pratos brasileiros


Baco acaba de conquistar um dos espaços mais charmosos do país. Localizado no topo do bairro de Santa Tereza, reduto do Rio antigo, o restaurante Aprazível não poderia ter nome mais adequado. Que tal almoçar ao ar livre, em um gazebo, em meio a árvores centenárias, com uma indescritível vista da cidade maravilhosa a seus pés? Neste ambiente bucólico também se come bem. A culinária da chef e proprietária Ana Castilho é brasileira, moderna e requintada.

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divulgação
Almoço ao ar livre e com vista aprazível
Pois agora o vinho também faz parte deste aprazível conjunto. Ana contratou o cineasta norte-americano Jonathan Nossiter, que fez fama com o filme Mondovino, para assinar a carta de vinhos. Nossiter, um defensor dos vinhos brasileiros, elegeu 40 espumantes, brancos e tintos para compor a parte verde e amarela da carta. A lista é complementada por 42 rótulos estrangeiros. Na parte dos nacionais há nomes como Cave Geisse, Dal Pizzol, Marson e Valduga, além de algumas preferências do cineasta, como o Peverella Malvasia Cave Ouvidor, um branco com certa oxidação, por R$ 220. Estamos diante de uma lista "de autor", elaborada criteriosamente, mas que talvez sacrifique o cliente que não deseja se alistar na cruzada de Nossiter contra Rolland e Parker.

Quando se fala de vinho brasileiro, o destaque e a dica é o espumante Cave Geisse Terroir, que sai mais barato que no varejo, por R$ 95. Sugiro provar este orgulho da produção brasileira com o "Palmito Fresco Assado", servido em uma telha de bambu (R$ 23).

Sente-se falta na lista nacional de vinhos servidos em taça e também de rosados e doces. Este espaço é preenchido pelos vinhos estrangeiros, uma lista pequena, bem escolhida, que multiplica a oferta de sabores aos clientes. Para os que querem voar alto há o Pavillon Rouge de Margaux 2002, por R$ 420, preço razoável para este clássico. A dica, no entanto, é o Dolceto d'Alba Moccagatta 2004 (R$ 140), tinto versátil, que poderá acompanhar boa parte dos pratos do cardápio. Um ponto forte da casa são as sobremesas; o gosto brasileiro salta através de preparações com mangas, bananas, goiabas, tapioca, açaí etc. Para acompanhar tudo isso é fundamental uma taça do vinho doce austríaco Riesling Cuvée Auslese 2003, de Kracher (R$ 130 a garrafa).

As taças são adequadas e a adega é climatizada e recheada com cerca de 600 garrafas. O sommelier Manoel Carvalho fez apenas os cursos básicos da ABSRJ, mas demonstra perfil, humildade e detalhismo no serviço. Há que se tomar cuidado apenas com a temperatura, pois a adega da casa mantém os vinhos a cerca de 20oC, ficando difícil provar um espumante gelado no início do serviço. E os tintos chegam na taça a 23oC.

Fica a certeza de que quem for ao Aprazível, além da vista deslumbrante e da boa mesa, encontrará um bom serviço de vinhos.

ADEGA
CARTA DE VINHOS
COPOS
SERVIÇO
ACONSELHAMENTO
VINHO EM TAÇA
TAXA DE ROLHA - R$30,00 (nacionais)
R$80,00 (Champagnes) por garrafa

Rua Aprazível, 62 - Santa Teresa - Rio de Janeiro - Tel.: (21) 2508-9174

Marcelo Copello

Publicado em 26 de Janeiro de 2007 às 09:35


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Artigo publicado nesta revista