Formatos: tendência ou modismo?

O mundo dos charutos é marcado pela tradição, mas tamanhos e marcas desfilam no ritmo da sociedade moderna


Luna Garcia
A tendência no mundo dos charutos são os pequenos formatos de grandes bitolas e marcas profissionais

Em pleno mês da moda, Rio de Janeiro e São Paulo tornam-se passarelas nas quais desfilam personalidades, tendências, estilos e personalidades diferentes. Todo estilista renomado quer mostrar sua criatividade em temas marcantes, ditando a moda da próxima estação com sofisticação e exclusividade.

A analogia de moda no vestuário e charuto é válida no quesito tendência. Quando um apreciador se aproxima de um humidor repleto de charutos das mais diversas marcas e modelos, a pergunta de um bom consultor deve ser: “Alguma marca e formato de sua preferência?”. Na maior parte das vezes, os apaixonados citam grandes marcas e selecionam charutos tradicionais, seja por medo de errar, por mera tradição, ou simples modismo.

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O mundo dos charutos é marcado pelo requinte e pela tradição. Os aficionados por uma marca nunca deixam de ter, em seu humidor particular, o charuto de sua preferência. Mas acompanham de perto as tendências, pois fazem parte de um mundo complexo em sua diversidade de marcas e formatos.

Quando o formato robusto foi criado, pouco antes da década de 1980, ele era renegado pelos aficionados que davam preferência aos formatos maiores e de maior duração, como os churchills, panatelas, doble-coronas, entre outros. Hoje é inegável sua aceitação, devido ao dia-a-dia conturbado e ao horário restrito para a apreciação desse prazer. Na década de 1950 e 1960, os charutos tinham mais tipificadação, mais corsé. Atualmente encontramos charutos com aromas mais suaves e muito mais ligeiros em seu tempo de queima. Isso ocorre porque, entre os apreciadores, há mais consumidores jovens. É uma tendência natural, apontando para a ascensão profissional mais rápida no mundo corporativo.

Um grande conhecedor de charutos chamado Gérard Pére et Fils já apontava estas tendências de formatos menores, com menor tempo de queima, como shorts, petits, três- petits, pequenos figurados. Porém nunca descartou as exclusividades, hoje restritas no mercado. Elas devem ser garimpadas com cuidado, em edições limitadas. É a tendência dos pequenos formatos de grandes bitolas das mais tradicionais marcas, como Montecristo, Romeo y Julieta, Hoyo de Monterrey, Cohiba, Partagás. Mas um conselho: nunca deixe de provar um charuto limitado ou tradicional de grande formato, quando tiver tempo para isso. Ao contrário da moda em roupas, quem faz a tendência de pensamento, tema e ambiente de um charuto é você mesmo.

Paulo Rogério Bueno

Publicado em 11 de Fevereiro de 2008 às 07:24


Charutos

Artigo publicado nesta revista