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Uvas geneticamente modificadas "são armas de destruição em massa", afirma produtor

Alguns especialistas, contudo, apontam que elas podem ser a solução para o combate a doenças e ao aumento da temperatura global


Durante um simpósio de Masters of Wine em Florença, na Itália, cientistas, enólogos e especialistas da indústria do vinho debateram o uso de videiras geneticamente modificadas para combater doenças e a mudança climática. O encontro reuniu 400 participantes, alguns com opiniões fortes como Olivier Humbrecht, proprietário da Domaine Zind Humbrecht, na região francesa de Alsácia.

Segundo ele,  o uso de transgênicos para combater as doenças ou para antecipar a mudança climática seria como usar armas de destruição em massa. “Isso pode resolver um problema, mas também pode criar muitos outros”, afirmou.

Humbrecht afirmou ainda que as videiras geneticamente modificadas levariam ao excesso de confiança em apenas um pequeno número de clones e, assim, causaria danos à biodiversidade. “Quem pode dizer que as uvas transgênicas não podem desencadear em um erro?”, provocou ele. “Essa atuação pode fazer com que as uvas não modificadas se tornem transgênicas por meio da convivência delas com as transgênicas”, completou.

Divulgação

O evento contou com 400 participantes entre enólogos e cientistas

Em contraposição, o cientista Dr. Hans- Reiner Schultz, presidente da Universidade de Geisenheim, e o pesquisador Peter Godden, da Australian Wine Research Institute, deram destaque para a pesquisa realizada em leveduras e porta enxertos das uvas transgênicas, cujos resultados mostraram que, eventualmente, as raízes destas uvas teriam um crescimento mais profundo no solo, e assim, ajudariam as vinhas a combater o aumento das temperaturas atmosféricas.

No encontro, o autor e geneticista suíço José Vouillamoz informou que as videiras geneticamente modificadas podem, sim, resolver alguns problemas na luta contra as possíveis doenças transmitidas por meio das uvas e pelo clima. Vouillamoz ressaltou que pode ser possível que esses problemas diminuam se propriedades como a Domaine de la Romanée-Conti comecem a cultivar as uvas geneticamente modificadas a partir de agora, mas por um período de 100 anos.

Contudo, o assunto assumiu maior relevância durante a reunião quando os participantes começaram a discutir sobre o caso do tribunal de recursos, no leste da França, que revogou as condenações de 54 manifestantes que destruíram um projeto estatal de cultura de vinhas geneticamente modificadas.

Redação
Publicado em 29/05/2014, às 08h01 - Atualizado em 03/12/2014, às 08h04


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