Revista ADEGA

No mundo da carne de taça na mão

Vinho tinto com churrasco é um dos casamentos mais apreciados pelos brasileiros. Confira a avaliação da carta de vinhos da Vento Haragano, com direito a taça de "D´Yquem"

Marcelo Copello em 29 de Agosto de 2007 às 11:21

O vinho arquetípico é o tinto e seu casamento mais garantido é com carne vermelha. Não por acaso, churrascarias, templos da boa carne, são cada vez mais casas de Baco. Um dos ícones paulistanos neste segmento, a Vento Haragano, comprova esta teoria ao lançar há poucos meses, uma magnífica carta de vinhos. Inaugurada em 1993 pelos irmãos gaúchos Jorge Luis e Giovani Laste, esta churrascaria hoje oferece nada menos que 32 variedades de carnes com o autêntico tempero e corte gaúcho.

Para acompanhar essa variedade, uma carta de vinhos foi lançada e rapidamente tornou-se uma atração à parte. Elaborada pelo sommelier da casa, Paulo Rogério Lima Câmara, ela chama a atenção pela apresentação: um belo livro encadernado em couro, com mapas de todas as regiões vinícolas e textos didáticos bastante explicativos. Se não bastar isso para dar sede aos clientes, a lista de 540 vinhos, de 14 países, completará o serviço. Como dica posso começar sugerindo algo pouco ortodoxo, um branco. No buffet, há um haddock defumado que irá se juntar suavemente com um dos melhores brancos da América do Sul, o chileno “Sol de Sol Chardonnay 2003” (R$ 205), difícil de ser encontrado, pois se esgota rapidamente. Depois, para mergulhar nas carnes vermelhas e afins, há um mar de vinho à disposição, já que a oferta é extensa. Uma sugestão é partir para um tinto do Uruguai, o “Amat 2002” (R$ 115), um dos melhores tintos do país. Este Tannat austero ficará firme com qualquer carne e não se tornará enjoativo após a primeira taça. Churrascarias recebem muitos turistas curiosos por vinhos nacionais, um que fica bem na foto e no orçamento é o “Miolo Quinta do Seival Cabernet Sauvignon 2004” (R$ 57). Para quem quiser, a carta é repleta de grandes vinho. É possível escalar os cumes de Baco até alcançar o céu em nomes como o “Petrus 1986”, por R$ 18.100,00, passando por Barolos, Vega Sicilia, Barca Velha e tudo o que há de bom.

A Adega, para armazenar este tesouro, é climatizada e comporta seis mil garrafas, fica no meio do salão e merece uma visita. As taças são ótimas e o aconselhamento de Paulo Rogério Lima Câmara é atencioso e com a segurança de quem elaborou a carta pessoalmente. A oferta de vinhos em taça é boa, com 24 opções, complementada por 19 opções em meia garrafa. Para a sobremesa são 15 opções. Se tudo isso não bastar, o cliente ainda pode levar seu próprio vinho e pagar uma taxa de rolha de R$ 30. Para finalizar, vale reparar em uma curiosidade na carta que chama a atenção e mostra Baco pairando no ar. O maior vinho doce do mundo é oferecido em taça. 100ml do “Château D’ Yquem 1996” saem por R$ 350.


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