Contrariamente ao que aconteceu até hoje, o envelhecimento do vinho pode ser feito colocando-se a madeira no vinho e não somente o vinho na madeira, como é feito desde os tempos dos celtas*
por Redação
![]() |
| A introdução de chips de carvalho no vinho reduz custos e seduz produtores |
Vamos esclarecer, não é uma obrigação, mas será difícil, para os produtores que desejam vender vinho com o típico aroma amadeirado, renunciar a esta possibilidade. Trata-se de diminuir as despesas e o custo do produto e, portanto, o seu preço final. Os alarmes soam de muitos lados pedindo a diminuição dos preços para o aumento das vendas. E este é um dos problemas mais prementes, não somente na parte da vitivinicultura, mas em toda a produção agrícola desde que a globalização se tornou uma realidade.
#R#Na verdade, é muito mais conveniente adicionar ao vinho lascas ou grânulos de madeira (chips) de diferentes origens, tanto vegetal (normalmente carvalho), quanto geográfica, ou melhor, pedoclimática (como várias zonas da França e dos Estados Unidos), em vez de comprar barriques.
Superada a dúvida sobre a eventual presença de compostos cancerígenos (hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, entre os quais, o benzopireno, presente também na fumaça dos cigarros) nas lascas de madeira, como se temia, devido aos tratamentos de tostadura a que elas são submetidas, permanece o cuidado acerca da regularidade de sua produção correta. De fato, numerosas pesquisas comprovam que o teor de benzopireno e outros hidrocarbonetos da mesma classe é, em média, 40 vezes inferior ao limite de tranqüilidade para a saúde humana. Mas escrevemos "em média" porque alguns produtos revelaram um teor destes compostos cancerígenos e oferece segurança. É necessária, portanto, a obrigação de documentação de origem da produção.
Todavia, o produtor não deve pensar que encontrou a panacéia para seus vinhos, já que, como encontramos vinhos cujo odor é excessivamente acentuado pela permanência mais ou menos longa, mas de qualquer maneira incorreta em relação ao pequeno recipiente, tanto mais será difícil dosar a quantidade de madeira no vinho, principalmente devido à elevada superfície de contato, que leva a uma rápida extração dos compostos liberados pela madeira. Diversos e variados são os fatores que interferem na determinação de um equilíbrio entre o que a madeira libera e a composição do vinho. De fato, cada ano muda a maturação do vinho, principalmente em relação aos fatores climáticos e operacionais do viticultor e do técnico da adega, assim como muda a composição das grandes essências arbóreas das quais se obtêm os chips, submetidos a vários graus de tostadura, exatamente como acontece com os pequenos tonéis (barriques e piéces). Portanto é importante avaliar com extrema precisão o tempo de contato com o vinho. Durante a fermentação alcoólica, pode-se considerar adequada uma adição de 2g/l de chips nos vinhos brancos e 4-5 g/l nos vinhos tintos, por um período de, pelo menos, uma semana, com a finalidade de induzir na madeira o característico aroma de caramelo e de baunilha.
#Q#
Apesar de ser verdade que com os chips há uma redução do tempo de envelhecimento, em relação aos tonéis, é também verdade que algumas experiências provariam que os fragmentos de madeira não são suficientes para substituir completamente o tonel, seja no que se refere à magnitude da extração de compostos (fato este que, com o tempo e a experiência específica em relação a um determinado vinho, pode ser adquirido), seja em relação ao aspecto da óxido-redução que influi de maneira mais intensa sobre a qualidade básica do vinho.
Todavia, outras experiências chegam a conclusões diferentes, principalmente se a introdução da madeira no vinho é combinada com a prática da micro-oxigenação.
Em três amostras do mesmo vinho, envelhecidas em condições diferentes - tonel novo de madeira americana, tonel já usado do mesmo tipo, mas com introdução de chips, e contêineres de aço-inox com introdução de chips - a avaliação sensorial degustativa foi praticamente idêntica.
Uma alternativa aos chips de madeira é a instalação de aduelas no interior do tonel de madeira ou nos contêineres de aço-inox. Este cuidado permitiria ampliar a superfície de madeira e reduzir os tempos de envelhecimento de maneira apreciável, embora não tão rapidamente como acontece com os chips, por meio dos quais o equilíbrio é alcançado em poucas horas.
Ainda bem que, por enquanto, não é permitido o uso de pó de madeira para o afinamento e o envelhecimento do vinho
*Tradução do artigo "Novitá enologiche: il legno nel vino" da revista "Il Sommelier" Ano XXIV - n.4/2006, pág. 38. Traduzido por Paola Tedeschi, docente de História da Alimentação e Gastronomia, na Escola de Gastronomia UCS-ICIF de Flores da Cunha (RS) e responsável do Escritório ICIF no Brasil.
+lidas

Espanha está entre países que menos pagam pela uva para vinho

Tapada de Coelheiros adapta vinhedos ao clima do Alentejo

Estudo avalia efeitos de antioxidantes do vinho no organismo

Calor impulsiona produção de vinhos tranquilos em Champagne

Toscana eslovena: Goriška Brda tem viticultura heroica, Rebula milenar e a tradição do vinho laranja