Degustação

O segredo do Quinta da Touriga-Chã

ADEGA revela, com exclusividade, os detalhes da vertical do tinto Quinta da Touriga-Chã, da região do Douro


A história da família de Jorge Chamis Rosas, atual CEO da Ramos Pinto, mistura-se com a própria história do vinho na região do Douro. Seu bisavô, António Ramos Pinto, foi sócio e fundador da centenária Adriano Ramos Pinto e seu pai, José António Castro Ramos Pinto Rosas, é reconhecido como um dos maiores responsáveis pela evolução da viticultura nessa região. Aposentado em 1990, depois de 50 anos de sua vida dedicados à empresa familiar e à vitivinicultura, José Rosas “não conseguiu cair longe das videiras e do vinho por muito tempo”. “Lembro de chegar em casa e encontrar meu pai na sala debruçado sobre mapas e cartas topográcas espalhados pela mesa e pelo chão em busca do lugar que considerava perfeito. Viajamos até encontrar uma propriedade com cerca de 20 hectares no Douro Superior, perto de Vila Nova de Foz de Côa”, conta Jorge.

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Com a Quinta da Touriga, Jorge Rosas dá seguimento ao sonho de seu pai, José António Castro Ramos Pinto Rosas

“Meu pai me levou até lá e me perguntou: ‘Essa é a propriedade que acredito ser a ideal para fazer um grande vinho, só que já estou velho. Ele me deu alguns dias para pensar e decidi que deveríamos comprar aquelas terras”. Naquele período, essa parte do Douro era praticamente inexplorada em termos de vitivinicultura. Lá, ele plantou 8,5 hectares, com cerca de cinco mil plantas por hectare, em solos parte de xisto e parte de granito, através da seleção massal da Quinta de Ervamoira, de 1974. “Meu pai idealizou o vinho inspirado no mítico Barca Velha, buscando um meio termo entre xisto e granito”, diz Jorge. Inovando mais uma vez, José Rosas decidiu preencher a vinha com cerca de 80% Touriga Nacional – por isso o nome Quinta da Touriga –, o que era pouco usual, devido à baixa produtividade dessa casta e também porque, na época, a Touriga ainda não tinha em Portugal o prestígio que tem agora.

Herança

José Rosas faleceu em 1996 e, em 2001, Jorge lançou a primeira safra do Quinta da Touriga-Chã. Dando sequência ao projeto idealizado pelo pai, em 2004 concluiu a construção da vinícola, que, em 2006, recebeu o “Prêmio de Arquitetura do Douro”. Atualmente, a quinta tem 11 hectares de vinhedos, porém Rosas revela que, se tudo der certo, até o nal do ano terão 40, já que está tudo encaminhado para adquirirem a propriedade vizinha.

Contando com o auxílio do enólogo residente José Luís Catarino Silva e do consultor João Brito e Cunha, a Quinta da Touriga elabora dois rótulos, o ícone Touriga-Chã (5 mil garrafas) e o Puro (10 mil garrafas). “Sempre senti a necessidade de fazer alguma coisa em agradecimento a tudo o que meu pai fez para mim”. Pela degustação de seus rótulos, está conseguindo.

VINHOS AVALIADOS

AD 93 pontos

QUINTA DA TOURIGA-CHÃ 2010

Quinta da Touriga, Douro, Portugal (Épice R$ 540). 80% Touriga Nacional e 20% Touriga Franca, com estágio de 14 meses em barricas novas e usadas de carvalho francês. Mostra ameixas e amoras seguidas de notas de ervas, de especiarias e de cogumelos, além de traços florais e de bergamota. No palato, ainda está jovem, tem perfil mais concentrado, mas bem equilibrado por taninos de excelente textura e final mais cheio que profundo, com toques de tabaco, café e de licor de cassis. EM

AD 95 pontos

QUINTA DA TOURIGA-CHÃ 2011

Quinta da Touriga, Douro, Portugal (Épice R$ 540). 88% Touriga Nacional e 12% Touriga Franca, com estágio de 15 meses em carvalho francês. Mostra exuberantes notas de violetas e de especiarias doces, que escoltam os aromas de cassis e amoras. Grande em todos os aspectos, mas equilibrado na mesma medida, tem acidez vibrante, taninos de excelente textura e final cheio e profundo, com toques de grafite e de alcaçuz. EM

AD 95 pontos

QUINTA DA TOURIGA-CHÃ 2012

Quinta da Touriga, Douro, Portugal (Épice). 85% Touriga Nacional e 15% Touriga Franca, com estágio de 15 meses em carvalho francês. Apresenta um estilo menos chamativo e exuberante que o 2011, porém mais delicado e refinado, pelo menos até o momento. Mostrase mais austero, com notas florais, minerais, de especiarias e de ervas (esteva) escoltando as frutas negras de perfil mais fresco. Tem gostosa acidez, taninos muito finos e final persistente e mais afilado, com toques de grafite e de tinta nanquim. EM

AD 94 pontos

QUINTA DA TOURIGA-CHÃ 2013

Quinta da Touriga, Douro, Portugal (Épice). 71% Touriga Nacional e 29% Touriga Franca, com estágio de 15 meses em carvalho francês. Espécie de mistura entre a qualidade de fruta encontrada no 2011, com a tensão e finesse do 2012. Esbanja frutas negras seguidas de notas florais e herbáceos, tudo sustentado por taninos sedosos e refrescante acidez. Tem final longo, com toques minerais e de ervas. EM

AD 93 pontos

QUINTA DA TOURIGA-CHÃ 2014

Quinta da Touriga, Douro, Portugal (Épice). 71% Touriga Nacional e 29% Touriga Franca, com estágio de 15 meses em carvalho francês. Espécie de mistura entre a qualidade de fruta encontrada no 2011, com a tensão e finesse do 2012. Esbanja frutas negras seguidas de notas florais e herbáceos, tudo sustentado por taninos sedosos e refrescante acidez. Tem final longo, com toques minerais e de ervas. EM

AD 94 pontos

QUINTA DA TOURIGA PURO 2011

Quinta da Touriga, Douro, Portugal (Épice R$ 205). 85% Touriga Nacional e 15% Touriga Franca, com estágio de 15 meses em barricas usadas de carvalho francês. Grande surpresa da Quinta da Touriga, mostra um perfil menos senhorial e mais jovial quando comparado ao Touriga-Chã. Impressiona pelos taninos firmes de textura lembrando giz e pela vibrante acidez, aliando com maestria muita fruta e concentração, com tensão e profundidade. Os toques salinos em seu final dão o tempero final, conferindo uma maior sensação de frescor. EM

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Eduardo Milan

Publicado em 13 de Janeiro de 2019 às 13:00


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Artigo publicado nesta revista