Regiões produtoras

Terras do Sado: gregos e fenícios com o jeitinho português


fotos: Carlos Paes, Vikram Parmar e Francisco Ramos
Docas às margens do Rio Sado - Setúbal

Chegaram do Oriente, trazidas por gregos e fenícios, as primeiras castas desta região e a adaptação ao clima ameno das encostas da Arrábida e da zona ribeirinha do Tejo foi imediata. Mas o grande salto se deu com a tecnologia que gregos e árabes trouxeram para a cultura da vinha nesta península.

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O passo seguinte aconteceu após a fundação do reino de Portugal e a atração de outros povos, em particular os Francos, que cultivavam antiqüíssimas tradições vitícolas, o que ajudou a incrementar a produção do vinho nesta região. Grande parte dessa tradição, prevalece até os dias de hoje.

É na região das "Terras do Sado", que abrange os concelhos* de Palmela e Setúbal, que podemos encontrar o incomparável Moscatel de Setúbal. A região se divide claramente em duas zonas distintas.

Uma a sul e sudoeste, montanhosa e acidentada, formada pelas serras da Arrábida, Rosca e São Luis, com menos relevo nas vertentes Norte, e nas serras que abrangem os montes de Palmela, São Francisco e Azeitão. São recortados por vales e colinas, com altitudes que variam dos 100 aos 500 metros.

A outra, bem diferente, é plana, prolongando- se numa grande planície que se estende junto ao rio Sado.

O primeiro foral** da região foi expedido por D. Afonso Henriques, em 1185. Nele fala-se da vinha e do vinho desta península, confirmando a tradição desse lugar fértil, não longe do mar, onde na Quinta do Anjo, encontramos um importante núcleo de sepulturas neolíticas, datada de há cinco mil anos.

A qualidade dos vinhos dessa região predominantemente vitícola, fez com que se delimitassem as duas regiões para a produção de VQPRD "Setúbal", para a produção do vinho generoso, e "Palmela", que também inclui a produção de vinhos frisantes, espumosos, rosados e licorosos.

Na "Península de Setúbal", mais impressionante do que as paisagens da Arrábida e de Palmela que vêm sendo ornamentadas pela vinha desde a chegada de gregos e fenícios, só mesmo o resultado final do produto.


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fotos: Scott/Stock.Xchng
A montanhosa Palmela abrange a produção de vinhos de qualidade frisantes, espumosos, licorosos e rosés.

Para melhor entendimento, Setúbal é o termo coletivo da região delimitada desde 1907, na Península. Nela, estão englobadas as designações tradicionalmente conhecidas como "Moscatel de Setúbal" branco e o tinto. Estes vinhos generosos de qualidade, apenas podem ser englobados no termo "VLQPRD Setúbal" , se forem elaborados com a casta Moscatel Graúdo (Moscatel de Setúbal), para os brancos; e Moscatel Galego Roxo (Moscatel Roxo), para os tintos, sempre num mínimo de 67% destas uvas.

O "VLQPRD Setúbal pertence à categoria dos vinhos generosos, tendo seu teor alcoólico entre 16,5% e 22%, por sofrerem a adição de aguardente vínica. Devem ser envelhecidos por no mínimo 24 meses em madeira. Estão entre os melhores vinhos generosos do país, junto com os VLQPRD's "Porto" , o "Madeira" e o "Pico".

Se você pensa em visitar a Península de Setúbal, escolha o mês de Setembro, pois é nessa época que acontecem as inúmeras Festas das Vindimas, uma excelente oportunidade para se degustar os bons vinhos da região!

Principais castas:
TINTAS:
Para o DOC "Setúbal" a casta Moscatel Galego Roxo (Moscatel Roxo), para os DOC "Palmela" as castas Castelão (Periquita), Alfrocheiro, Bastardo, Cabernet Sauvignon e Trincadeira (Tinta Amarela).

BRANCAS: Para o DOC "Setúbal" a casta Moscatel Graúdo (Moscatel de Setúbal) e para os DOC "Palmela" as castas Arinto (Pedernã), Fernão Pires, Moscatel Galego Branco, Moscatel Graúdo, Moscatel Galego Roxo, Rabo de Ovelha, Síria (Roupeiro), Tamarez e Vital.

Características dos vinhos:
TINTOS:
Os da DOC "Setúbal" têm uma produção limitada e por isso são menos conhecidos do que o vinho branco. Possuem aroma mais seco e complexo, mas não menos rico. Envelhece nobremente.

Já os da DOC "Palmela" são encorpados, de cor intensa e aroma cheio onde predominam frutas secos e as especiarias. Com o envelhecimento, amaciam e tornam-se mais finos.

BRANCOS: O vinho licoroso de "Setúbal" é caracterizado por suas especiais qualidades de aroma e sabor, peculiares, resultantes das castas e das condições climáticas. De cor dourada e aroma floral exótico, com toques de mel, tâmaras e laranja. Os de "Palmela" apresentam um aroma mais frutado, uma vez que são elaborados com a predominância da casta Fernão Pires.

Entidade certificadora: A certificação dos D.O.C. "Setúbal " e "Palmela" é da responsabilidade da Comissão Vitivinicola Regional da Península de Setúbal, assim como a do Vinho Regional "Terras do Sado"

* concelhos - municípios portugueses
** foral - carta de lei que regulamentava a administração de uma localidade

NOME: Casa Ermelinda Freitas (representada pela SAVEN)
ENDEREÇO: Zona Industrial da Mota - Rua 10 Lt E40 - Apartado 51 - 3834-907 Gafanha da Encarnação - Portugal
TEL: +351 234 329 530 FAX: +351 234 329 531
E-MAIL: saven@saven.pt; gvicente@saven. pt; manuel.dias@saven.pt
WEB: www.saven.pt
PRODUTOS: Espumantes, VQPRD e Vinhos Fortificados - Porto
MARCAS: Calheiros Cruz, Quinta de Santa Júlia, Caves do Salgueiral, Mesão Frio, Ermelinda Freitas, Herdade de Ajuda, Quinta das Touquinheiras, Quinta de Lourosa, Companhia das Lezírias, Quinta da Peça, Quinta Margem D´Arada, Cooperativa Moura e Barrancos, Azul Portugaça.

Da redação

Publicado em 19 de Abril de 2006 às 07:52


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Artigo publicado nesta revista

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Revista ADEGA 7 · Maio/2006 · Escolha a sua safra