Um rio, dois nomes, muitos vinhos


O Douro nasce na Espanha. Lá, chama-se Duero. Atravessa diversos quilômetros da Península Ibérica, influenciando a geografia e o clima do lado espanhol e português, e deságua no Atlântico cumprindo seu papel. Perto de suas margens, faz-se alguns dos principais vinhos da Espanha e Portugal, nas regiões demarcadas de Ribera del Duero e Douro. Um rio, ou seria um elo que une lugares distintos, com produções singulares, dando-lhes o toque de suas águas serenas, perenes e resolutas?

Diante da celeuma criada com o pedido de salvaguardas para o vinho nacional, o Douro serve de metáfora. De um lado da fronteira, os produtores brasileiros, de outro, os importadores. "Unindo-os", o vinho. Mas as águas que caminham decisivas para o largo estuário de consumidores parecem querer ficar cada vez mais obstruídas, especialmente quando o governo pode distorcer o mercado com sua ineficiência e falta de compreensão de um setor em que nenhuma vinícola estrangeira tem mais do que 1,5% do mercado de vinhos no Brasil. Diante desse cenário preocupante e desagregador, surge um exemplo concreto de como essas duas forças deveriam se unir em prol do vinho, como você vê em matéria na página 70.

Nesta edição, além das maravilhas do Douro e Duero, trazemos uma degustação especialíssima. Você já teve a oportunidade de provar vinhos de mais de 50 anos? ADEGA degustou exemplares de Bordeaux das safras 1955 e 1962, que comprovaram o grande potencial de envelhecimento dos vinhos da região.

Em seguida, voltamos ao Brasil para falar da safra 2012 no Rio Grande do Sul, que tem tudo para ser considerada uma safra histórica no país. Conversamos com diversos enólogos e todos foram unânimes em apontar as uvas colhidas neste ano como as melhores que já receberam e prometem que teremos grandes vinhos.

Depois, viajamos de volta para a Espanha, aterrissando em Barcelona, que se não é a capital oficial espanhola, certamente é sua capital enogastronômica e cultural. Lá, montamos um roteiro imperdível de atrações para você que gosta de apreciar os principais aspectos culturais de um povo, seja por meio de suas obras de arte, seja por sua culinária.

Por fim, damos mais uma passada na França. Primeiro em Champagne, para contar a história da primeira Cuvée prestige do mundo, a celebradíssima Cristal. Depois, na Borgonha, em uma entrevista com Louis Michel Liger-Belair, que tem o monopólio do exclusivo Grand Cru La Romanée.

Saúde,
Christian Burgos e Arnaldo Grizzo

Da redação

Publicado em 16 de Abril de 2012 às 12:15


Editorial

Artigo publicado nesta revista