Escola do vinho

Vinhas velhas, o que são?

A ADEGA traz quais são as características do parreiral para produzir esse tipo de vinho


 

 

Parreiral de vinhas velhas e seus troncos tradicionalmente grossos e retorcidos

Provavelmente você já viu a expressão "vinhas velhas", em diversos idiomas, estampados em rótulos de vinhos. Porém o que significa?

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Primeiro temos que destacar que não há uma regra que defina a idade para o parreiral se tornar "velho". Consensualmente trata-se que a parreira está “antiga” quando chega aos 25 anos.

Para a produção de bons vinhos, muitos enólogos, no entanto, gostam da idade de 50 anos. Além de ser um número redondo, a parreira já está com todas as características necessárias para a produção de um bom vinho de vinhas velhas.

“Vinhedos antigos têm grandes histórias atreladas a eles. O mais antigo da Califórnia sobreviveu a duas guerras mundiais, à Lei Seca, à Grande Depressão, ao boom do vinho branco, à mania do White Zinfandel, à Grande Recessão, principalmente porque havia famílias dedicadas a cultivar essas vinhas e porque elas produziam grandes vinhos”, conta o produtor David S. Gates Jr.

Mas quais são essas características que tanto se busca em uma vinha velha? A ADEGA lista abaixo as principais:

  • Uvas mais concentradas

Com a idade os parreirais tendem a produzir menos uvas, porém com maiores concentrações fenólicas. Substâncias responsáveis pelos aromas, sabores, cor e textura nos vinhos.

  • As raízes estão mais profundas

Com as raízes buscando água e nutrientes de partes mais profundas do solo, a variação entre as safras é pequena e a vinha fica menos refém do clima.

  • Maturação deixa de ser um grande problema

A maturação da uva, principalmente a fenólica, quando não acontece de uma boa maneira tende a deixar o vinho adstringente e demasiado vegetal. Produtores destacam que em vinhas velhas a maturação plena da uva é mais constantemente atingida.

A verdadeira expressão do terroir?

Equilíbrio e constância parecem ser as chaves para as vinhas velhas e não é à toa que os enólogos procuram vincular a elas a questão do terroir. “Vinhas velhas desenvolvem uma harmonia certa e palpável com seu entorno (terroir), gerando qualidades especiais na fruta que normalmente produzem vinhos excepcionais, de grande qualidade e identidade”, aponta Christian Sotomayor, da vinícola chilena Valdivieso.

Parreiral no Uruguai da casta Tannat sinalizando a data de plantação, 1891

Vivas para sempre?

Não, a maioria dos enólogos aponta como 80 anos a idade máxima para uma vinha. Cecilia Torres da vinícola chilena Santa Rita diz que as parreiras que ela utiliza na produção do ícone Casa Real que possuem 60 anos, “não vão viver até 100 anos. Talvez durem mais 20. Chega um limite em que a produção já não é economicamente possível”.

Sendo assim, com a desculpa do chavão, que seja eterno enquanto dure.

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André De Fraia

Publicado em 25 de Novembro de 2020 às 17:00


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