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Vinho e (muita) areia

Areia do Saara atinge vinhedos na Espanha e em Portugal

Calima é o nome desse vento potente, denso e colorido que sopra da África para a Europa


Areia do Saara atingiu Espanha, Portugal, e chegou até a Inglaterra e aos Alpes Suíços
Areia do Saara atingiu Espanha, Portugal, e chegou até a Inglaterra e aos Alpes Suíços

As imagens correram o mundo na semana passada, de cidades e paisagens que pareciam fotos envelhecidas ou com algum filtro de celular.

Mas não era, era o resultado do vento Calima, um fenômeno climático provocado por correntes de ar quente que passam por cima do deserto do Saara, vindo do sudeste e provocado por uma zona de alta pressão no norte da África. Neste ano, esses ventos seguiram sua viagem até a Espanha, Portugal, e chegaram até a Inglaterra e aos Alpes Suíços.

A empresa Elaisian, com sede na Espanha, é especializada em monitoração de vinhedos e estações meteorológicas e fez um levantamento das possíveis consequências dessa tempestade de areia nas plantações. Elas não são apenas negativas. Os efeitos positivos são uma série de benefícios meio-ambientais, por exemplo: como esses ventos são ricos em minerais e nutrientes, eles melhoram as condições do solo e por sua coloração avermelhada é possível saber que são ricos em ferro e também outros nutrientes como o fósforo, ambos elementos que permitem aumentar a biomassa, especialmente em vinhedos de áreas mais próximas do mar, que têm dificuldade em ter esses componentes.

Um dos lados negativos da tempestade de areia nos vinhedos é o mesmo para os humanos e para as plantas: a dificuldade respiratória que pode ocorrer caso a ventania seja muito forte e duradoura. Os humanos podem se proteger e se abrigar, as plantas não. A cobertura com areia não apenas compromete a respiração das folhas, como impede a fotossíntese, além de aumentar a erosão do solo devido à força dos ventos e da composição da areia, além de poder piorar a qualidade da água que chega aos vinhedos. Lavar as plantas é uma solução possível, porém cara, mas também é possível utilizar tratamentos nas folhas, caso os danos sejam evidentes imediatamente.

Felizmente, na maioria dos casos, após essas tempestades chega a chuva, que resolve a situação naturalmente, empurrando também os nutrientes para o solo, colocando tudo no ciclo natural.

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Silvia Mascella Rosa
Publicado em 21/03/2022, às 09h00 - Atualizado às 10h00


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