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Será que vinho harmoniza com o Macarrão Sobá do Mato Grosso?

Pergunta do leitor Luiz Roberto Costa mostra as dúvidas de harmonização envolvendo pratos "típicos" brasileiros


Prato japonês se popularizou tanto que desde 2006 é patrimônio histórico e cultural de Campo Grande
Prato japonês se popularizou tanto que desde 2006 é patrimônio histórico e cultural de Campo Grande

É curioso que um prato japonês tenha ganhado fama em um estado do centro do Brasil, não? Pois é, o sobá se popularizou tanto que desde 2006 se tornou patrimônio histórico e cultural da capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande. Diz-se que a combinação de macarrão, omelete, carne de porco, cebolinha e um caldo com temperos típicos foi trazida ao estado na década de 1950 por Eiho Tomoyohe. 

Ele teria aprendido a fazer o prato em São Paulo e começou a comercializar em 1950 num bar que abriu em Campo Grande. Tempos depois, o sobá começou a ser distribuído na Feira Central da cidade e caiu no gosto dos habitantes. Hoje, há “sobarias” por toda a capital e há até um festival do sobá todos os anos em agosto. 

Pensando em harmonizações, essa mistura vai pedir algo que tenha frescor suficiente para suportar a intensidade de ingredientes como ovo, carne e o caldo pungente, assim como manter uma certa delicadeza. Dessa forma, bom senso e experimentações certamente nos levam a alguns brancos frescos de grande acidez, tais como os Rieslings (secos). Pode-se apostar ainda em um Sauvignon Blanc, quem sabe chileno ou neozelandês, com frescor e um toque herbáceo que casa bem com a cebolinha picada que geralmente vai finalizando a receita. Experimente ainda Alvarinhos, sejam eles da região dos Vinhos Verdes ou de Rías Baixas, por exemplo. Se quiser algo menos convencional, tente um Furmint ou um Gruner Veltliner. 

Outra boa opção para o sobá certamente são os vinhos rosés. O meio termo entre a delicadeza e acidez com um corpo com um pouco mais de presença do que o dos brancos certamente vai equilibrar muito bem as diversas nuances de sabor e texturas desse prato típico. Tintos provavelmente não serão a melhor escolha, pois talvez não combinem bem com o caldo. Mas, se quiser testar, melhor que seja algo bem leve. 

Covela Edição Nacional Avesso 2017

Covela Edição Nacional Avesso 2017 - AD 91 pontos - Quinta de Covela, Minho, Portugal

Um branco com elegante rusticidade, e justamente aí está sua magia. Tem a estrutura e acidez para fazer frente a pratos que seriam desafiadores
a outros brancos. Com o tempo em taça, ressaltam-se a frutas brancas frescas, toques salinos e até um floral.

De Martino Sauvignon Blanc 2020

De Martino Sauvignon Blanc 2020 - AD 89 pontos - De Martino, Maipo, Chile

Leve, refrescante e saboroso, mostra típicas notas florais e de ervas envolvendo sua fruta cítrica e tropical madura, tudo equilibrado por vibrante acidez e textura cremosa. Tem final com toques de limão siciliano e de maracujá. 

Rèmole Rosé 2019

Rèmole Rosé 2019 - AD 91 pontos - Frescobaldi, Toscana, Itália

Este 100% Sangiovese é fresco e estruturado, mostra frutas cítricas e vermelhas frescas escoltadas por notas florais e de ervas. Tem final saboroso e sedutor, com toques salinos e cítricos, convidando a mais um gole.

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Redação
Publicado em 15/03/2022, às 15h10


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