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    Brasil 2021: o que podemos esperar depois da safra histórica do ano passado?

    Podemos esperar muito. Para enólogos, a safra deste ano é tão boa quanto a de 2020

    por Arnaldo Grizzo

    A safra 2021 repetiu boa parte das condições que tornaram 2020 especial, especialmente na Serra Gaúcha

    “Até prefiro esta safra do que a outra”.

    É o que diz Alejandro Cardoso, enólogo consultor de diversas vinícolas e projetos no sul do Brasil.

    Segundo ele, a safra 2021 foi marcada por uma condição de clima mais frio do que a 2020, chamada “histórica” – cujo ponto alto, além do clima extremamente seco, foi um calor mais intenso. “Esta safra está marcada por um clima mais frio e, com isso, uma relação muito boa entre acidez e PH, com vinhos mais frescos e mais frutados”, completa Cardoso.

    Para ele e outros enólogos, a safra deste ano repetiu boa parte das condições que tornaram 2020 especial, especialmente na Serra Gaúcha. Dados da Embrapa sobre o clima no início do ano já indicavam que o cenário seria bom, tal como no ano anterior. 

    “Começou como uma safra espetacular. Até o início de janeiro, nós tínhamos uma perspectiva muito parecida com 2020. As bases de espumantes vieram com altíssima qualidade”, aponta Edegar Scortegagna, enólogo da Luiz Argenta, em Flores da Cunha.

    Apenas em Janeiro houve alguns períodos de chuva que podem ter prejudicado a colheita de algumas variedades

    Ele diz, contudo, que, em meados de janeiro, houve alguns períodos de chuva que podem ter prejudicado a colheita de algumas variedades, mas sem diminuir a qualidade. “O clima melhorou, parou de chover e as variedades tintas conseguiram ter uma boa maturação produzindo ótimos vinhos”, conclui. Em sua “escala”, ele diz que “a safra 2020 foi excelente e a 2021 foi de boa para ótima”. 

    Situação bastante semelhante relata Miguel Almeida, enólogo do Grupo Miolo, sobre a safra na Campanha Gaúcha. “Tivemos três momentos. Em janeiro, colhemos brancos e bases com boa acidez, graças a um mês de temperaturas amenas, então há vinhos com muita acidez. Fevereiro foi terrível, com chuva acima do normal, que prejudicou um pouco as variedades intermediárias. Mas finalmente março foi muito bom, ótimo para as tintas tardias”, resume o enólogo que se vangloria de, diante de um cenário tão bom, ter feito 90% de suas fermentações com leveduras autóctones. 

    "Os (vinhos) bases para espumantes estão muito bons, em alguns casos com até mais intensidade e frescor do que os da safra histórica do ano passado. Então para as uvas mais precoces, tivemos uma condição muito boa, o que leva a crer que teremos grandes espumantes e vinhos brancos para 2021”, analisa Ricardo Morari, enólogo da vinícola Garibaldi. “Neste ano, pela própria natureza, as uvas para espumantes vieram muito especiais, sem que tivéssemos de antecipar a colheita para o equilíbrio ideal das variedades. Nenhuma variedade de uva ficou devendo no quesito qualidade”, avalia Renê Tonello, viticultor da vinícola Aurora.

    Previsões indicam ainda um crescimento na colheita de uvas em relação a 2020

    “Foi um ano de muita euforia”, diz o enólogo Anderson De Césaro. Segundo ele, os últimos meses de 2020 não foram tão secos quanto os do ano anterior e isso ajudou a videira a entregar uvas de boa qualidade em maior quantidade (lembrando que, apesar de alta qualidade apontada no ano passado, foi uma safra de volumes menores). Ele diz que a sanidade do vinhedo permitiu aguardar o melhor momento de colheita mesmo diante de momentos de chuva e, por isso, ele aponta 2021 melhor do que 2020. 

    Previsões feitas pela União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) indicam que mais de 800 mil toneladas de uvas serão colhidas no Rio Grande do Sul, um aumento em relação a 2020 quando 735 mil toneladas foram registradas pelo IBGE. 

    Em Santa Catarina, onde atua como enólogo da Villaggio Bassetti, Anderson De Césaro aponta também um grande ano, mas com mais dificuldade de trabalho para ajustar os momentos de colheita. “A safra foi boa, mas houveram períodos de instabilidade. Foi um ano em que a uvas precoces foram muito bem, as intermediárias puderam pegar períodos mais úmidos e as tardias estão muito boas”, diz.

    Aguardemos as primeiras amostras que deverão chegar nas prateleiras nos próximos meses.

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