• APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
Assine
Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA
  • APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
  • Da uva ao vinho parte II: os tintos

    Confi ra o processo de elaboração de vinhos tintos, que necessariamente são elaborados com a casca das uvas que lhes conferem sua coloração.

    por Marcelo Copello

    Mateusz Zdanko/Stock.Xchng"O vinho é composto de humor líquido e luz". (Galileu Galilei). O que caracteriza a elaboração dos vinhos tintos é a extração de sua cor. Esta provém unicamente das cascas das uvas tintas, o que possibilita que os vinhos brancos sejam produzidos a partir tanto de uvas brancas quanto de tintas sem as cascas, enquanto os tintos, somente a partir de uvas tintas com as cascas.

    Após serem esmagadas e separadas de seus engaços (caule que prende as uvas ao cacho), as uvas tintas, já em forma de suco ou mosto, recebem adição de leveduras e conservante SO² (anidrido sulfuroso). Logo, inicia-se a fermentação alcoólica, que, para os tintos acontece a temperaturas mais altas do que os brancos, entre 25o e 28oC.
    O processo de contato mais ou menos prolongado do suco com as cascas das uvas, quando ocorre a dissolução de pigmentos e outras substâncias contidas nas cascas, chama-se maceração. Esta pode durar cerca de dois ou três dias para vinhos muito leves, até mais de 30 dias para a obtenção de vinhos com muita cor e corpo. Os pigmentos naturais e componentes de aromas e sabores contidos nas cascas das uvas são extraídos pelo álcool produzido pelas leveduras durante a fermentação e maceração, que pode acontecer em recipientes de madeira, inox ou cimento. Agora a parte líquida, que já pode ser chamada de vinho, será separada da sólida e prensada para extração de vinhos secundários e produção de destilados ou mesmo de vinagre.

    O próximo passo é a redução da acidez do vinho, que em alto grau é indesejada nos tintos. Esse processo chama-se fermentação malo-lática, onde o ácido málico (da maçã) se transforma em ácido lático (do leite), menos agressivo ao paladar que o primeiro. Essa fermentação pode ocorrer naturalmente ou ser provocada pela adição de leveduras.

    Os tintos mais leves, destinados ao consumo enquanto jovens, estarão então prontos para o mercado. Boa parte deles, no entanto, se beneficia de uma fase de maturação antes do engarrafamento. Para tal estágio, recipientes de madeira são ideais, e a mais usada é o carvalho. Durante esse período, que pode durar de poucos meses a alguns anos, o vinho sofre uma micro-oxigenação através dos poros da madeira, o que o torna mais resistente à oxidação. Além disso, o líquido interage com a celulose.

    Há centenas de espécies de carvalho, mas os mais usados são o americano Quercus alba e os europeus Quercus sessiliflora e Quercus robur, provenientes principalmente da França e da Eslovênia. A presença de carvalho americano é mais óbvia, com aromas nítidos de baunilha, enquanto os europeus manifestam-se mais discretamente. Os barris, tostados a fogo, conferem ao vinho aromas de coco queimado, cravo da índia, amêndoas torradas e caramelo, além de baunilha. Essa 'educação' do líquido em madeira diminui a adstringência do vinho, tornando-o mais macio e encoraja a clarificação e estabilização natural do líquido.

    Marcelo CopelloO próximo passo (opcional) é o corte, que consiste em misturar vinhos diferentes para obter um resultado mais equilibrado e complexo. Mistura-se, por exemplo, Merlot e Cabernet Sauvignon para se obter o aveludado do Merlot com a estrutura da Cabernet Sauvignon. Vinhos compostos somente por um tipo de uva são chamados de varietais, os demais são os cortes ou assamblages.

    A bebida é então engarrafada e passa ao estágio de sua vida que chamamos de envelhecimento. É aí que o vinho completa sua educação - faz sua pós-graduação. Muda de cor, perde taninos e acidez, tornando-se mais macio, e adquire aromas de evolução que chamamos de bouquet. A grande diversidade de componentes dos tintos (cerca de 400) e a evolução e interação entre eles ao longo do tempo são os motivos que fazem o envelhecimento tomar importância. Mas nem todo vinho se presta a tal fenômeno. Somente os que têm estrutura (taninos, acidez) evoluem por longos anos em garrafa.

    #Q#

    O processo descrito acima é uma simplificação didática. Existem outras etapas menos importantes e muitas variações como a maceração carbônica, os vinhos botrytizados, os passificados, os fortificados etc. O que evidencia o quão complexo e fascinante é essa maravilhosa bebida

    .

    Gostou? Compartilhe

    Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA

    palavras chave

    Notícias relacionadas

    thumb do video menin e as vinhas de 130 anos

    Vinhas centenárias revelam a alma do Douro

    thumb do vídeo fases da vinificação

    Da uva à garrafa: conheça as fases da vinificação

    Os diferentes aromas do vinho podem ajudar a decifrar se um vinho passou por carvalho ou não

    Como saber se um vinho passou por madeira?

    thumb do vídeo a podridão nobre

    Sauternes e Tokaji: como a podridão cria grandes vinhos doces

    Nenhum dos aromas recorrentes é adicionado ao vinho, tudo é uva, vinificação e envelhecimento

    Por que o vinho não tem cheiro de uva? Entenda os aromas da bebida

    Imagem Como harmonizar vinhos com pizza?

    Como harmonizar vinhos com pizza?

    Capa do vídeo Como escolher um vinho no restaurante sem errar

    Como escolher um vinho no restaurante sem errar

    São diversos tamanhos de garrafa de vinho

    Por que a garrafa de vinho padrão tem exatos 750 ml?

    São tantos estilos de Vinho do Porto que o enófilo pode ficar confuso nas compras

    Qual a diferença entre o Porto Colheita e o Porto Vintage?

    Imagem Vinho fechado ou defeituoso? Entenda a diferença

    Vinho fechado ou defeituoso? Entenda a diferença

    Cabernet sem fronteiras

    Escolha sua assinatura

    Impressa
    1 ano

    Impressa
    2 anos

    Digital
    1 ano

    Digital
    2 anos

    +lidas

    Catalunha reduz teor alcoólico mínimo de vinhos em 2026
    1

    Catalunha reduz teor alcoólico mínimo de vinhos em 2026

    Itália avalia financiar retirada de vinhedos
    2

    Itália avalia financiar retirada de vinhedos

    Douro vai além do vinho do Porto com grandes tintos
    3

    Douro vai além do vinho do Porto com grandes tintos

    Argentina propõe mudanças amplas na Lei Geral de Vinhos
    4

    Argentina propõe mudanças amplas na Lei Geral de Vinhos

    Galícia pode ter vindima recorde em 2026
    5

    Galícia pode ter vindima recorde em 2026

    Revista ADEGA
    Revista TÊNIS
    AERO Magazine
    Melhor Vinho

    Inner Editora Ltda. 2003 - 2022 | Fale Conosco | Tel: (11) 3876-8200

    Inner Group