De Bagé para Baco

O consagrado escritor Luís Fernando Veríssimo revela sua preferência pelos vinhos franceses, principalmente os de Bordeaux


arquivo pessoal
O escritor, em Paris: "os vinhos franceses ainda são os melhores"

O vinho sempre teve uma ligação muito estreita com a literatura. No período da mitologia grega, a bebida foi representada por Baco. Os grandes filósofos do período, como Sócrates, Platão e Aristóteles, ressaltavam suas qualidades e virtudes. As grandes festas realizadas no Império Romano eram regadas a vinho.

Resistiu a milênios e séculos, e ainda hoje é uma das bebidas preferidas de escritores e intelectuais. Grandes mestres da literatura como Charles Baudelaire, Victor Hugo, James Joyce, Ernest Hemingway, Fernando Pessoa e Mário Quintana, apreciavam a bebida e exaltavam o prazer de degustar uma bela taça de vinho.

No Brasil, um grande apreciador da bebida de Baco é o escritor Luís Fernando Veríssimo. Autor de livros consagrados da literatura brasileira, como O Analista de Bagé, Comédias da Vida Privada e As Mentiras que os Homens Contam, Veríssimo tem uma ampla obra que se divide entre romances, contos, crônicas, poesia e quadrinhos. Em sua vasta obra, há um espaço dedicado à gastronomia, como A Mesa Voadora, que reúne diversas crônicas sobre comida e o universo que a envolve, e Gula - o clube dos anjos, sobre um dos sete pecados capitais.

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Filho do consagrado escritor Érico Veríssimo, Luís Fernando conta que o seu interesse pelo universo da gastronomia vem da infância, quando tinha curiosidade em buscar novos sabores. "Desde garoto, sempre gostei de misturar coisas doces com salgadas, e meus gostos foram evoluindo com o tempo", diz o escritor.

Seu interesse pelo vinho é mais recente. "Quando eu era mais jovem, tinha preferência por outro tipo de bebida. O interesse pelo vinho veio depois, quando comecei a degustar os primeiros. Além disso, nesse período eu também já tinha condições de comprar bons vinhos". Além da gastronomia, a França também tem sua preferência quando o assunto é a bebida. "Os franceses ainda são os melhores, gosto principalmente dos vinhos da região de Bordeaux". O escritor não ressalta nenhuma safra em especial. Para ele, os melhores vinhos são os dessas regiões e ponto final.

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Além do vinho, o escritor também curte uma caipirinha

Em sua casa, em Porto Alegre, o escritor tem uma adega com aproximadamente 100 garrafas. Segundo ele, não há nenhum rótulo especial ou raro. A maioria de rótulos franceses divide espaço com algumas garrafas da Itália, de Portugal e alguns do Rio Grande do Sul, sua terra natal. "Tenho guardado um "Château Cheval Blanc" há sete anos e ainda não tive a ocasião certa para abrilo", revela o escritor.

Apesar de viajar bastante para o exterior, ele não tem costume de pesquisar sobre vinho ou comprar garrafas. Prefere adquirir tudo através das importadoras. Veríssimo também não tem uma lista dos melhores vinhos degustados e poderia ser classificado como um connaisseur ocasional. "Eu não bebo muito, gosto de outras bebidas também, como cerveja e uma caipirinha de vez em quando, mas o vinho é e continuará sendo a minha bebida preferida". Assim como todo escritor, a bebida de Baco é representativa para Luís Fernando Veríssimo, tanto pelo ato de degustar como pelo viés romântico e poético que o vinho tem em sua história.

Fernando Roveri

Publicado em 14 de Dezembro de 2006 às 08:30


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Artigo publicado nesta revista