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    Descubra os vinhos tintos espanhóis que combinam com seu estilo e bolso

    Expansão e diversidade definem o cenário atual dos vinhos tintos espanhóis

    por Euclides Penedo Borges

    priorato
    A Espanha oferece opções para todos os perfis de consumidores de vinho

    Ao procurar por um tinto robusto de estilo moderno ou tintos tradicionais elegantes, você há de achar um vinho espanhol que lhe sirva. Até mesmo se o que você procura for um vinho mais modesto, de ótima relação qualidade-preço.

    Os produtores espanhóis contam com uma enorme gama de variedades de uva e com terrenos, solos e climas de todos os tipos. E se a tradição enológica de qualidade na Espanha não é tão antiga assim, com exceção do Jerez, a moderna indústria conta com vinícolas atualizadas, dinâmicas e ecléticas, propiciando condições para que você coloque a garrafa correta em sua mesa, de acordo com o seu bolso.

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    Novas regiões

    A paisagem vinícola espanhola continua a evoluir de tal forma que é difícil permanecer atualizado. Novos rótulos aparecem continuamente com a afluência de novos produtores e o surgimento de novas regiões. Por exemplo, Rias Baixas e Bierzo, na Galícia; Toro, Rueda e Cigales, próximas de Valladolid; Jumilla, na costa mediterrânea; Somontano e Costers del Segre, nos Pirineus; Terra Alta e Pla de Bages, na Catalunha.

    São nomes pouco conhecidos fora das fronteiras e, no entanto, exibem ótimos vinhos em sua faixa de preço. Podemos encontrá-los no Brasil, sem dificuldades. Estão nos catálogos das importadoras. Para quem gosta de uma gostosa novidade, vale a pena dar uma volta.

    scala dei
    Monge sentado sobre as ruínas do Mosteiro Scala Dei, origem do Priorato

    Tripé de qualidade

    De qualquer forma, o tripé de qualidade superior dos tintos espanhóis continua a ser formado por Rioja, Ribera del Duero e Priorato. A Tempranillo prepondera nas duas primeiras, às vezes com outros nomes; a Garnacha impera na terceira. Desse modo, a tipicidade regional é mantida.

    LEIA TAMBÉM: Espanha combate mudanças climáticas

    Uma invasão de novos investimentos nessas três regiões, o progresso nos cuidados no cultivo e na elaboração e safras caprichosas causaram uma mudança importante nessa hierarquia. Enquanto a Rioja comandou até 1980 e Ribera emergiu nos anos 1990, o Priorato, essa pequena região lendária próxima à Barcelona, parece ter passado à frente nesse início de novo milênio.

    E novos tintos emocionantes emergem também da região em torno do Priorato, na costa do mediterrâneo, como Tarragona, Falset e Montsant.

    Lenda e história

    Lendária, por quê? Vejamos. Conta-se que, no século XII, alguns monges da Ordem Religiosa da Cartuxa (que deu nome a um vinho português e ao licor francês Chartreuse) procuravam um lugar na Catalunha para construir um novo convento. Foram informados, por um pastor, da existência de um local em que os anjos subiam por uma escada até os céus.

    LEIA TAMBÉM: O que faz com que a região de Toro se destaque na Espanha?

    Entendendo tratar-se de uma mensagem divina, edificaram ali o mosteiro com o nome de Scala Dei (a escada de Deus), plantaram vinhas e elaboraram vinhos. Com o passar do tempo, conforme o costume da época, formou-se uma aldeia em torno do mosteiro, com o mesmo nome, que existe até hoje.

    Trata-se da pequena cidade catalã de Scala Dei, que você deve visitar quando for a Barcelona. Os priores desse convento tornaram-se tão poderosos, por causa da venda de seus vinhos e de privilégios e doações concedidas pelos reis de Aragão, que a região em torno do convento passou a chamar-se Priorato.

    Recuperação

    Em 1835, setecentos anos após sua construção, o Scala Dei foi saqueado e incendiado, não restando nada além de ruínas.

    LEIA TAMBÉM: Douro/Duero e os vinhos de Espanha e Portugal

    Nessa época, entretanto, a fama dos vinhos do Priorato já tinha atravessado fronteiras, permanecendo assim por várias décadas até passar por um período de decadência na primeira metade do século passado e sofrer fortes perdas durante a guerra civil.

    A recuperação teve início em meados dos anos 1970 e foi acentuando-se daí por diante, principalmente nos anos 1990, até chegar ao esplendor dos dias de hoje.

    Contribuíram para isso enólogos recém-chegados, tais como René Barbier (vinhos Clos Mogador), Albert Noya (vinhos Mas Igneus) e Álvaro Palácios (vinhos Finca Dofi). Mas o componente histórico permanece no nome de algumas de suas vinícolas, como Cellers de la Cartoixa (adegas da Cartuxa) e La Conreria de Scala Dei.

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