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Como beber bons vinhos franceses sem gastar muito

Apostar em regiões menos visadas e outros segredos para não pagar o preço de um Romanée-Conti


Na lista dos 10 vinhos mais caros do mundo organizada pelo site Wine Searcher (que compila informação de compra e venda do planeta todo), oito dos 10 primeiros rótulos são franceses – na verdade, são borgonheses. Tamanha é a qualidade e a fama dos vinhos feitos na França, especialmente em três de suas principais regiões vitivinícolas como Bordeaux, Borgonha e Rhône, que eles sempre dominam as listas do mais caros e, também por isso, criam, em muitos enófilos, a sensação de que, para beber bons vinhos franceses, é preciso gastar muito. Se você sonha em um dia desfrutar de um Romanée-Conti, sim, é preciso “fazer uma poupança”. Rótulos de vinhedos Grand Cru da Borgonha, assim como de châteaux considerados Premier Grand Cru de Bordeaux nunca são baratos. Mas nem é preciso mirar tão alto, vinhos de denominações de origem consagradas tendem a ter um patamar de preços mais elevado devido, entre outras coisas, a regras de produção e qualidade pré-determinadas. No entanto, mesmo que seu orçamento não seja suficiente para essa faixa de vinhos, você não deve simplesmente abandonar os franceses, pois há muitas coisas boas e não necessariamente a preços exorbitantes. ADEGA reuniu algumas dicas para que você possa beber franceses sem precisar gastar fortunas.

AJUSTE DE EXPECTATIVAS

Como já citado, em muitos casos, as regras das denominações de origem na França podem fazer com que vinhos de determinadas regiões tenham um patamar de preço bastante alto. Ou seja, não adianta sonhar com um excelente Bordeaux ou Borgonha por menos de R$ 50 no Brasil. Aliás, com as taxas de importação e o câmbio atual, é extremamente difícil encontrar qualquer rótulo francês recomendável por aqui com esses valores. Nessa faixa de preço, vale muito mais a pena investir em rótulos brasileiros e sul-americanos, por exemplo, e talvez alguns da península ibérica. Na conjuntura econômica atual, bons Bordeaux e Borgonha não serão encontrados por menos de R$ 100, com raríssimas exceções.

PRODUTOR ANTES DA REGIÃO

Se você não quer gastar muito, mas não quer abrir mão de provar vinhos das principais regiões vitivinícolas francesas, como Bordeaux, Borgonha e Rhône, por exemplo, uma dica é não se apegar tanto ao nome das denominações, mas ao do produtor. Geralmente, um bom produtor costuma produzir diversas linhas de vinhos e, entre elas, há algumas mais acessíveis. Um exemplo, é o Château Mouton Rothschild, que produz alguns dos rótulos mais caros de Bordeaux, mas também tem outros de ótima qualidade e bem mais baratos como consistente Mouton Cadet. O mesmo serve para a Borgonha, onde alguns Domaines renomados, além de produzirem em vinhedos super valorizados, também costumam criar rótulos mais básicos e acessíveis, mantendo, obviamente, a qualidade. Já no Rhône, um bom exemplo é a família Perrin. Ao mesmo tempo que produz um Châteauneuf-du-Pape de preço elevado, também produz uma excelente linha acessível como La Vielle Ferme.

REGIÕES CLÁSSICAS, MAS MENOS VALORIZADAS

Ainda com foco em Bordeaux e Borgonha, uma outra dica para encontrar bons rótulos não tão caros é apostar em denominações menos conhecidas e inflacionadas. No caso da Borgonha, por exemplo, pode-se optar por Macôn, Bouzeron, Irancy, Rully etc. Além de denominações genéricas mais amplas, mas, nesse caso, como dito anteriormente, é recomendável se atentar ao produtor. Em Bordeaux, denominações dentro das regiões de Blaye e Bourg ou Entre-deux-Mers também costumam ter bons vinhos com preços mais acessíveis do que seus pares do Médoc, por exemplo. Aqui, é preciso garimpar com certo cuidado, mas você encontrará produtores menores que fazem vinhos de qualidade com preços acessíveis. Voltando a falar da Borgonha, uma região que deve ser levada em conta quando se procura por vinhos mais acessíveis é Beaujolais. Não estamos tratando aqui de Beaujolais Nouveau, mas dos vinhos de denominações dentro de Beaujolais onde cada vez mais os produtores têm se esmerado para criar exemplares de ótima relação entre qualidade e preço.

SAFRAS MENOS CULTUADAS

Outro ponto a ser observado quando se busca algo de bom valor em regiões clássicas como Bordeaux e Borgonha é a safra. Às vezes (nem sempre), safras menos cultuadas podem fazer com que os preços de alguns vinhos não sejam tão altos e seja possível adquirir algumas garrafas. Novamente, vale a pena ficar de olho no produtor, lembrando que, bons produtores costumam fazer bons vinhos mesmo em safras ruins.

Não se apegue tanto ao nome das denominações, mas ao do produtor

REGIÕES MENOS VISADAS

Mesmo com a maioria dos seus vinhos mais famosos e caros vindo de Bordeaux e da Borgonha, a França não se resume a essas duas regiões. É preciso ressaltar que há grandes vinhos sendo feitos em locais como a Alsácia e o Loire, vários com preços mais acessíveis que os borgonheses e bordaleses. Sem falar em regiões bem menos visadas que estão cada vez mais produzindo rótulos de qualidade, mas menos inflacionados, como Savoie e denominações do sul da França, especialmente dentro do Languedoc-Roussillon. Diversos produtores famosos do Rhône, por exemplo, têm vinhedos nessas regiões, onde produzem linhas muito acessíveis, como o renomado Michel Chapoutier.

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Arnaldo Grizzo e Eduardo Milan

Publicado em 26 de Novembro de 2018 às 18:00


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Artigo publicado nesta revista

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Revista ADEGA 156 · Outubro/2018 · CROFT 430 ANOS

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