Revista ADEGA

Lista

Como beber bons vinhos franceses sem gastar muito

Apostar em regiões menos visadas e outros segredos para não pagar o preço de um Romanée-Conti

Arnaldo Grizzo e Eduardo Milan em 26 de Novembro de 2018 às 18:00

Na lista dos 10 vinhos mais caros do mundo organizada pelo site Wine Searcher (que compila informação de compra e venda do planeta todo), oito dos 10 primeiros rótulos são franceses – na verdade, são borgonheses. Tamanha é a qualidade e a fama dos vinhos feitos na França, especialmente em três de suas principais regiões vitivinícolas como Bordeaux, Borgonha e Rhône, que eles sempre dominam as listas do mais caros e, também por isso, criam, em muitos enófilos, a sensação de que, para beber bons vinhos franceses, é preciso gastar muito. Se você sonha em um dia desfrutar de um Romanée-Conti, sim, é preciso “fazer uma poupança”. Rótulos de vinhedos Grand Cru da Borgonha, assim como de châteaux considerados Premier Grand Cru de Bordeaux nunca são baratos. Mas nem é preciso mirar tão alto, vinhos de denominações de origem consagradas tendem a ter um patamar de preços mais elevado devido, entre outras coisas, a regras de produção e qualidade pré-determinadas. No entanto, mesmo que seu orçamento não seja suficiente para essa faixa de vinhos, você não deve simplesmente abandonar os franceses, pois há muitas coisas boas e não necessariamente a preços exorbitantes. ADEGA reuniu algumas dicas para que você possa beber franceses sem precisar gastar fortunas.

AJUSTE DE EXPECTATIVAS

Como já citado, em muitos casos, as regras das denominações de origem na França podem fazer com que vinhos de determinadas regiões tenham um patamar de preço bastante alto. Ou seja, não adianta sonhar com um excelente Bordeaux ou Borgonha por menos de R$ 50 no Brasil. Aliás, com as taxas de importação e o câmbio atual, é extremamente difícil encontrar qualquer rótulo francês recomendável por aqui com esses valores. Nessa faixa de preço, vale muito mais a pena investir em rótulos brasileiros e sul-americanos, por exemplo, e talvez alguns da península ibérica. Na conjuntura econômica atual, bons Bordeaux e Borgonha não serão encontrados por menos de R$ 100, com raríssimas exceções.

PRODUTOR ANTES DA REGIÃO

Se você não quer gastar muito, mas não quer abrir mão de provar vinhos das principais regiões vitivinícolas francesas, como Bordeaux, Borgonha e Rhône, por exemplo, uma dica é não se apegar tanto ao nome das denominações, mas ao do produtor. Geralmente, um bom produtor costuma produzir diversas linhas de vinhos e, entre elas, há algumas mais acessíveis. Um exemplo, é o Château Mouton Rothschild, que produz alguns dos rótulos mais caros de Bordeaux, mas também tem outros de ótima qualidade e bem mais baratos como consistente Mouton Cadet. O mesmo serve para a Borgonha, onde alguns Domaines renomados, além de produzirem em vinhedos super valorizados, também costumam criar rótulos mais básicos e acessíveis, mantendo, obviamente, a qualidade. Já no Rhône, um bom exemplo é a família Perrin. Ao mesmo tempo que produz um Châteauneuf-du-Pape de preço elevado, também produz uma excelente linha acessível como La Vielle Ferme.

REGIÕES CLÁSSICAS, MAS MENOS VALORIZADAS

Ainda com foco em Bordeaux e Borgonha, uma outra dica para encontrar bons rótulos não tão caros é apostar em denominações menos conhecidas e inflacionadas. No caso da Borgonha, por exemplo, pode-se optar por Macôn, Bouzeron, Irancy, Rully etc. Além de denominações genéricas mais amplas, mas, nesse caso, como dito anteriormente, é recomendável se atentar ao produtor. Em Bordeaux, denominações dentro das regiões de Blaye e Bourg ou Entre-deux-Mers também costumam ter bons vinhos com preços mais acessíveis do que seus pares do Médoc, por exemplo. Aqui, é preciso garimpar com certo cuidado, mas você encontrará produtores menores que fazem vinhos de qualidade com preços acessíveis. Voltando a falar da Borgonha, uma região que deve ser levada em conta quando se procura por vinhos mais acessíveis é Beaujolais. Não estamos tratando aqui de Beaujolais Nouveau, mas dos vinhos de denominações dentro de Beaujolais onde cada vez mais os produtores têm se esmerado para criar exemplares de ótima relação entre qualidade e preço.

SAFRAS MENOS CULTUADAS

Outro ponto a ser observado quando se busca algo de bom valor em regiões clássicas como Bordeaux e Borgonha é a safra. Às vezes (nem sempre), safras menos cultuadas podem fazer com que os preços de alguns vinhos não sejam tão altos e seja possível adquirir algumas garrafas. Novamente, vale a pena ficar de olho no produtor, lembrando que, bons produtores costumam fazer bons vinhos mesmo em safras ruins.

Não se apegue tanto ao nome das denominações, mas ao do produtor

REGIÕES MENOS VISADAS

Mesmo com a maioria dos seus vinhos mais famosos e caros vindo de Bordeaux e da Borgonha, a França não se resume a essas duas regiões. É preciso ressaltar que há grandes vinhos sendo feitos em locais como a Alsácia e o Loire, vários com preços mais acessíveis que os borgonheses e bordaleses. Sem falar em regiões bem menos visadas que estão cada vez mais produzindo rótulos de qualidade, mas menos inflacionados, como Savoie e denominações do sul da França, especialmente dentro do Languedoc-Roussillon. Diversos produtores famosos do Rhône, por exemplo, têm vinhedos nessas regiões, onde produzem linhas muito acessíveis, como o renomado Michel Chapoutier.

Vinhos avaliados

ADEGA fez uma seleção de vinhos abaixo de R$ 100 para que você possa desfrutar de bons rótulos da França sem gastar muito.

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AD 89 pontos

C’EST LA VIE! PINOT NOIR SYRAH 2016

Albert Bichot, Languedoc-Roussillon, França (Winebrands R$ 76). Projeto no sul da França com a assinatura do enólogo da Maison Albert Bichot, Alain Serveau. Tinto composto de Pinot Noir e Syrah, sem passagem por madeira. Direto, frutado e gostoso de beber, mostra notas florais, de ervas e de especiarias escoltando as frutas vermelhas e negras de perfil mais fresco. Tem ótima acidez, taninos macios e final médio/longo, com toques de cerejas, que convidam a uma segunda taça. Álcool 13%. EM

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AD 90 pontos

DOMAINE GALAMAN ROUGE 2013

La Negly, Languedoc-Roussillon, França (Grand Cru R$ 95). Tinto composto de uvas Grenache, Carignan e Syrah, cultivadas em Fitou, com estágio de seis meses em barris de carvalho. Mostra profusão de frutas vermelhas e negras maduras acompanhadas de notas especiadas, florais e minerais. No palato, é cativante e de média estrutura, tem taninos de boa textura e acidez na medida, que trazem equilíbrio ao seu lado frutado. Tem final agradável, com toques de ameixas e de chocolate amargo. Álcool 14%. EM

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AD 89 pontos

ENTRECÔTE MERLOT CABERNET SYRAH 2016

Gourmet Père & Fils, Languedoc-Roussillon, França (La Pastina R$ 88). Corte de Merlot, Cabernet Sauvignon e Syrah, elaborado com uvas do sul da França. No nariz, as notas de cereja, amora e cassis se misturam com um toque de cravo e de chocolate. Na boca, tem corpo médio, taninos firmes e o sabor de chocolate dominando o paladar. Parece um vinho bem pensado, com técnicas de enologia bem planejadas. Boa persistência e equilíbrio. Álcool 13,5%.BD

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AD 90 pontos

JOSEPH VALLET SPLENDID BLANC DE BLANCS BRUT

Pierre Labet, Provence, França (Decanter R$ 98). Espumante brut elaborado pelo método Charmat longo (três meses) composto de Ugni Blanc, Chardonnay e Clairette. Chama atenção pela acidez, que envolve os aromas de frutas brancas e cítricas acompanhadas de toques florais, minerais, de ervas e de mel. Tem gostosa cremosidade, perlage fino, bom volume de boca e final agradável e refrescante, com toques salinos e de limão siciliano. Álcool 12%. EM

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AD 88 pontos

KING RABBIT BLANC 2016

King Rabbit, Languedoc-Roussillon, França (La Pastina R$ 65). Um blend das castas Ugni Blanc e Colombard sem passagem por madeira, que trazem frescor e notas florais nos aromas e bastante fruta branca e de caroço na boca, que persistem por algum tempo. Seu rótulo alegre combina com o conteúdo despretensioso e muito fácil de beber e de agradar. Ótima opção para um brunch em um dia quente. Álcool 11,5%. CM

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AD 90 pontos

KING RABBIT ROSÉ 2016

King Rabbit, Languedoc-Roussillon, França (La Pastina R$ 65). Típico “rosé de piscina”, com aromas florais e de frutas vermelhas. É meio seco, vale dizer que deixa leve dulçor na boca, sem ser enjoativo, pois a boa acidez compensa a doçura. Com nível alcoólico baixo, corpo médio e fechamento por tampa de rosca, fica ainda mais fácil de beber e de gostar. Pode acompanhar o tradicional “coquetel de camarão” (com molho golf), mas também encarar o ardor do wasabi nos sushis. Álcool 11,5%. GV

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AD 90 pontos

LA VIEILLE FERME ROUGE 2013

Perrin & Fills, Rhône, França (World Wine R$ 89). Tinto elaborado a partir de Carignan, Cinsault, Grenache e Syrah, com breve passagem de 15% do vinho por foudre de carvalho. Num estilo jovial, agradável e gostoso de beber, mostra aromas de cerejas e cassis torneados por notas florais, especiadas, minerais e de ervas. Cheio de fruta e frescor, tem boa acidez, taninos macios e final persistente e agradável, confirmando o nariz. Versátil, pode acompanhar desde carnes vermelhas grelhadas até massas em geral. Álcool 13%. EM

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AD 89 pontos
LES FLEURINES ROUGE 2016
Select Vins, Vin de Pays d’OC, França (Grand Cru R$ 65). Tinto elaborado exclusivamente a partir de Syrah, sem passagem por madeira. Despretensioso e fácil de beber, tem ótimos taninos, gostosa acidez e final médio/longo, tudo envolto por notas de cerejas e framboesas acompanhadas de toques florais, de especiarias, de café e de chocolate. Álcool 13,5%. EM

AD 89 pontos

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LES JAMELLES GRENACHE 2015

Les Jamelles, Languedoc-Roussillon, França (Winebrands R$ 75). Tinto elaborado exclusivamente a partir de Grenache, com estágio de 25% do vinho durante nove meses em barricas novas e usadas de carvalho francês. Puro suco de cerejas e groselhas, acompanhado de notas florais e de ervas frescas, tudo em meio a taninos de ótima textura, gostosa acidez e boa persistência. Fácil de gostar e de entender, parece ser menos complexo do que realmente é. Álcool 13%. EM

AD 89 pontos

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PAUL LOUIS BLACK LABEL BRUT

Paul Louis, Loire, França (Cantu R$ 95). Espumante branco brut elaborado exclusivamente a partir de Chardonnay pelo método tradicional de segunda fermentação em garrafa. Refrescante e de boa cremosidade, mostra frutas brancas e de caroço acompanhadas de notas florais, tostadas, de especiarias doces e de fermento. Fácil de entender e de agradar, tem ótima acidez e final médio/longo, com toques salinos e cítricos. Álcool 12%. EM

AD 90 pontos

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PLAISIR D’EULALIE 2014

Château Saint Eulalie, Minervois, França (Club du Taste-vin R$ 87). Tinto composto de 40% Carignan, 30% Grenache e 30% Syrah, sem passagem por madeira, mas com 18 meses de estágio em cubas. Suculento e gostoso de beber, esbanja ameixas e amoras acompanhadas de notas florais, minerais, de ervas e de especiarias, que se confirmam na boca. Direto, sem arestas e equilibrado, tem refrescante acidez, taninos de ótima textura e final persistente e cativante, pedindo uma segunda taça. Álcool 13,5%. EM

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AD 88 pontos

PREMIER RENDEZ-VOUS CABERNET MERLOT 2016

LGI Wines, Languedoc-Roussillon, França (World Wine R$ 72). Tinto composto de Cabernet Sauvignon e Merlot em partes iguais, sem passagem por madeira. Gostoso em sua simplicidade, mostra frutas vermelhas e negras de perfil mais maduro, acompanhadas de notas florais, de ervas e de especiarias, que se confirmam no palato. De médio corpo, tem acidez refrescante e taninos de boa textura, que trazem equilíbrio ao se lado mais adocicado. Versátil, pode acompanhar desde pizzas até uma tábua de frios. Álcool 13,5%. EM

AD 88 pontos

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PUNTO MÁXIMO MERLOT 2015

Vignobles Bellot, Bordeaux, França (Obra Prima R$ 75). De cor rubi escuro, esse vinho 100% Merlot provém da margem direita do estuário da Gironde, onde a casta é majoritária. Fruta tipo ameixa escura, leve herbáceo e um toque tostado proveniente da madeira moldam o perfil aromático. Na boca, mostra boa acidez, bastante fruta e corpo médio. Embora não chegue a ser macio em boca, característica de muitos Merlot, os taninos não incomodam e o álcool está equilibrado. Poderá fazer boa parceria, como componente do molho e depois na mesa, com um coq au vin, ainda que seja um prato da Borgonha. Álcool 13%. GV


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Artigo publicado nesta revista


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