Vinícola tem 247 anos de história e vinhedos pré-filoxéricos de casta dada como extinta desde o século 18

por Silvia Mascella Rosa
O nome e símbolo da vinícola, localizada numa das ilhas do arquipélago das Canárias, é El Grifo (O Grifo). Um animal mitológico, com corpo de leão e a cabeça e asas de águia, que representa as virtudes da sabedoria e da força e seria capaz de botar ovos de ouro. Esse nome e símbolo parecem dizer muito dos vinhedos plantados sobre rocha vulcânica e constantemente batidos pelo vento do oceano da costa da África.
É preciso ter sabedoria e força para cultivar uvas e fazer vinhos no meio do oceano, ao lado de um vulcão ativo.
A Bodega El Grifo, em Lanzarote (a ilha mais ao norte do arquipélago) conta a história de 247 anos de cultivo de uvas nessa zona tão particular do mundo, e possui vinhedos pré-filoxera graças às condições extremas de onde estão localizados. Além do mais, possuem uma variedade de uva, a Malvasía Volcânica, que não existe nem mesmo nas outras ilhas e é, segundo estudos de ampelógrafos, a variedade com a qual eram feitos os antigos vinhos das Canárias, que ficaram tão famosos na Europa em meados do século 16 até o 17.
Esses vinhos desapareceram e sua produção só foi retomada após as grandes erupções vulcânicas do século 18. Atualmente a vinícola faz os vinhos brancos tranquilos com essa variedade nos estilos seco, meio seco e doce, e também um espumante Nature.

Por conta de sua localização, na costa da África ao lado do Marrocos, muita gente esquece que esse é um território espanhol e está localizado no hemisfério norte, onde a colheita das uvas costuma acontecer entre os meses de julho, agosto e setembro, com pequenas variações. Mas nada nessas ilhas é igual ao continente e a equipe da El Grifo decidiu, no ano passado, separar uma parcela de vinhedos para um estudo especial, é o Projeto Finca Playa Quemada, que manejou as uvas para que a colheita ocorra agora, no final do mês de março e começo de abril.
Francisco Raimundo Garcia, viticultor responsável pelo projeto, conta que essa parcela de vinhedos é a mais próxima do mar dentro das propriedades da vinícola, ficando numa distância de 1.950 metros em linha reta do continente africano, assim ela está numa zona idônea para a pesquisa, numa região baixa, onde as temperaturas sofrem pouca variação, sendo possível avaliar o desenvolvimento da parreira durante os meses de inverno.
Esse processo de manejo é semelhante ao que é feito na região sudeste do Brasil, nos estados de SP e MG, ao qual é dado o nome de colheita de inverno ou poda invertida. "Com esse projeto estamos chegando a muitas conclusões a favor da sustentabilidade com a redução de recursos naturais, como por exemplo o menor uso de água para a planta e a menor utilização de produtos fitossanitários, pois a estação mais fria diminui as pragas e doenças que podem ocorrer", explica o viticultor. Além disso, eles esperam colher uvas com maior potencial aromático e frescor, que irão resultar em vinhos mais leves, adaptados tanto aos novos consumidores quanto aos desafios das mudanças climáticas. A uva que será colhida nessa vindima tão diferente é a variedade Malvasia Volcânica.
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