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  • Essa não vai para o Santo

    Com um mercado crescente, a cachaça também está se "especializando", com rótulos exclusivos e requintados

    por Cesar Adames

    Algumas bebidas tradicionais nem sempre são valorizadas. Quando mais “comuns”, menos prestamos atenção nelas. No entanto, para os verdadeiros apreciadores, aqueles que, além de degustar a bebida, estudam-na e são capazes de compreender cada nuance, procuram sempre as singularidades de cada produto.

    Isso acontece com o vinho. Cada um tem sua personalidade, seu processo de produção, seu preço e um consumidor que está interessado. Agora, com o crescente mercado – especialmente depois de um acordo bilateral de reconhecimento do termo nos Estados Unidos –, a cachaça também está se especializando e buscando, mais do que ampliar seu alcance, atingir públicos distintos, oferecendo produtos de luxo.

    Fruto de um processo de maturação em barris de diferentes tipos de madeiras, a cachaça envelhecida vai se preparando para entrar em um mercado dominado por destilados tradicionais como Cognac e Whisky, onde o luxo e a sofisticação contam. Durante a 15a edição da Expocachaça foi possível ver como os mineiros, maiores produtores do Brasil, estão de olho nesse nicho.

    Uma das mais caras do evento foi a “Sarau Dona Beja Reserva Especial 40 anos”, produzida em Araxá, a 367 km de Belo Horizonte, envelhecida por 40 anos em barril de carvalho e engarrafada em uma embalagem de porcelana espanhola pintada a ouro. Ela é vendida por R$ 1.500. “Meu pai guardou um barril especial produzido em 1972 e eu guardei 2 mil litros. Vendo cerca de 40 garrafas por ano e uma delas foi arrematada em um leilão nos Estados Unidos por US$ 15 mil, em 2007”, conta Mário Morais Marques, que desde 1991 assumiu os negócios da família.

    Marques exporta cerca de 15% de sua produção e os Estados Unidos é um de seus principais mercados. São cerca de 150 mil litros por ano produzidos com cana-de-açúcar de Araxá, que leva mais tempo para maturar e resulta em uma cachaça mais suave. Além da cachaça de 40 anos, ele produz outras versões com três, oito e 12 anos de envelhecimento.

    Garrafas especiais
    Já a aposta da “Prazeres de Minas”, produzida em Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte, são garrafas especiais. Suas cachaças são vendidas em garrafas de cristal tcheco da Bohemia. A embalagem inclui ainda uma tampa delicadamente cortada em seis lados, também de cristal. Segundo a empresa, isso aumenta o custo, mas o resultado é um produto nobre que tem ótima aceitação no exterior. A cachaça é envelhecida em tonéis de carvalho inglês por 10 anos e, anualmente, são feitas cerca de 200 garrafas em diferentes modelos (que sempre mudam) e chegam ao consumidor final por preços que variam entre R$ 1.300 a R$ 2.600.

    Outra que aposta na embalagem é a “Cachaça Vitorina”, produzida na cidade de Fortuna de Minas, próximo a Sete Lagoas. São cerca de 8 mil litros por ano divididos em quatro estilos distintos. A Vitorina Malt Platinum 13 anos é a menina dos olhos do produtor e é envasada em uma garrafa de semicristal francês com rolha italiana. Foram produzidas apenas 999 garrafas e o produtor ainda tem 500 unidades de 700 ml vendidas por R$ 900.

    Tradição mantida
    Se alguns produtores fazem a opção por uma garrafa especial, outros apostam no tema “Edição Limitada”. É o caso da cachaça “Vale Verde 12 anos”, produzida em Betim, Minas Gerais. A marca foi criada em meados dos anos 1980 pelo empresário Luiz Otávio Pôssas Gonçalves, que buscou na Europa técnicas para aprimorar fermentação e destilação, assimilando tecnologias usadas na fabricação de Whisky. A cachaça Vale Verde 12 anos é uma edição limitada, envelhecida por 12 anos em tonéis de carvalho. Pode ser encontrada no mercado por R$ 450 e tornou-se objeto de desejo para colecionadores e apreciadores.

    Se a ideia de produtos exclusivos e envelhecidos já funciona há muito tempo com Whisky e Cognac, com certeza tem grande chance de sucesso com as cachaças especiais.

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