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Marqués de Riscal: a estrela de Rioja

O frisson causado pela arquitetura da Marqués de Riscal faz dela um dos lugares mais visitados de Rioja


Disneylândia do vinho. Esta é a expressão que melhor descreve a bodega Herderos de Marqués de Riscal. Cores, formas, dimensões e texturas se misturam numa explosão visual capaz de hipnotizar. Nessa arquitetura há poucos itens usuais e tudo parece ter vindo de um sonho. A ousadia é tamanha que a comunidade que abriga a vinícola, conhecida como Ciudad del Vino, ganhou status de ponto turístico. O complexo marcou e mudou a maneira de se entender o mundo do vinho. Mas vamos começar do início.

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A vinícola Marqués de Riscal é uma das mais antigas de Rioja. Seu fundador, Dom Camilo de Hurtado de Amézaga, Marquês de Riscal e Alegre – um diplomata e livre pensador – recebeu, em 1858, o encargo de procurar um enólogo francês que pudesse ensinar aos riojanos a elaboração de vinhos segundo os métodos de Médoc. Tendo fundado sua bodega nesse período, o marquês, assim como os demais vinicultores de Rioja, passou por dificuldades devido ao alto preço que os vinhos produzidos alcançavam. Mas diferentemente de todos os outros, Dom Camilo não desistiu do projeto e edificou uma nova vinícola, fiel aos modelos de Médoc, Graves e Saint-Émilion. Dessa maneira, a Herderos de Marqués de Riscal iniciou suas atividades sendo uma das primeiras de Rioja a elaborar vinhos segundo os métodos bordaleses e, já em 1972, mostrou sua força ao impulsionar a criação da DO Rueda.

Ao largo dos 150 anos em que está em atividade, a Marqués de Riscal nunca parou de investir em seu crescimento e em atrativos para a região. A vinícola, que, em 1860, era composta apenas do prédio original, hoje conhecida como a “bodega antiga”, foi ampliada quatro vezes, com as vinícolas El Palomar, La Vacada, Foso e San Vicente. Hoje, ela conta com 1300 hectares de plantação.

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A CATEDRAL

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Na vinícola antiga fica a Catedral, que abriga as históricas garrafas da Marqués de Riscal

A Catedral é um espaço da vinícola original usado para armazenar os “tesouros” que a Marqués de Riscal guardou ao longo de seus 150 anos. As garrafas de todas as safras da história da bodega, desde 1862, incluindo rótulos pré-filoxera, como a lendária safra de 1895, são guardadas como verdadeiras joias. O ambiente está protegido de variações de temperatura, tem uma umidade natural e é capaz de gerar uma “ilha biológica” em que os insetos que se abrigam ali protegem os vinhos de outras espécies daninhas. O museu toma muito cuidado para não perturbar o equilíbrio natural existente.

 

 

Ciudad del Vino

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Ciudad del Vino é o nome do complexo em que estão diversos edifícios, entre eles a vinícola de Marqués de Riscal

Ciudad del Vino é o nome do complexo em que estão inseridas as vinícolas Herderos de Marqués de Riscal e um edifício que, dentre outros espaços, acolhe o hotel Marqués de Riscal. O projeto, inaugurado em 2006, começou a ser pensado durante a passagem do milênio. Na escolha do arquiteto que iria guiar tudo isso, ninguém menos que Frank O. Gehry, pai do Walt Disney Concert Hall e do Museu Guggenheim Bilbao, que conseguiu transformar o complexo na obra mais vanguardista realizada por uma vinícola espanhola.

Tudo chama atenção. A fachada, a entrada, o interior, os detalhes, a iluminação, o clima, o vinho... Assim como em outros trabalhos de Gehry, o hotel Marqués de Riscal tem um dedo bastante futurista: o design arrojado, cheio de curvas e muito metal – neste caso é o titânio que recobre a estrutura. Aqui, as cores aparecem simbolizando o vinho. O rosa representa o vinho tinto, o dourado faz lembrar a tradicional rede que envolve as garrafas de vinhos Reserva e Gran Reserva e a prata faz menção à cápsula da garrafa.


O projeto é de Frank O. Gehry, que fez o Walt Disney Concert Hall e o Museu Guggenheim de Bilbao

Assim como a arquitetura, os números do complexo também impressionam. Foram gastos cerca de 70 milhões de euros na construção da Ciudad del Vino que, ao todo, soma 100 mil metros quadrados. Durante seu primeiro ano de funcionamento, a Rioja Alavesa viu o número de visitantes subir 68%, segundo o Departamento de Turismo. Na inauguração do hotel, em outubro de 2006, estiveram presentes figuras espanholas tradicionalíssimas, como o rei Juan Carlos, por exemplo.

Astronave

Em meio ao verde da natureza pura, o hotel Marqués de Riscal parece ser um objeto vindo de outra dimensão, que acabara de pousar. A oposição entre a modernidade do prédio e a cenário histórico de Rioja deixa os visitantes maravilhados.

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Rosa, dourado e prata foram as cores escolhidas para ornar as placas de titânio

No complexo que abriga o hotel, além dos 43 quartos, é possível desfrutar de um Spa de Vinoterapia que, como o nome já diz, faz tratamentos de beleza e relaxamento à base de uvas e vinhos; um restaurante exclusivo, assessorado pelo chef Francis Paniego (do restaurante uma estrela Echaurren); e um centro de convenções, conferências e banquetes, localizado na Bodega San Vicente. O espaço, de 1200 metros quadrados oferece um auditório com capacidade para 100 congressistas, uma sala de reuniões e vários espaços multifuncionais, capazes de abrigar desde encontros informais até coquetéis e eventos sociais.

Através das áreas externas e dos vidros – muito utilizados em todo o projeto – é possível ter a visão dos vinhedos ou de vilarejos próximos, além de os visitantes serem agraciados pela vista da Igreja de San Andrés, que datada do século XVI e é um dos principais atrativos do município de Elciego. Assim, a Ciudad del Vino tem tudo para ser considerada um château espanhol do século XXI.

Da redação

Publicado em 27 de Dezembro de 2018 às 20:00


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Artigo publicado nesta revista