Artigo de Felipe Galtaroça, CEO IDEAL BI

por Redação
O mercado vitivinícola brasileiro encerrou o ano de 2025 com uma movimentação expressiva de 54,5 milhões de caixas de 9 litros, o que equivale a aproximadamente 653,6 milhões de garrafas. Dentro desse ecossistema, os vinhos de mesa nacionais, produzidos a partir de uvas americanas ou híbridas, reafirmam sua hegemonia ao reter 55% de participação total das vendas.
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Essa categoria é sustentada por um perfil sensorial específico de alto residual de açúcar, frequentemente próximo a 100 gramas por litro, o que reflete uma conexão cultural profunda com o consumidor brasileiro. Embora marcas internacionais tentem capturar essa fatia com os chamados vinhos Sweet, buscando aliar o dulçor familiar ao status do produto importado, esse movimento ainda representa uma fração pequena diante da força dos rótulos nacionais. Dessa forma, as projeções indicam que o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul não deve alterar os ponteiros deste segmento no curto prazo.

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Outro pilar dominado pela indústria nacional são os espumantes, que representaram 83% das vendas da categoria em 2025. Contudo, este é um segmento que enfrentará grandes desafios com a abertura comercial, já que a força produtiva de países como França e Espanha, sem a tributação de 20% do imposto de importação, trará uma competitividade agressiva de preços. Atualmente, o mercado nacional de espumantes divide-se equilibradamente entre os Moscateis, com 44% de share, e os Brut ou Extra Brut, com 45%.
Enquanto a hegemonia brasileira deve ser mantida entre os moscateis pelo perfil mais doce, a disputa nos Bruts tende a ser acirrada. O acordo, porém, prevê um período de transição: a redução do imposto não será gradual, mas total apenas em janeiro de 2038. Esse intervalo de doze anos impõe aos produtores brasileiros a missão estratégica de fortalecer suas marcas e a identidade da origem para mitigar a futura pressão da oferta europeia.
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Em contrapartida, os espumantes de alto valor agregado, acima de 8 dólares o litro, terão o imposto zerado imediatamente, beneficiando diretamente países como Itália, França e Espanha, que já dominam 80% desse nicho.
No segmento de vinhos tranquilos de uvas vitiviníferas, o cenário é dominado pelos importados, onde apenas uma em cada dez garrafas vendidas é nacional. As importações da América do Sul representam 66% do volume, com o Chile liderando o segmento até R$ 50,00 com 57% de participação. Com a redução tributária gradual em oito anos iniciando em maio de 2026, Portugal desponta como o principal concorrente dos chilenos, enquanto Argentina, Espanha, Itália e França lutam por fatias maiores. Na faixa entre R$ 50,00 e R$ 100,00, o Chile mantém a liderança, mas a Argentina ganha força. Já no patamar de R$ 100,00 a R$ 200,00, os argentinos assumem o topo com 33% de share, seguidos pelos chilenos.
É neste segmento que a pressão europeia será mais sentida, e o poder de desempate na decisão de compra passará a ser a força da marca e a eficiência da distribuição. Nos vinhos acima de R$ 200,00, o Chile volta ao topo com marcas icônicas, seguido de perto pela França.

Para o empreendedor brasileiro, o tabuleiro de xadrez também oferece oportunidades na exportação. Para os espumantes de valor superior a 8 dólares o litro, a redução do imposto europeu será imediata, enquanto para os vinhos tranquilos a queda será gradual em quatro anos. Atualmente, a exportação nacional é muito concentrada no Paraguai, com baixa presença no bloco europeu. A mudança tributária redesenha o mercado e exige que os players brasileiros ajustem seu mix de produtos e canais de distribuição de forma ágil.
Em um cenário de redução de barreiras, o fortalecimento da marca junto ao consumidor final deixa de ser um diferencial e passa a ser a ferramenta de sobrevivência essencial para defender o mercado local e conquistar espaço no exterior.
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