Produtores relatam perdas de até 90% em vinhedos dos Estados Unidos e da França em 2026

por Redação
Geadas severas e tempestades de granizo já causaram prejuízos expressivos em vinhedos dos Estados Unidos e da França, aumentando a preocupação com a safra mundial de vinho de 2026. Em algumas regiões, produtores estimam perdas de até 90% dos brotos principais, o que pode reduzir significativamente a quantidade de uvas colhidas ao longo do ano.
Os danos mais graves registrados até agora ocorreram na costa leste norte-americana. Um inverno mais quente do que o normal antecipou a brotação das videiras, deixando os tecidos jovens mais expostos às ondas de frio que chegaram durante a primavera. Quando as temperaturas caíram abaixo de zero, os brotos, já fora do período de dormência, não resistiram.
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A situação atingiu propriedades em estados como Virgínia, Carolina do Norte, Maryland, Pensilvânia, Ohio e Nova York. Um levantamento conduzido por pesquisadores da Universidade Cornell recebeu relatos de produtores de 13 estados. Em algumas áreas da Pensilvânia, de Ohio, da Virgínia e de Maryland, os danos aos brotos principais teriam chegado a patamares entre 80% e 90%.
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Na Virgínia e na Carolina do Norte, as geadas de abril provocaram perdas consideradas catastróficas por parte dos produtores. Diante do cenário, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos autorizou linhas emergenciais de crédito para propriedades atingidas. Maryland também recebeu aprovação para acessar medidas de apoio.
Em Nova York, há vinhedos que relatam perda total da produção prevista, além de prejuízos econômicos de milhões de dólares. O governo estadual solicitou o reconhecimento federal de desastre agrícola, medida necessária para permitir que os produtores tenham acesso a empréstimos com juros reduzidos.
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Na região de Finger Lakes, uma das mais conhecidas áreas produtoras de vinho do estado, as perdas variam conforme o vinhedo e a variedade cultivada. Algumas propriedades calculam redução de 15% a 30% na produtividade, enquanto outras registraram danos superiores a 70% em determinadas uvas híbridas e nativas.
Variedades como Riesling, Chardonnay e Cabernet Franc reagiram de maneiras diferentes ao frio, mesmo em áreas próximas. Essa falta de uniformidade dificulta a previsão do volume que efetivamente chegará à colheita.
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A frequência crescente de episódios extremos leva produtores a questionarem se as geadas tardias passarão a fazer parte da rotina das regiões vitivinícolas. Invernos mais amenos antecipam o ciclo das plantas, enquanto quedas repentinas de temperatura aumentam a vulnerabilidade das videiras.
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Algumas propriedades já planejam instalar máquinas de vento, que movimentam o ar nos vinhedos e ajudam a reduzir os efeitos do frio. Mesmo assim, a safra de 2026 ainda enfrentará meses de risco, com possibilidade de novas tempestades de granizo, seca, calor excessivo, incêndios e fumaça antes do início da colheita.
Os prejuízos registrados nos Estados Unidos e na França indicam que a produção global pode voltar a cair em 2026, após uma recuperação temporária no ano anterior. A dimensão real das perdas, porém, dependerá das condições climáticas até o fim do ciclo das uvas.