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OIV e OMS se encontram para tratar ideia de avisos obrigatórios de “produto cancerígeno” nos rótulos de vinho

Reunião ocorre após Parlamento Europeu aprovar relatório que afirma que não há nível 'seguro' de consumo de álcool


OIV e OMS se encontram para tratar ideia de avisos obrigatórios de “produto cancerígeno” nos rótulos de vinho

Membros da OIV na sede da OMS em Genebra

Após a Organização Mundial da Saúde – a OMS – sugerir que todo rótulo de bebida alcóolica deveria vir com um aviso no estilo dos maços de cigarro, a Organização Internacional da Vinha e do Vinho se apressou para se reunir com o órgão e garantir que o mundo do vinho partilha dos ideais de consumo moderado de álcool.

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Após a reunião, a OIV emitiu uma declaração enfatizando que sempre incentivou o consumo responsável e publicou os resultados de muitos estudos sobre os efeitos do consumo moderado de vinho na saúde.

Por isso, salientou que a OIV e a OMS têm “objetivos comuns na promoção de um modo de vida saudável”, acrescentando que “a cooperação é crucial entre ambas as organizações”.

A Organização Mundial da Saúde se prepara para adotar uma estratégia global para reduzir o consumo nocivo de álcool. Dentro das ações propostas pela OMS, está a “implementação de políticas de preços mínimos e tributação maior” e “o desenvolvimento e implementação de rótulos de advertência” para bebidas.

A OIV também expressou sua preocupação de que o vinho – juntamente com outras bebidas alcoólicas – passe a ser considerado um produto potencialmente cancerígeno como o tabaco aos olhos da OMS e de outras agências como a União Europeia.

Evidência para isso é o fato de que, o Parlamento Europeu aprovou um relatório do BECA – seu Comitê Especial de Combate ao Câncer – que afirmou que não há nível 'seguro' de consumo de álcool, ou seja, até uma gota diária de vinho é considerada cancerígena.

No dia 14 de fevereiro, está programada a votação final para decidir se as recomendações deste relatório devem ser adotadas pela União Europeia. O mais controverso é a sugestão de que advertências sanitárias sejam adicionadas a todas as bebidas alcoólicas no estilo das que são veiculadas em embalagens de cigarro.

Segundo o Comitê Europeu das Empresas de Vinhos (CEEV) tanto a OMS quanto a UE estão usando um estudo “falho” de 2018 como base de suas alegações de que não há consumo de álcool sem riscos à saúde. O Global Burden of Diseases (GBD), foi publicado na The Lancet e afirmou que mesmo beber muito moderado é pior do que não beber nada.

Segundo o Dr. Ignacio Sánchez Recarte, Secretário-geral do CEEV, o estudo não reflete “a realidade, que é que o câncer é uma doença multifatorial”.

Não apenas esse estudo mostrou falhas em sua análise, mas sua conclusão contradiz um grande número de outros estudos que mostram que o consumo moderado de álcool está associado a uma expectativa de vida mais saudável e mais longa e a menores eventos cardiovasculares.

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André De Fraia
Publicado em 07/02/2022, às 10h00


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