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    Os vinhos do berço da França moderna

    Entre castelos, os vinhos de Chinon traduzem a alma do Loire e a elegância da Cabernet Franc em seu berço mais autêntico

    Chinon
    Chinon

    por José Renato Camilotti, DipWSET, FWS, IWS

    O Rio Loire percorre o território francês por mais de 1.000 km, desde a sua nascente na porção central do país, até desaguar no Oceano Atlântico (Baía de Biscaia). Nos flancos e margens desse gigante fluvial (e seus afluentes) estão os vinhedos do Vale do Loire.

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    A região é dividida em quatro partes: Loire Baixa (porção mais ocidental, no litoral do Atlântico, onde estão as vinhas do Pays Nantais); Loire Média (onde se localizam as vinhas de Anjou-Samour e Touraine); Loire Central (vinhedos centrais) e Loire Alta (a região mais continental, no centro da França).

    O Vale do Loire é conhecido como “Le Jardin de la France” graças à sua paisagem bucólico-luxuosa que revela vinhedos e pastagens entremeadas a mais de uma centena de imensos e deslumbrantes castelos.

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    Joana d’Arc

    O cenário tem uma razão. Registra-se que, em 1152, o próspero Ducado da Aquitânia do Sul uniu-se ao Ducado da Normandia através do casamento de Eleanor de Aquitaine e o Conde de Anjou, Henry Plantagenet, que viria a ser coroado como Henrique II, Rei da Inglaterra. Durante os mais de três séculos da forte influência inglesa, os vinhos do Loire foram servidos à mesa de reis e rainhas.

    LEIA TAMBÉM: Vale do Loire: A terceira maior região vinícola francesa

    Mas a união franco-inglesa não duraria para sempre. Bem no coração do Vale do Loire, nas vinhas de Touraine, há um local onde a história e a viticultura se entrelaçam nessa dança milenar. Em 1429, na cidade de Chinon, Joana d’Arc teria convencido o delfim Charles, herdeiro do trono, a aceitar a coroa francesa como Charles VII, e desafiar o domínio inglês. O resto é história, e ela conta que em Chinon estão fundados os alicerces da moderna França independente.

    Os vinhedos de Chinon

    Os vinhedos de Chinon

    LEIA TAMBÉM: Vale do Loire, um guia rápido sobre a região

    Na região da Loire Média, na porção que engloba as vinhas de Touraine (16.000 ha), encontra-se Chinon AOC (Appellation d’Origine Contrôllée). Apesar da moderna legislação ter conferido esse status apenas em 1937, registros atestam a presença da viticultura em Chinon desde o século XI e a região, que se estende pelas margens do rio Vienne, foi palco de monarcas, nobres e ilustres figuras, como François Rabelais, que em sua obra " Gargântua e Pantagruel (século XVII) já celebrava o "bom vinho bretão", em uma referência carinhosa à Cabernet Franc (conhecida no Loire como Breton).

    O clima em Touraine é marítimo com influências continentais, o que significa consideráveis variações entre as estações do ano, mas com umidade e chuvas presentes. Muito por conta da interconexão dessas influências, os vinhedos de Touraine são marcadamente divididos em seus papéis: as vinhas mais ao oeste (onde fica Chinon) são plantadas com Cabernet Franc, as vinhas centrais são plantadas com Chenin Blanc, e os vinhedos mais ao leste cultivam Sauvignon Blanc.

    Chinon é uma das áreas mais quentes dos vinhedos de Touraine graças a uma característica de seu terroir; uma barreira natural fornecida pelas florestas de Chinon protegem seus vinhedos tanto dos ventos frios e como das tempestades que podem assolar a região, o que é uma das razões para o sucesso e fama da estrela de Chinon, a Cabernet Franc. Ainda assim, os vinhedos são orientados para o sul, de forma a maximizar o nível de exposição das plantas aos raios solares e auxiliar no processo de maturação das uvas.

    LEIA TAMBÉM: Como o Vinho se tornou símbolo de sabedoria

    Chinon

    Os solos de Chinon podem ser largamente classificados em calcários, argilosos e arenosos, além de cascalhos. Nos vinhedos localizados mais próximos às margens, os solos têm características mais arenosas, com a presença significativa de cascalhos. Já nas mais nas encostas, as vinhas estão sobre tuffeau, ou tufa calcária, uma espécie de giz formado a aproximadamente 90 milhões de anos, que é uma característica da região. Nas regiões de maior elevação, destacam-se os solos sílex-argilosos, que comumente são associados a vinhos de distinta elegância.

    Vinhedos orgânicos e biodinâmicos sempre fizeram parte da cultura regional, apesar da dificuldade trazida pela umidade resultante das influências oceânicas. As vinhas são conduzidas, como regra, nos sistemas de Cordão (simples ou duplo) e Guyot e as técnicas de auxílio à maturação das uvas, como controle foliar, desbaste e colheita verde sempre foram utilizadas. Atualmente, a conjugação dessas técnicas com as mudanças climáticas resulta na antecipação das colheitas em cerca de 15 dias quando comparado à realidade de três ou quatro décadas atrás.

    LEIA TAMBÉM: Qual a diferença entre os vinhos biodinâmicos, naturais e orgânicos?

    A estrela de Chinon em seus estilos antagônicos

    Chinon

    Apesar de produzir pequeníssimas quantidades de vinhos brancos (Chenin Blanc) e rosés, os tintos de Cabernet Franc sempre fizeram a fama de Chinon AOC. É a denominação com o maior volume de vinho tinto produzido dentre todas as regiões do Vale do Loire, considerando todas as suas sub-regiões. E apesar de permitir até 10% de Cabernet Sauvignon no blend dos tintos, a imensa maioria dos Chinon Rouge é 100% Cabernet Franc.

    LEIA TAMBÉM: Conheça melhor a uva Cabernet Franc

    Seja nas terras de propriedade do Cardeal Richelieu (século XVIII) ou nas propriedades atuais, a Cabernet Franc sempre foi plantada como símbolo de vinho tinto em Chinon, muito por ser uma variedade bem adaptada aos climas mais frios. Tanto sua brotação quanto sua maturação são mais precoces do que a Cabernet Sauvignon (mais de dez dias), uma característica crucial quando se trata de potencial para completa maturação, bem como para evitar fenômenos climáticos como chuva ou geadas precoces durante a colheita.

    De modo geral, há dois estilos de Cabernet Franc bem delimitados em Chinon: um tinto mais ligeiro, leve, vertical e direto (6 a 8 dias de maceração pelicular) é produzido a partir dos vinhedos mais próximos aos rios (Loire e Vienne) e normalmente apresenta aromas de frutas vermelhas frescas (morango, framboesa, cereja), além de notas florais de violeta, que devem ser bebidos em três ou quatro anos; e outros Cabernet Franc mais robustos, com mais estrutura (entre duas e três semanas de maceração), provenientes, em sua grande maioria, das encostas e colinas com solos de tuffeau, que desenvolvem notas de frutas negras (amora e cassis), de especiarias (canela, cardamomo), e também toques terciários terrosos ou de grafite, com potencial de guarda que pode chegar a duas décadas.

    A característica herbácea ou de pimentão, por vezes associada aos Cabernet Franc de climas mais frios, costuma ser muito bem integrada em Chinon, contribuindo para sua complexidade, sem desagradar.

    LEIA TAMBÉM: Frutas vermelhas, pimentão, chocolate, café, grafite: de onde vêm os aromas do vinho?

    O que nos revela Chinon

    Vinhedo em Chinon

    Chinon é um exemplo de denominação de origem que se confunde com sua casta ícone. Em um passado recente, em um mundo onde as dicotomias como ocidente/oriente, capitalismo/socialismo eram mais nítidas, Chinon foi emblema da elegância da Cabernet Franc do” Velho Mundo”, em contraposição ao estilo opulento que sempre identificou os vinhos do “Novo Mundo”.

    LEIA TAMBÉM: Vinhos do Novo Mundo que envelhecem bem

    Atualmente, quando as categorias e classificações são mais dinâmicas e parecem fazer menos sentido, Chinon continua a ser um embaixador da Cabernet Franc como protagonista, revelando sua elegância, seu potencial de complexidade e longevidade como vinho varietal.

    Produtores que sempre levantaram a bandeira da Cabernet Franc de Chinon como o Domaine Olga Raffault e o Domaine Philippe Alliet aliam-se a qualidade e zelo qualitativo de seus pares, como o Cháteau de Coulaine, o Domaine Bernard Baudry, o Domaine Charles Joguet, dentre outros, em um movimento de renascimento para ofertar uma expressão autêntica dos diversos terroirs de Chinon, conectando a casta ao solo e fazendo-a expressar-se em vinhos com verdade e caráter.

    E ainda hoje, mesmo que a Cabernet Franc tenha percorrido seus caminhos por todos os cantos do planeta, entre velhas e novas classificações, Chinon continua a ser um paradigma, uma inspiração para produtores e um deleite para os apreciadores. E se hoje a Cabernet Franc viaja o mundo em aventuras diversas, uma taça de um bom Chinon continua sendo um verdadeiro regresso ao lar.

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