Da Bíblia ao século XXI, país mostra solidez na produção
por Alexandra Corvo

A história do vinho em Israel mistura religião, agricultura e política ao longo de milênios. Textos bíblicos já registravam o cultivo da videira e o consumo da bebida, como no episódio de Noé, descrito no Gênesis, além de diversas referências na Torá que associam o vinho à vida cotidiana e à espiritualidade do povo judeu.
Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
Após períodos de prosperidade na Antiguidade, a vitivinicultura local entrou em declínio com a destruição do Segundo Templo e a posterior dominação árabe, que restringiu o consumo de álcool. A retomada só começou no século XIX, quando iniciativas isoladas tentaram reerguer a produção, ainda de forma limitada e sem grande impacto internacional.
A virada mais consistente ocorreu a partir da década de 1880, com o apoio do barão Edmond de Rothschild. Ele financiou vinhedos, levou técnicos europeus e estruturou a produção em regiões como Rishon LeZion e Zichron Ya'acov. Esse movimento estabeleceu as bases da indústria moderna no país, incluindo a criação de vinícolas e infraestrutura essencial para o setor.
LEIA TAMBÉM: Como harmonizar vinhos no jantar de Pessach
Mesmo assim, o crescimento enfrentou obstáculos ao longo do século XX, como a perda de mercados externos durante a Revolução Russa e a Lei Seca nos Estados Unidos. Durante décadas, a produção ficou concentrada em vinhos simples, voltados sobretudo para uso religioso, sem grande foco em qualidade.
A transformação mais recente começou nos anos 1970, quando estudos apontaram o potencial de regiões como as Colinas de Golã para vinhos de maior qualidade. A partir dos anos 1980, produtores passaram a investir em técnicas modernas, variedades internacionais e estudos de solo, elevando o padrão da produção.
LEIA TAMBÉM: Enorme adega da época dos cruzados foi encontrada em Israel
Hoje, Israel reúne diferentes terroirs em um território pequeno, com áreas que vão de regiões montanhosas e frescas a zonas desérticas irrigadas. O país também combina tradição religiosa, como a produção de vinhos kosher, com uma nova geração de vinícolas focadas em qualidade e identidade regional, consolidando sua presença no cenário internacional.