Revista ADEGA

Pensando "dentro da caixa"

Depois do dilema das rolhas, agora está na hora de repensar as embalagens dos vinhos

Da redação em 13 de Outubro de 2009 às 07:05

Luna Garcia

Já refletimos e vivenciamos o dilema das rolhas de cortiça versus rolhas sintéticas e tampas de rosca, hoje vivemos a polêmica dos recipientes: garrafas de vidro são melhores que embalagens alternativas para armazenar vinho?

Um dia, diferentes tamanhos de garrafas de vinhos foram batizadas com nomes de reis bíblicos como Salmanazar, Baltazar e Salomão. Hoje, encontramos a bebida de Baco em recipientes tecnológicos e recicláveis, cujos nomes são bem menos românticos. Na antiguidade, gregos e romanos armazenavam o vinho em couro, barro e cerâmica.

No mundo globalizado, falamos em materiais como vidro, plástico, alumínio, papel. Você já provou um vinho de Bag in Box (como o da foto ao lado)? Experimentaria um que viesse em embalagem Tetra Brik (ou Tetra Pak)? E o vinho em lata? Tem coragem? Sim, está na hora de pensarmos “dentro da caixa” e considerarmos que as preocupações com o meio ambiente talvez justifiquem deixarmos o preconceito de lado.

Pensemos que qualquer atividade humana provoca consequências para o planeta. Ao retirarmos do meio ambiente uma série de elementos para a produção de bens e serviços, estamos emitindo uma série de outras partículas, quase sempre nocivas. Fala-se em “pegada de carbono” (carbon footprints, em inglês) para avaliar a relação entre a atividade do consumo humano e a capacidade da natureza metabolizá-la.

Isso é um sinal de que as pessoas estão preocupadas com o rastro deixado no planeta ao longo de sua existência, e repensando seu estilo de vida e formas de consumo. Em alguns países da Europa e no Japão, já encontramos nos rótulos dos produtos informações sobre a quantidade de água que foi gasta para produzi-lo, a quantidade de emissões de gases estufa lançados na atmosfera para sua fabricação, a “pegada” deixada no ambiente.

Pensando em reduzir suas “pegadas”, os produtores de vinhos em todo o mundo buscam alternativas para envasar o líquido a que tanto se dedicaram para produzir, mas ainda enfrentam muita resistência.

#Q#

Tradição x modernidade

É interessante verificar o relato de brasileiros nos blogs relacionados a vinhos que abordam esse assunto. Na maioria das vezes, as pessoas comparam as embalagens alternativas com massificação, banalização, fazem associação com produtos de baixa qualidade e quase sempre comparam com o consumo de cerveja em lata ou com suco de frutas não fermentadas comercializados em embalagens parecidas.

Alguns até ironizam a situação dizendo que seria um lobby dos catadores de latinha. Brincadeiras à parte, muita gente aponta que colocar um vinho em lata ou em tetra brik seria perder o ritual de degustá-lo da maneira tradicional e mesmo um desrespeito com a bebida de Baco.

Lembremos que este último argumento estava presente nos discursos contra as tampas de rosca, há pouco tempo atrás. A opção do Bag in Box (BIB) hoje é a mais comum entre as embalagens alternativas no mercado brasileiro e já é aceito por muitos restaurantes que oferecem vinhos despretensiosos e acessíveis em taça. Segundo o IBRAVIN, houve crescimento de 30% no consumo de BIB entre 2007 e 2008. Esperemos o resultado de 2009 para comparar.

O que poucos sabem é que o lado “verde” dessas caixas é impactante no nosso planeta. No Canadá, por exemplo, onde o consumo de BIB é bastante comum, a Tetra Pak canadense afirma que, se a população consumidora de vinhos mudasse de vidro para caixas, haveria uma redução de emissão de gases equivalente a 400 mil carros fora das ruas.

Segundo o Wine Group de San Francisco, um conglomerado de vinhos, as caixas representam menos 85% de lixo e 55% a menos de emissão de carbono em relação às garrafas de vinho.

Em meio a tantas críticas, oposições e resistência a um tema que ainda pouco conhecemos, talvez deveríamos considerar o que representam efetivamente essas embalagens sob o ponto de vista do meio ambiente, afinal a palavra sustentabilidade está na moda até no mundo do vinho


Enobusiness

Artigo publicado nesta revista

Revista ADEGA 48 · Outubro/2009 · Vinho, ontem e hoje

Como ele evoluiu até os dias de hoje


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