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  • Entendendo as vitolas, ou bitolas

    A conservação adequada de charutos é fundamental para preservar o luxo e o prazer

    por Paulo Rogério Bueno

    Nos charutos cubanos, mundialmente conhecidos por "Habanos" ou simplesmente "puros", uma "vitola" se refere ao formato ou forma "cepo e largo ou longitud", circunferência e comprimento, respectivamente, que se deve ter como padrão na produção de um puro. Dos charutos de mesma vitola se espera que sejam idênticos em suas formas, circunferências e tamanhos, mesmo que tenham marcas, idades ou nomes comerciais diferentes, em produções regulares (de linha) ou produções especiais. Lembrando que, para os cubanos, "formato" pode significar o formato como nós interpretamos ou como os puros se apresentam em uma caixa, por exemplo: o Montecriso nº 4 tem como "formato: parejo", ou seja, lado a lado em sua apresentação. Quando a apresentação é diferente, a nomenclatura de fábrica denomina como "envase especial".
    Vale ressaltar que em Cuba, o sistema métrico utilizado para medir o comprimento de um puro é em milímetros, com finalidade de facilitar na comercialização mundial, porém, na maioria das boas literaturas a respeito de charutos e em toda fábrica de "Puros Habanos", são encontradas as medidas em polegas conhecida por sistema imperial, milímetros em oitavos de polegadas, exemplo: 1/8 de pol = 3,175 mm.
    Tanto antes como depois da revolução, existem dois tipos de nomes de vitola na indústria tabaqueira cubana:

    Vitolas de galera
    são bitolas de fábrica ou bitolas de produção, se referem ao nome que as fábricas dão a uma certa bitola que produzem, não importando o produto final, que pode se apresentar aos consumidores com diferentes blends (liga ou ligada de tabaco) e cada produto pode receber um nome comercial individual;
    fotos: Josiah Gordon/SXC e broadweighs-cigars.com

    Vitolas de salida são bitolas comerciais, se referem aos nomes dados aos puros quando apresentados ao cliente na sua comercialização final. As vitolas de galera não aparecem mencionadas nas caixas dos puros e não se supõe que o cliente as conheça.
    Para cada marca de puros pode haver mais de uma vitola de salida (bitola comercial) e vitola de galera (bitola de fábrica ou bitola de produção).
    Antes de 1980, as diferentes fábricas de puros tinham suas próprias vitolas de galera, distintas entre si, ocasionando uma grande confusão entre os consumidores mundiais. Com a unificação deste tipo de bitola, ocorrida neste mesmo ano, facilitou-se a identificação e, conseqüentemente, a comercialização. Cada uma destas bitolas unificadas e simplificadas receberam um nome (forma) e um número (manufatura e tipos de folhas). Também foram reduzidos os números de bitolas existentes. Até ao final dos anos 80 restaram apenas 72 delas.
    Os números que começam com quatro e meio e seis sempre significam puros totalmente feitos a mão com folhas inteiras. Os números que começam com dois sempre significam puros totalmente feitos à máquina. As vitolas de galera não devem ser confundidas com os nomes comerciais dados pelas fábricas aos puros como: Doble Coronas, Churchills, Lonsdales, Robustos, Piramides, Perfectos, Torpedos, Coronas etc.
    Para um exemplo descomplicado, escolhi a marca Romeo e Julieta, que produz três puros de formato Churchill. A vitola de galera se chama Julieta 2, o número da bitola é 609, o formato (de apresentação) é Parejo, a bitola tem um cepo (circunferência) de 47, uma longitud (comprimento) de 178 mm ou 7 polegadas.
    Na vitola de galera Julieta 2 existem três vitolas de salida (vitolas comerciais) produzidas, são elas: Clemenceau, Churchills e Prince of Wales. Apesar de terem o mesmo tamanho, possuem blends diferentes (mesclas ou ligas).

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