Vinho e música

Boa música, acompanhada por um bom vinho, fica ainda melhor. Experimente novas combinações e faça suas harmonizações!


Allen Pope/Stock.Xchng"Qual tipo de vinho você mais gosta?". Minha resposta é sempre a mesma: dos bons. "Qual tipo de música você gosta?". A resposta? Boa! Música, assim como o vinho, é um mundo interminável de visuais, aromas, texturas, sabores, culturas, emoções e descobertas, independente da procedência, artista (vamos concordar que vinho, antes de mais nada, é uma obra de arte), país, instrumentos, métodos ou crítica. Nunca devemos nos limitar nesses dois prazeres, pois perderemos sua mais bela característica - a variedade.

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Apreciando um belo espanhol de Ribeira del Duero, com um grande compositor mineiro no início deste ano, coloquei para tocar a mais nova 'descoberta do jazz' de 2005. Não era Norah Jones, Diana Crawl ou Madeleine Peyroux, mas sim o cd 'Thelonious Monk Quartet with John Coltrane at Carnegie Hall', gravado em 1957. Assim como um Romaneé-Conti encontrado escondido no porão de uma grande adega esquecida, as fitas desse histórico encontro, no lendário Carnegie Hall foram encontradas no início de 2005 nas prateleiras da biblioteca do Congresso americano, em um caixa sem etiquetas de identificação de conteúdo e nunca tendo sido lançadas por nenhuma gravadora.

A beleza dessa gravação é, em primeiro lugar, a raridade da parceria entre dois mestres que, antes desse lançamento, haviam tocado juntos somente em três faixas de estúdio poucos dias antes. A gravação foi em um concerto beneficiente que mostra Coltrane com um grande acompanhante e apoiador do lendário quarteto de Monk, um solista de rara inspiração, levando a improvisação a lugares jamais explorados, com frases de tirar o fôlego e suspender o tempo. Inspirado por Coltrane, Monk relaxa e toca de maneira solta e inspirada mostrando sua virtuosidade e genialidade no piano.

Incluídas na bela gravação do programa de rádio 'Voice of America', estão clássicos como 'Monk's Mood', 'Evidence' e a linda 'Sweet and Lovely'. Esse disco tem as características dos melhores vinhos da Bourgogne; é fácil de gostar de imediato, mas quanto mais se degusta mais se descobrem os segredos sutis e a complexidade desse clássico. O comentário de meu amigo ao ouvir a gravação foi "A melhor música para ouvir tomando vinho é jazz!".

Isso, vindo de um artista de MBP, me deixou intrigado e começamos nossa tese de combinações de bebidas e música. Por isso, indicamos músicas que devem ser degustadas e não simplesmente ouvidas. Indicação etílica para 'Thelonious Monk with John Coltrane at Carnegie Hall' - Pela natureza deste CD, tão diverso, complexo e de imediata e prolongada apreciação, recomendo que seja acompanhado de um Pinot Noir, complexo, como o Chambertain do Domaine Armand Rousseau 1999 ou 2000.

Venancio De Castro

Publicado em 18 de Abril de 2006 às 08:37


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Artigo publicado nesta revista

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