Primitivo e Zinfandel

Zinfandel e Primitivo: as uvas distintas só no nome

A conexão entre Zinfandel e Primitivo vai muito além das semlhanças de estilo entre os vinhos produzidos a partir delas


Primitivo e Zinfandel compartilham do mesmo DNA e são clones da casta croata Crljenak Kastelanski

Provavelmente, você já ouviu falar em rótulos norteamericanos elaborados com uvas Zinfandel. Talvez também saiba de vinhos italianos feitos a partir de uvas Primitivo. Pois sabia que essas duas cepas são geneticamente idênticas, ou seja, iguais?

A Zinfandel é reconhecida mundialmente como “a” uva da Califórnia, onde é largamente cultivada, seja para elaboração de varietais ou blends. A Primitivo é plantada principalmente na região da Puglia, no sul da Itália, normalmente relacionada ao famoso “Primitivo di Manduria”.

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As similaridades entre os tintos produzidos a partir de cada uma das duas cepas não passaram despercebidas por Austin Goheen, um professor californiano que, durante uma viagem à Puglia, em 1967, ao provar um vinho elaborado com Primitivo, considerou-o muito parecido com o seu bem conhecido Zinfandel. Muito tempo depois, já no início da década de 1990, após a realização de análises ampelográficas e de DNA, confirmou-se correspondência genética entre as duas cepas, que são idênticas, como irmãs gêmeas.

E as descobertas não pararam por aí. Além de se constatar que a americana Zinfandel e a italiana Primitivo compartilham o mesmo DNA, verificou-se que as duas são clones da variedade croata Crljenak Kastelanski.

Falar em “clones” no mundo do vinho nada tem a ver com atividades de laboratório, trabalhos de mutações genéticas ou ficção científica. Na verdade, um clone de uva nada mais é do que um subtipo de uma espécie de planta (no caso, da videira), selecionado pelo vitivinicultor para ser cultivada por conta de características específicas, tais como melhor adaptabilidade a uma região e clima, tamanho dos bagos, produtividade etc.

Acredita-se que a Crljenak tenha sido trazida da Croácia para a Puglia, através do Mar Adriático, no século XIII. Já na Itália, a cepa foi batizada de Primativo, do latim primativus, que significa “a primeira a amadurecer”. De fato, as videiras dessa variedade florescem mais cedo, com os frutos amadurecendo antes de outras cepas.

A Zinfandel teria chegado aos Estados Unidos ainda sem nome, nos idos de 1829, pelas mãos de George Gibbs. Na região de Boston, passou a ser chamada de Zenfendel ou Zinfindal. Já nos idos de 1949, com a “Corrida do Ouro”, a uva chegou à Califórnia, passando a ser cultivada em Napa e em Sonoma. Hoje é reconhecida como a variedade ícone californiana.

Os tintos de Zinfandel são ricos e encorpados. Isso porque essa uva tende a amadurecer de forma irregular, desigual, e, dessa forma, quando a maturação chega para todo o cacho, alguns bagos fatalmente já começaram a desidratar, tomando a aparência de passas. Essa concentração determina sabores intensos de frutas vermelhas e elevado teor alcoólico. Da mesma forma, os vinhos produzidos com Primitivo têm como traço característico a estrutura, o alto teor alcoólico e os toques de ameixa e especiarias. Ambos apresentando taninos macios, acidez moderada e, geralmente, tendendo para um sabor mais frutado, que gera uma sensação de doçura mais pronunciada.

Embora Primitivo e Zinfandel sejam consideradas a mesma cepa, as regras para o uso de seus nomes variam ao redor do mundo. A legislação norteamericana, por exemplo, não permite que os dois termos sejam usados indistintamente. Por isso, é possível que você se depare com um rótulo daquele país descrevendo o vinho como sendo um blend Primitivo/Zinfandel (significando simplesmente que ele foi produzido a partir de dois clones diferentes). Já na Europa, as normas permitem que o produtor nomeie seu vinho como sendo Primitivo ou Zinfandel, de acordo com a vontade de cada um.

WHITE ZINFANDEL

Ao contrário do que o nome possa sugerir, White Zinfandel não é uma cepa, tampouco um vinho branco feito a partir de uvas Zinfandel. Na verdade, tratase de um vinho rosado, meio-seco, pouco alcoólico e para ser consumido jovem, elaborado com Zinfandel, o terceiro varietal mais consumido dos Estados Unidos.

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Eduardo Milan

Publicado em 10 de Agosto de 2019 às 10:00


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