• APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
Assine
Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA
  • APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
  • Uma saborosa matiz

    Por que o vinho tinto tem a cor vermelho vivo?

    Conheça a ciência por trás da tonalidade de um vinho e qual o papel na percepção da qualidade

    por Hugo Cesar Stefano Da Silva

    formação de cor
    A compreensão dos fatores que influenciam a cor do vinho é fundamental para a enologia

    A cor do vinho não é apenas um elemento visual, mas um indicador fundamental de sua composição e evolução. Desde a maturação das uvas até os processos de vinificação, fatores como luz, temperatura e pH influenciam diretamente os pigmentos responsáveis pela coloração.

    Compreender essas interações químicas é essencial para enólogos e apreciadores que desejam avaliar a qualidade e o potencial de envelhecimento da bebida.

    Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube

    Descubra como os antocianos e os taninos determinam a tonalidade dos vinhos tintos e como a enologia pode preservar esse atributo essencial.

    Para a percepção das cores, o olho humano transforma em sensação de luz certas radiações, mais especificamente os comprimentos de onda compreendidos entre 390 nanômetros e 820 nanômetros, ou seja, a luz visível.

    LEIA TAMBÉM: O que a cor do vinho diz sobre a bebida?

    A cor do vinho vem do fato de ele ser capaz de absorver diferencialmente as radiações coloridas que o atravessam. O vinho tinto, por exemplo, parece vermelho porque absorve a maioria das radiações correspondentes às outras cores do espectro, exceto aquelas que originam a cor vermelha, deixando passar, portanto, as radiações vermelhas até nossos olhos.

    Mas, para que o resultado desse sistema fisiológico seja positivo e satisfaça as expectativas do apreciador de vinhos, existe um complexo processo químico que se inicia no vinhedo e é influenciado diretamente durante os processos de vinificação.

    LEIA TAMBÉM: "Espumante inglês" agora é uma cor

    Os compostos responsáveis pela intensidade corante estão presentes nas uvas e correspondem a um grupo particular de fenóis conhecidos como antocianos. As antocianinas são um subgrupo dos antocianos, porém, por apresentarem mais estabilidade química, podemos considerá-las como o grupo responsável pela coloração dos vinhos.

    As antocianinas, calculadas como malvidina-3-glucosídica, apresentam-se em quantidade nas variedades para vinho tinto com muita cor, tal como o Cabernet Sauvignon, na faixa de 1g/kg, podendo chegar a 5g/kg para variedades tintórias como a Alicante Bouschet.

    LEIA TAMBÉM: Quando cor de rosa é coisa séria

    Em termos gerais, estes compostos correspondem a um grupo pertencente aos taninos, ou seja, à família dos flavonoides. Eles se caracterizam por uma estrutura química correspondente aos anéis de seis átomos de carbono unidos por um heterociclo central de três átomos de carbono. De forma esquemática, pode-se representar como uma estrutura C6-C3-C6.

    A cor das uvas tintas começa a aumentar quando as bagas iniciam sua maturação e há o acúmulo de açúcares simultaneamente. A principal rota de síntese dos compostos fenólicos se origina a partir do aminoácido fenilalanina, mediante a ação da enzima Fenilalanina amônia-liase, que dá origem aos primeiros compostos fenólicos, base de grande parte dos compostos flavônicos, entre eles os antocianos e taninos.

    Pesquisas demonstram que os principais fatores que interferem na síntese de compostos responsáveis pela coloração das uvas e do futuro vinho, além das características genéticas de cada variedade, são a temperatura e a luz.

    Na primeira, as enzimas apresentam faixas de temperaturas ótimas, que estão entre 15°C e 27°C, e a segunda atua como estímulo luminoso fundamental para a regulação das rotas de síntese. A quantidade de açúcar também é fundamental, já que são substratos para a realização da síntese desses compostos colorantes.

    Nos vinhos já elaborados, fatores como o pH, o nível de dióxido de enxofre, a temperatura, o nível de oxigênio, a presença de etanal ou acetaldeído, entre outros, afetam a estabilidade e a coloração presente neles. As antocianinas se encontram em vacúolos presentes principalmente nas cascas das bagas.

    No momento em que começa o processo de vinificação, as antocianinas são extraídas desde o desengace e esmagamento por ruptura das células e dos vacúolos, até o início da maceração, passando rapidamente para o mosto, ainda quando há um baixo conteúdo de álcool.

    Os antocianos apresentam um equilíbrio em função do pH entre formas químicas diferentes, o que condiciona aspectos muito importantes da cor do vinho. Com o pH muito baixo, a forma da maioria dos antocianos presente no vinho é conhecida como cátion flavílio, que apresenta uma coloração vermelha.

    A partir do momento em que o pH aumenta, o cátion flavílio passa para uma forma química conhecida como base quinoidal, de cor violácea, e na pseudobase carbinol, que é incolor. Por outro lado, a pseudobase carbinol pode transformar-se em um composto conhecido como calcona, que apresenta uma ligeira cor amarela.

    No vinho, existe um equilíbrio entre as formas vermelha, azul e incolor. Para o pH que se apresenta na maioria dos vinhos, na faixa de 3,5 a 4, apenas 20% a 30% das antocianinas se encontram coloridas. Os 70% a 80% restantes das antocianinas poderiam potencialmente colorir o vinho, porém estão incolores nesse pH.

    LEIA TAMBÉM: Vinho pode ajudar a combater o vírus da gripe comum

    Quanto às transformações que ocorrem na cor dos vinhos, além das relacionadas com a perda por oxidação das antocianinas, há também importantes formações de novos pigmentos mais estáveis e de colorações diferentes. Um grupo de compostos muito reativos denominados flavonoides, conhecidos genericamente como taninos, se une às antocianinas.

    A união antociano-tanino pode ser do tipo direta, dando origem a compostos vermelhos, ou mediada por etanal ou acetaldeído, gerando compostos vermelho-azulados. No caso da união mediada por acetaldeído, justifica-se a importância de os vinhos passarem por um período em barricas de carvalho para ocorrer uma micro-oxigenação permitida pelos microporos da madeira.

    Por sua grande complexidade, o conhecimento da cor dos tintos é um desafio que merece muitos estudos para promover práticas enológicas que ajudem a preservar as matérias corantes dos vinhos, mantendo este importante atributo sensorial.

    Gostou? Compartilhe

    Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA

    palavras chave

    Vinificaçãobarricas de carvalhocor do vinhopH do vinhoestabilidade da cor do vinhotaninos e antocianinasfatores que influenciam a cor do vinhoespectrofotometria no vinhoantocianinas no vinho

    Notícias relacionadas

    Montilla, Espanha

    Montilla supera Jerez e será a capital do vinho em 2027

    Realizado em 10 de outubro de 2026, no The Henderson, em Hong Kong, o leilão The Cellar of the Hon. Henry Tang marcou os 60 anos do primeiro leilão de vinhos da Christie's, reunindo uma das mais prestigiadas coleções particulares da Ásia

    Coleção de vinhos raros arrecada R$ 35 milhões em leilão

    Crescimento do Mercado de Vinhos Europeus

    Vinhos de luxo voltam a subir, puxados pela Itália

    Colheita de uvas ao pôr do sol

    Por que a Califórnia comemora uma safra ruim de uvas?

    prowine 2026

    ProWine São Paulo 2026 supera 25 mil visitantes e bate recorde

    Colheita de uvas na vinícola

    Rioja encerra vindima histórica com 333 milhões de quilos de uvas

    Os segredos da clarificação do vinho explicados

    Vegetarianos devem evitar certos vinhos? Descubra por quê

    Brinde de Champagne e Bordeaux

    Champagne avança enquanto Bordeaux perde € 122 milhões no exterior

    Degustação em Adega Rústica de Vinhos

    Itália reforça aposta no enoturismo para valorizar seus vinhos

    Colheita Dourada entre Vinhedos e Aldeia

    Borgonha perde 30% da safra, mas tenta segurar os preços

    11 imperiais de Bordeaux

    Escolha sua assinatura

    Impressa
    1 ano

    Impressa
    2 anos

    Digital
    1 ano

    Digital
    2 anos

    +lidas

    A uva mais famosa da Áustria tem um passado nazista
    1

    A uva mais famosa da Áustria tem um passado nazista

    Vinhos de luxo voltam a subir, puxados pela Itália
    2

    Vinhos de luxo voltam a subir, puxados pela Itália

    Angelo Gaja é homenageado com o prêmio “Enólogo dos Enólogos”
    3

    Angelo Gaja é homenageado com o prêmio “Enólogo dos Enólogos”

    Por que a Califórnia comemora uma safra ruim de uvas?
    4

    Por que a Califórnia comemora uma safra ruim de uvas?

    Montilla supera Jerez e será a capital do vinho em 2027
    5

    Montilla supera Jerez e será a capital do vinho em 2027

    Revista ADEGA
    Revista TÊNIS
    AERO Magazine
    Melhor Vinho

    Inner Editora Ltda. 2003 - 2022 | Fale Conosco | Tel: (11) 3876-8200

    Inner Group