Descomplicando a compra

Mercado percebeu que deve ajudar o consumidor a escolher seu vinho quando ele mais precisa: diante das gôndolas das lojas


Fotos: divulgação

A preocupação em tornar um vinho acessível hoje é algo que vai além dos desafios relacionados aos preços. É preciso tornar um vinho fácil de consumir, fácil de entender e, por incrível que pareça, fácil de comprar. Segundo recente estudo de mercado encomendado pela IBRAVIN (Instituto Brasileiro do Vinho), 60% das pessoas que buscam um vinho em gôndolas de supermercados acabam desistindo e trocando de categoria, devido à complexidade com que se deparam.

O estudo foi realizado pela Marketing Analysis, com amostragem de 1200 consumidores em Fotos: divulgação Porto Alegre, São Paulo e Recife. Por que será que isso acontece? Será que o medo de escolher um vinho que possa não agradar é tão grande? Será que o consumidor acha que o caixa do supermercado vai "tirar sarro" e achar que ele nada conhece de vinhos? Ou será que os rótulos são tão complicados que, em vez de atrair os consumidores, acabam repelindo-os?

Sendo assim, parece que os produtores e os profissionais do setor estão mais atentos a essa realidade e estão tomando algumas medidas para fazer com que seus vinhos fiquem mais compreensíveis para quem vai degustá-los.

Melhorar a informação no rótulo

Uma prática comum tem sido colocar algumas orientações essenciais no contrarrótulo das garrafas. Assim, o consumidor encontra indicações descomplicadas sobre como harmonizar e em que temperatura servir. Os mapas das regiões de origem também surgem desenhados para ilustrar a procedência dos vinhos e dos vinhedos onde as uvas são plantadas.

Na palma da mão

Nos iPhones e tantas outras plataformas mobile, especialmente nos Estados Unidos e Europa, estão na moda os programas e sites (geralmente pagos) desenvolvidos por sommeliers e enólogos para auxiliar na compra e para manter histórico dos vinhos provados. No Brasil, ADEGA desenvolveu o site OMelhorVinho. com.br também com esse intuito e pode ser acessado de qualquer plataforma com internet gratuitamente.

Essas ferramentas dão acesso aos sites que disponibilizam preço médio, pontuação, bem como histórico de vinhos provados, permitem ainda guardar a imagem do rótulo e escrever palavras chaves para que o usuário registre suas próprias impressões.

O mais atrativo, entretanto, é a descrição desses softwares: "Tentando achar um bom vinho enquanto você está no supermercado? Deixe seu iPhone lhe ajudar!" Sinal de que não é só no Brasil que os consumidores têm dificuldades em decifrar as informações disponibilizadas nas gôndolas.

Escancarado ou prático?

Uma prática um tanto mais ousada foi o que fez um renomado sommelier norte-americano, Ralph Hersom. Após anos trabalhando em restaurantes luxuosos e propondo harmonizações surpreendentes a seus clientes, ele decidiu levar o princípio de harmonização às massas. Como ele fez isso? Criou uma marca de vinhos chamada "Wine that loves" (Vinho que ama) e estampou em cada uma das cinco garrafas uma imagem que reflete com o que aquele vinho harmoniza.

O empresário teve o cuidado de selecionar cinco receitas tipicamente consumidas no dia-a-dia dos cidadãos norteamericanos e escolheu alguns cortes de uvas adequados para cada uma. Assim, "Espaguete com Molho ao Sugo", "Frango Assado", "Pizza", "Carne Grelhada" e "Salmão Grelhado" formaram o time da seleção de "vinhos que amam".

Dessa forma, o consumidor chega ao supermercado e, no meio de muita informação, encontra cinco fileiras de rótulos apenas com desenhos coloridos da comida com a qual aquele vinho harmoniza e três palavras indicando que aquele vinho ama frango assado ou salmão grelhado!

Descomplicado demais? Talvez! Essa preocupação com a acessibilidade das informações dos vinhos é uma questão real, delicada e precisamos acompanhar a evolução das tendências para sabermos distinguir quais práticas são legais e de quais devemos desconfiar. Afinal, não se pode comprometer a qualidade do vinho, nem desprezar a importância da origem de procedência, da safra, da tipicidade, da tradição e, enfim, do terroir.

Juliana Reis

Publicado em 10 de Agosto de 2009 às 06:54


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Artigo publicado nesta revista