Enoturismo

Dicas para aproveitar o melhor do vinho no Chile

Conheça opções de turismo além de Santiago e Valle Nevado


 

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Mitico Puelo Lodge, às margens do lago Tagua Tagua

A distância é curta e o voo é relativamente rápido, talvez por isso o Chile seja um destino bastante apreciado pelos brasileiros. Normalmente, os turistas exploram a capital, Santiago e sua rica gastronomia, as áreas de produção vinícola nos arredores – onde estão as Viñas Santa Rita e Santa Carolina, por exemplo –, as belas paisagens de Viña del Mar, ou então, aventuram-se pelas pistas geladas de Valle Nevado. Entretanto, há muito mais para curtir no país vizinho.

Uma das possibilidades é alugar um carro e seguir para o sul do país. A 180 km de Santiago, entre as Cordilheiras dos Andes e do Pací­co, está o Vale do Colchagua. Na região, há variadas opções de turismo. Obviamente, vinícolas para serem visitadas é o que não falta. No vale estão Casa Silva e Viña Montes, por exemplo. Se o plano for o de se hospedar em grande estilo, o hotel boutique da Casa Lapostolle – o Lapostolle Residence – faz parte da rede Relais & Châteaux. Um atrativo à parte na visita à vinícola é conhecer a adega subterrânea, de propriedade da família, com um acervo invejável de alguns dos melhores vinhos do mundo. Para aqueles que apreciam cavalos, a Viu Manent – que recebe aproximadamente 25.000 pessoas ao ano, sendo 30% delas brasileiros – conta com um clube equestre e, assim, além de participar de visitas guiadas, a bordo de charretes ou à cavalo, por seus vinhedos e cantina, lá é possível fazer cavalgadas e até mesmo assistir às partidas de polo durante uma refeição no delicioso restaurante Rayuela, de preferência em uma das mesas do jardim. Como curiosidade, para quem possa interessar, casamentos costumam ser realizados no local.

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A Viu Manent conta com um clube equestre e o delicioso restaurante Rayuela

Em Santa Cruz, uma das principais cidades de Colchagua, está o Museo de Colchagua, inaugurado em 1995 pela Fundação Cardoen, criada por Don Carlos Cardoen Cordejo, um rico engenheiro e empresário do ramo de armamento que, apaixonado por diversos temas, passou a colecionar itens de antiguidade que vão desde peças de civilizações pré-hispânicas, artefatos de liturgia, fósseis, joias andinas, objetos da cultura inca, peças de vestuário, armamento de todo o mundo (desde a época medieval até a II Guerra Mundial, com destaque para peças relacionadas ao exército nazista) até uma réplica em tamanho real das fases do processo de resgate dos mineradores chilenos soterrados em um acidente em 2010. O acervo é grande e diversi­ficado, tanto que parte dele acabou por ser exposto na Viña Santa Cruz, de propriedade da mesma família, onde os visitantes podem fazer um passeio de teleférico.

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Pichilemu, o paraíso dos surfi stas, é conhecida pelas ondas gigantes

PACÍFICO

Seguindo de carro na direção oeste, para o litoral, por aproximadamente 90 km, chega-se a Pichilemu, o paraíso dos sur­fistas no Chile. À beira do Pací­fico, as praias têm areia escura e água gelada e, especialmente em Punta de Lobos, a geogra­fia local possibilita a formação de grandes ondas, tanto que a região é parte do circuito mundial de ondas gigantes. Ali ­ fica o charmoso hotel Alaia, de estilo rústico-chique, e seus chalés com fachada de vidro e vista para a praia, onde se pode praticar esportes, como surf (as aulas são ministradas por Reinaldo Chacha Ibarra, sur­fista pro­fissional e campeão de ondas gigantes), skate, stand up paddle, caiaque e escalada. Ou então, é possível simplesmente relaxar na jacuzzi à beira do Pací­fico com uma taça de vinho na mão, já que o lugar é bastante calmo e exclusivo. Vale também ver a arquitetura da cidade, fundada em 1885, e conhecer a produção de sal no povoado de Cahuil. Aliás, em Cahuil é possível comprar sal marinho e flor de sal a preços módicos, direto nas salinas.

PATAGÔNIA

Saindo ainda mais dos roteiros mais manjados e com a desculpa de conhecer o vinhedo mais austral do Chile, localizado na Patagônia a 41º de latitude sul, a dica é ir para Puelo, uma região ainda quase inexplorada. Nesse caso, o melhor é usar transporte aéreo de Santiago até Puerto Montt e, de lá, seguir rumo a Puelo, onde estão parte das vinhas da Villaseñor.

Chega-se até lá direto de helicóptero a partir de Puerto Montt (mais rápido, claro), ou então, de carro até as margens do lago Tagua Tagua (cerca de 2 horas, pois parte do caminho não é pavimentado, mas compensa pelas lindas vistas) e, em seguida, em uma lancha para alcançar o outro extremo, cujo percurso cercado por montanhas dura aproximadamente 30 minutos e, sem exageros, passa a impressão de estar levando ao paraíso.

A paisagem local é deslumbrante e, em frente ao lago, está o Mitico Puelo Lodge, um ecohotel construído seguindo o estilo dos lodges de pesca do Alasca. Não espere luxo no sentido literal da palavra, spa, TV no quarto e invencionices gourmet. O que o lugar oferece é a oportunidade de ­ ficar em um ambiente exclusivo, longe de tudo, cercado de paz e tranquilidade, emoldurado por paisagens naturais de tirar o fôlego. Mas não se preocupe, há muitas atividades disponíveis. O próprio hotel organiza tanto visitas aos vinhedos quanto excursões ao Parque Tagua Tagua – uma área protegida de 3.000 hectares, repleta de imponentes alerces (árvores milenares da família das sequoias), que chegam a 50 metros de altura –, tours de lancha e helicóptero, passeios de bicicleta, trekking, caiaque, rafting no Rio Puelo, cavalgadas e até pesca, para os que gostam do esporte. Certamente uma experiência exclusiva.

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Prato do renomado Boragó, uma experiência imperdível em Santiago

SAINDO DO ÓBVIO EM SANTIAGO

Mesmo em Santiago, dá para sair do óbvio e, por exemplo, ir até a comuna de Recoleta conhecer os mercados La Vega e Vega Chica. O ambiente não é requintado, tampouco muito organizado – a­ final, provavelmente são dos poucos lugares frequentados por pessoas de todas as classes sociais –, mas a profusão de cores e aromas vindos dos legumes e frutas fresquíssimos é algo bastante interessante. Milho roxo, batatas nativas, aspargos gordos, pimentões de diversas cores, conservas e temperos, morangos ­ firmes, damascos, framboesas aos montes... Impossível sair de lá sem um saco repleto de cerejas super suculentas pagando muito pouco. Para os que preferirem alugar um apartamento, ao invés de se hospedar em hotel, vale comprar lá os ingredientes para se aventurar na cozinha. No Mercado Central, ­ fica o El Roquerio, uma banca de peixes e frutos do mar de primeira qualidade, de propriedade do Sr. Raul Tapia, cujos funcionários ­ filetam pescados com destreza ímpar. Os restaurantes do local, entretanto, são bem turísticos, ou seja, caros para o que oferecem. Vale a pena fazer como os chilenos e tomar um enorme copo de suco natural – há várias bancas onde se pode escolher a partir de uma in­finidade de frutas – acompanhado de uma sopaipilla (massa frita à base de abóbora, tão típica quanto o nosso pastel) e fazer a refeição em outra região da cidade.

Para conhecer ingredientes chilenos com exclusividade, alguns projetos mais autorais têm surgido em Santiago. Um deles é o Underground Dinner, no qual o chef Sebastian Aracena Ukrow e sua esposa, que é brasileira, recebem em seu apartamento mediante reserva e servem pratos de autor, mostrando e explicando cada um dos ingredientes utilizados (como picoroco, luche, porotos, lucuma e chirimoya) harmonizados com vinho.

Caso o orçamento permita, a experiência de provar um dos menus degustação do renomado restaurante Boragó é bastante interessante. Além de degustar pratos feitos apenas com ingredientes produzidos no Chile, o chef sugere harmonizações com vinhos ou com sucos. Os rótulos selecionados geralmente são de pequenos produtores, de estilos inusitados ou difíceis de encontrar em lojas de Santiago, o que já é um atrativo a mais; a harmonização com sucos é intrigante, servem-se não apenas sucos de frutas, mas também chás e leites de castanhas diversas.

Eduardo Milan e Wendy Elago

Publicado em 13 de Novembro de 2018 às 18:00


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Artigo publicado nesta revista