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    Cogumelos e vinhos: como fazer a melhor harmonização

    Do Pinot Noir ao Barolo, diferentes estilos de vinho podem acompanhar cogumelos, risotos e carnes

    por Por Carlos Cordeiro – CWP

    cogumelos e vinho

    Não faz tanto tempo que, para muitos consumidores, a principal referência quando se falava em cogumelos era o Champignon, geralmente encontrado em conserva. Hoje, porém, a variedade disponível é muito maior, abrindo também novas possibilidades de harmonização entre cogumelos e vinhos.

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    Para os enófilos, essa relação é particularmente interessante. Os cogumelos remetem a aromas encontrados em diversos vinhos, inclusive alguns grandes exemplares. A trufa é um dos exemplos mais evidentes: suas notas podem aparecer no buquê de vinhos de Pomerol, Pauillac, Vosne-Romanée, Châteauneuf-du-Pape, Hermitage, Barolo e Brunello di Montalcino, entre outros.

    A ligação entre vinho e fungos também existe na própria elaboração da bebida. Afinal, sem a ação das leveduras, o vinho não existiria. Evidentemente, os fungos utilizados na alimentação são bastante diferentes das leveduras responsáveis pela fermentação, mas essa origem em comum ajuda a aproximar ainda mais os dois universos.

    LEIA TAMBÉM: Como a temperatura de fermentação determina o estilo do vinho?

    Como preparar cogumelos

    Apesar da grande diversidade de espécies, os cogumelos não costumam exigir preparações muito complexas. Temperos excessivamente fortes ou ingredientes com grande predominância gustativa podem encobrir suas características.

    LEIA TAMBÉM: O mais famoso dos cogumelos

    Cebola, alho e tomilho estão entre os acompanhamentos mais indicados, assim como alecrim, salsinha e sálvia. Os cogumelos podem acompanhar risotos, massas, filés e aves e normalmente são preparados salteados, grelhados ou assados.

    Como harmonizar cogumelos e vinhos

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    Cogumelos em massas ou risotos combinam com Chianti ou até com Carménère chileno
    Cogumelos em massas ou risotos combinam com Chianti ou até com Carménère chileno

    Na hora de escolher o vinho para acompanhar cogumelos, dois aspectos são fundamentais: o umami, considerado o quinto gosto essencial, e a preparação em que o ingrediente aparece.

    Pratos ricos em umami, como os cogumelos, tendem a combinar melhor com vinhos não muito alcoólicos, de acidez pronunciada e bastante fruta. Entre as possibilidades estão Borgonha, Dolcetto, Barbera, Sancerre tinto, Chinon, Beaujolais e Pinot Noir da Nova Zelândia.

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    Entre essas opções, o Pinot Noir é uma das escolhas mais precisas para acompanhar pratos à base de cogumelos.

    As possibilidades, porém, não terminam aí. Como os cogumelos podem integrar saladas, massas, risotos, aves e carnes, o vinho ideal também muda de acordo com os demais ingredientes do prato.

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    Cogumelos em saladas

    O Enoki pode ser utilizado cru em saladas, abrindo espaço para vinhos brancos com pouca ou nenhuma passagem por madeira. Chablis, Grüner Veltliner e Sémillon de Hunter Valley são algumas alternativas, dependendo da estrutura da preparação.

    Quando o cogumelo utilizado é o Chanterelle, Riesling ou mesmo Gewürztraminer podem funcionar, sempre considerando os outros componentes da receita.

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    Massas, risotos e aves

    Quando os cogumelos aparecem com massas, risotos ou aves, além dos tintos mais leves já mencionados, entram em cena vinhos como Chianti, Vino Nobile di Montepulciano, alguns exemplares do Douro e Carménère chileno.

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    Cogumelos com carnes vermelhas

    Preparações com carnes vermelhas pedem vinhos mais robustos. Nesse caso, as alternativas incluem Bordeaux, Hermitage, Châteauneuf-du-Pape, Gigondas, Vacqueyras, Barolo, Barbaresco e Brunello di Montalcino.

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    Para as trufas, a combinação ganha uma referência clássica: Barolo ou Barbaresco.

    Principais tipos de cogumelos

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    Cremini, Portobelo e Shitaki
    Cremini, Portobelo e Shitaki

    Entre os cogumelos cultivados, o Cremini é semelhante ao cogumelo branco, mas apresenta coloração mais escura e sabor mais intenso, terroso e profundo. Sua utilização é parecida com a do cogumelo branco. Também chamado de “baby bella”, transforma-se em Portobello quando atinge a fase madura.

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    O Shiitake é utilizado na Ásia há mais de 6 mil anos por suas propriedades benéficas à saúde e tornou-se símbolo de longevidade. Sua coloração varia de escura a muito escura, enquanto o sabor é intenso e encorpado, lembrando um filé. A textura também remete à carne e aceita diferentes tipos de cozimento. Devem ser utilizados apenas os chapéus.

    Enoki e Oyster
    Enoki e Oyster

    LEIA TAMBÉM: Tamanho do gole influencia no sabor do vinho

    O Enoki possui pequeno chapéu branco sobre uma haste longa e fina e cresce em cachos a partir de uma única base. Tem textura crocante e sabor frutado e levemente adocicado. Pode ser consumido cru em saladas. Quando cozido, deve ser acrescentado ao final do preparo para evitar que fique duro.

    Já o Oyster recebe esse nome pela semelhança visual, e não gustativa, com as ostras. Sua cor varia do bege ao cinza-claro e seu sabor é delicado. Pode ser consumido cru ou acrescentado ao final do cozimento. Temperos fortes devem ser evitados para não encobrir seu sabor.

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    Cogumelos selvagens

    Porcini e Morel
    Porcini e Morel

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    O Porcini está entre os cogumelos mais valorizados na gastronomia. Possui coloração marrom, textura macia e suculenta, aromas amadeirados e sabor terroso, com características que também remetem à carne vermelha. Sua versão seca é bastante popular e pode ser utilizada em diferentes preparações.

    O Morel é saboroso, quase cremoso, com notas amadeiradas e amendoadas. Seu formato cônico e esponjoso e a coloração escura são bastante característicos. Uma preparação simples, salteada com alho e manteiga, já permite explorar suas qualidades.

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    Chanterelles e Black Trumpets
    Chanterelles e Black Trumpets

    Os Chanterelles têm formato semelhante a um guarda-chuva invertido e coloração que varia do amarelo ao alaranjado. O sabor é amendoado e adocicado, e os exemplares mais frescos podem lembrar damascos. Apesar de delicados, acrescentam bastante sabor aos pratos, especialmente aqueles elaborados com aves.

    Por fim, os Black Trumpets pertencem à mesma família dos Chanterelles, mas são mais escuros e finos. Funcionam bem em risotos e devem ser acrescentados apenas nos momentos finais do cozimento.

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