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  • Grandes degustações

    O melhor do vinho Château Margaux

    Degustamos onze safras históricas de Château Margaux durante jantar organizado pela Clarets

    por Christian Burgos

    Margaux é considerado o mais fino e sutil dos Premiers Crus de Médoc e há quem compare sua finesse com os Pinot Noir da Borgonha. Delicados e sedosos, contudo, seus vinhos oferecem grande potencial de guarda. E pudemos comprovar tudo isso em uma vertical espetacular.

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    Evento contou com a presença de Aurélien Valance, diretor geral do Château Margaux, e menu impecável para acompanhar os vinhos

    Falando com sinceridade que poderia beirar a grosseria, em um wine dinner com vinhos inesquecíveis, já ficamos felizes se os pratos não interferirem negativamente na experiência. Mas este jantar/degustação de Château Margaux organizado pela Clarets foi muito além disso devido à sensibilidade do chef Luca Gozzani, que elaborou um menu de sete passos especialmente para acompanhar safras emblemáticas deste ícone de Bordeaux.

    Por isso, a noite no Fasano tornou-se o melhor wine dinner de que já participamos em 2018. Com a condução do diretor geral da vinícola e grande degustador Aurélien Valance, passamos por cinco flights de vinhos.

    BRANCOS

    Embora conheçamos o Château Margaux por seus grandes tintos, a vinícola produz brancos há 300 anos e seu Sauvignon Blanc é o único vinho que Aurélien Valance faz questão de trazer pessoalmente da vinícola para grandes degustações. Segundo ele, o Pavillon Blanc é muito sensível aos cuidados de transporte e, sobretudo, armazenamento, e ele faz questão que o vinho seja exibido em sua integridade. Recentemente, teve sua produção reduzida para apenas 10 mil garrafas por ano – devido a uma seleção ainda mais rigorosa das uvas durante a colheita.

    AD 93 pontos

    PAVILLON BLANC DU CHÂTEAU MARGAUX 1996

    Château Margaux, Margaux, França. Tem as mesmas características, uma linha conectando com seu irmão mais novo avaliado a seguir. O que muda é o perfil de madeira, que aporta mais tons lácteos. Tem o nariz bem evoluído, não na linha direta da oxidação, e sim numa evolução da fruta que segue como se fosse passando de seu ponto. Desenvolve-se em camadas com a fruta vindo antes, seguida de bela vibração e frescor, depois a untuosidade e, por fim, a textura, que sentimos nos dentes. À medida que se abre em taça, o perfil lácteo diminui seu protagonismo e a fruta (pera) ganha espaço. CB

    AD 92 pontos

    PAVILLON BLANC DU CHÂTEAU MARGAUX 2015

    Château Margaux, Margaux, França. Este é 100% Sauvignon Blanc. A cor ainda apresenta vibrantes reflexos esverdeados e isso já denota um vinho fresco. As ervas e tomilho encantam e preparam o paladar. Em boca, cativa mais pela textura e pelo volume que pela untuosidade de seu irmão mais velho. Fruta límpida, maçã e pêssego, e deliciosa vibração que vem num crescendo até finalizar com o final de maçã. CB

    TINTOS

    AD 96 pontos

    CHÂTEAU MARGAUX 1978

    Château Margaux, Margaux, França. Muito intenso e complexo. Bela suculência e doçura de fruta. Curiosamente, a evolução está muito mais perceptível que o 1979 (seu companheiro de flight), com caixa de charuto. Por outro lado, ainda mostra muito mais força que seu irmão mais jovem, com mais estrutura tanto em potência de frutas como em taninos. Puro estilo dos grandes Bordeaux antigos, e isso já se mostra no nariz com fruta madura evoluída. Com o tempo em taça, abrese e revela lindamente seu perfil cada vez mais feminino e sensual. CB

    AD 93 pontos

    CHÂTEAU MARGAUX 1979

    Château Margaux, Margaux, França. Elegante. Adoro o nariz e sua capacidade de fruta viva e presente. O aspecto mineral do 1979 beira o salgado, tanto no nariz quanto na boca. Aliás, no paladar a vibração coexiste com a textura dos taninos já afinados. Essa elegância em boca, com menos concentração de fruta, mais finesse e curva de fruta mais breve que a dos taninos, sugere abrirmos e aproveitarmos esta safra. CB

    AD 98 pontos

    CHÂTEAU MARGAUX 1982

    Château Margaux, Margaux, França. Este Margaux 1982 deveria ser o benchmark para elegância dos grandes Bordeaux, com um fabuloso perfil floral entrelaçado ao couro. Em boca, a fruta está perfeita, a curva de evolução aponta um platô, o patamar imutável de um vinho eterno. Tão incrível que se torna a prova definitiva da genialidade de Robert Parker. Concentração, fruta suculenta, taninos maduros (quase doces), equilíbrio e acidez. É o único até este ponto da degustação em que no fim de boca a fruta viva protagoniza sobre os taninos ou acidez. Tenha paciência e, com o tempo em taça, converte-se em buquê de flores. CB

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    AD 96 pontos

    CHÂTEAU MARGAUX 1985

    Château Margaux, Margaux, França. O 1985 tem belíssima vibração, a fruta é menos madura e mais fresca. Tem a finesse de uma evolução mais tênue e também é mais cristalino. Mais uma vez é flor que encanta e não a potência. Um dos vinhos mais frágeis da noite, merece todo cuidado de armazenamento, e, sendo de uma safra não muito badalada, revela-se uma das surpresas da noite e também uma das melhores compras. CB

    AD 92 pontos

    CHÂTEAU MARGAUX 1986

    Château Margaux, Margaux, França. Delicioso, embora mantenha-se fiel à finesse do Château, revela-se mais rústico que seus irmãos e mostra-se pronto para ser apreciado. Menos fruta, menos volume e concentração. Mais ervas, mais mineralidade e acidez vibrante e vertical com um toque animal. CB AD 97 pontos CHÂTEAU MARGAUX 1990 Château Margaux, Margaux, França. Fabuloso. Um dos destaques da noite. Se aceitarmos a definição da feminilidade dos vinhos do Château Margaux, esta é uma mulher que faz crossfit. A deliciosa mineralidade salina do 1979, mas com linda fruta completamente íntegra. Outro de seus encantos é o fumo que anda junto à cereja suculenta e um toque medicinal. Inesquecível. CB

    AD 94 pontos

    CHÂTEAU MARGAUX 1995

    Château Margaux, Margaux, França. Mais uma vez o perfil mineral de 1990 e 1979. Por outro lado, os taninos são potentes e se amparam no suco de mirtilo concentrado. Justamente estes taninos e a força da fruta garantem muitos e muitos anos pela frente. Só não está na categoria dos eternos, pois os taninos estão um grau acima da fruta e isso deve se acentuar quando ultrapassar os 35 anos de idade. Mas quem se importa com isso? CB

    AD 95 pontos

    CHÂTEAU MARGAUX 1996

    Château Margaux, Margaux, França. Mais uma vez a mineralidade impera como em seu irmão mais novo de 1995. A fruta segue para o mirtilo com uma elegância, equilíbrio e textura ímpares. É justamente essa textura que colabora para a vida e vibração deste vinho que termina em boca com grande gentileza. CB

    AD 96 pontos

    CHÂTEAU MARGAUX 2000

    Château Margaux, Margaux, França. Aqui o equilíbrio da casa está no andar de cima. Mineralidade salina, vibrante acidez e a fruta profunda, novamente o mirtilo. Maciço. Jovem, jovem, jovem... Este é o primeiro da vertical em que sinto a pimenta negra e os taninos do Cabernet Sauvignon. CB AD 93 pontos CHÂTEAU MARGAUX 2003 Château Margaux, Margaux, França. Opulento. Delicioso, mas o que mais se destaca do perfil elegante da casa. Mais café no nariz e mais lácteo em boca. Mais doçura. Como é muito opulento, exige mais tempo e decantação. Este foi decantado por quatro horas. CB

    AD 94 pontos

    CHÂTEAU MARGAUX 2009

    Château Margaux, Margaux, França. Um grande vinho. Paul Pontallier o definia como um vinho gigante sem ser um monstro. Muito concentrado, com a força da fruta ocupando todo o espectro da boca. Largue este saca-rolha agora! Está jovem demais. O café e cassis ainda não deram oportunidade para o mirtilo, cereja e flores se expressarem. CB

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    DegustaçãoChâteau MargauxRestaurante FasanoClaretsPremiers Crus de Médoc

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