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    Aromas do vinho: como identificar e entender cada fragrância

    Do aroma das uvas ao bouquet do envelhecimento, o olfato revela características essenciais do vinho

    por Marcelo Copello

    Momento de Degustação de Vinho

    Sentir os aromas do vinho é uma das etapas fundamentais da degustação. Apesar disso, o olfato pode ser considerado um “sentido perdido”, relegado durante séculos a um papel secundário. Nas últimas décadas, porém, houve um resgate da importância dos cheiros, e o vinho tem contribuído para esse processo ao estimular a percepção e a memória olfativas.

    As próprias técnicas modernas de elaboração contribuíram para vinhos mais perfumados, especialmente os brancos. Fermentação a frio, uso de leveduras selecionadas, maior higiene e esterilização das cantinas, movimentação do mosto por gravidade, novas técnicas de poda e condução das vinhas, adegas climatizadas e maior controle de temperatura estão entre os recursos empregados atualmente.

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    Descrever verbalmente as fragrâncias de um vinho, contudo, continua sendo uma tarefa complexa. Transformar em palavras aquilo que o nariz percebe exige memória, imaginação e prática. Por isso, apresentar o vinho ao nariz talvez seja um dos momentos mais instigantes da degustação.

    Como sentir os aromas do vinho

    Para a análise olfativa, além de utilizar taça e temperatura adequadas, é importante recorrer à memória e à imaginação. Uma possibilidade é fechar os olhos, inspirar e comparar aquilo que se percebe na taça com os cheiros já armazenados na memória.

    LEIA TAMBÉM: Aromas do vinho: os compostos por trás dos cheiros

    Quem possui um repertório olfativo pequeno pode ampliá-lo com o tempo e a prática. Dar nome a cada odor identificado também ajuda a registrá-lo e facilita seu reconhecimento em degustações futuras.

    O que analisar nos aromas

    Uma avaliação mais técnica considera diferentes aspectos. A sanidade verifica se existem odores desagradáveis ou sinais de problemas, como o bouchonné, associado à rolha. A intensidade, ou ataque aromático, corresponde à quantidade de aroma e ao impacto provocado nas narinas.

    LEIA TAMBÉM: “De onde vem o aroma do vinho?”

    A complexidade está relacionada à variedade de cheiros reconhecíveis, enquanto o reconhecimento consiste justamente em identificar e nomear essas fragrâncias. Também entram na análise a qualidade, ligada ao gosto pessoal do degustador; a originalidade; e a persistência, ou seja, quanto tempo a sensação permanece no olfato.

    Outro aspecto é a evolução dos aromas. À medida que o vinho entra em contato com o ar, novas fragrâncias podem surgir depois de minutos ou mesmo horas na taça.

    Há ainda o chamado aroma de boca, formado pelas impressões retronasais percebidas por meio da comunicação interna entre boca e nariz. Ele é diferente daquele sentido diretamente pelo nariz porque a saliva aquece o vinho e intensifica a evaporação.

    LEIA TAMBÉM: Por que alguns vinhos têm aroma e sabor de manteiga?

    Quais aromas podem aparecer no vinho?

    Os aromas encontrados durante uma degustação podem ser reunidos em diferentes famílias. Entre os florais, aparecem acácia, rosa, violeta, flor de laranjeira, tília, narciso e jasmim.

    As frutas podem ser divididas em grupos. Entre as cítricas, estão limão, laranja, maçã verde, tangerina e abacaxi. Frutas vermelhas incluem amora, cassis, morango, framboesa, groselha, cereja e ameixa, enquanto pêssego, damasco, manga, pera e melão aparecem entre as amarelas.

    LEIA TAMBÉM: Como ficam os vinhos envelhecidos no mar?

    Há ainda aromas de frutas naturalmente secas, como amêndoa, avelã e noz; frutas secas, cristalizadas, em calda e geleias; além de especiarias, como pimenta-do-reino, noz-moscada, anis, cravo e canela.

    A lista também pode incluir notas vegetais, animais, herbáceas, minerais e tostadas. Café, chocolate, caramelo, pão torrado, couro, tabaco, hortelã, alecrim, pedra de isqueiro e petróleo são alguns exemplos. Outros aromas associados ao vinho incluem mel, manteiga, baunilha, cedro, carvalho, cogumelo, álcool, levedura e casca de pão.

    Aromas primários, secundários e terciários

    LEIA TAMBÉM: "O vinho romano tinha gosto de especiarias e frutas secas"

    Outra forma de compreender as fragrâncias é dividi-las em aromas primários, secundários e terciários.

    Os primários são provenientes das variedades de uva utilizadas na elaboração e costumam incluir aromas frutados, florais, vegetais, herbáceos e minerais.

    Os secundários surgem durante a elaboração do vinho, incluindo a fermentação e o amadurecimento em barris de carvalho. Nesse grupo aparecem, por exemplo, notas de madeira, manteiga, tostados e leveduras.

    LEIA TAMBÉM: Quais são as principais leveduras para vinho e suas aplicações

    Já os terciários são adquiridos durante o envelhecimento em garrafa e podem incluir aromas animais, químicos, de mofo e de tartufo. O termo bouquet refere-se especificamente a esses aromas terciários e, portanto, aplica-se aos vinhos envelhecidos.

    O que os aromas revelam sobre um vinho?

    Quando utilizado criteriosamente, o olfato pode fornecer diversas pistas sobre um vinho, como sua idade, região de origem, variedades utilizadas e técnicas empregadas durante a elaboração.

    LEIA TAMBÉM: Descubra as origens de determinados aromas comuns ao vinho

    Determinados aromas também são associados a estilos, regiões e variedades específicas. Notas de banana podem aparecer em Beaujolais Nouveau; pedra de isqueiro remete a Chablis; petróleo é característico de Rieslings da Alsácia; pimentão verde é associado à Cabernet Sauvignon; e violetas podem aparecer em vinhos portugueses elaborados com Touriga Nacional.

    Chardonnays, por sua vez, podem apresentar aromas de abacaxi fresco ou em calda. Notas de baunilha e tostados ajudam a identificar o amadurecimento em barris de carvalho, enquanto aromas de manteiga podem indicar que um vinho branco passou pela fermentação malolática. Já perfumes de frutas tropicais podem estar relacionados a uma fermentação mais longa e realizada a frio.

    O aroma funciona, assim, como uma espécie de impressão digital do vinho, ajudando a distinguir um exemplar de outro. Com a expansão dos cursos e da cultura da degustação, o treinamento do olfato voltou a ganhar espaço, transformando o vinho também em uma ferramenta para redescobrir e exercitar esse sentido.

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