Pantelleira tem bons hotéis, bons vinhos e uma uva que foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade!
por Eduardo Milan

Entre o sul da Sicília e o nordeste da Tunísia está a pequena ilha vulcânica de Pantelleria, conhecida como a “pérola negra do Mediterrâneo” justamente por ser composta quase totalmente de escuras pedras vulcânicas. Ao longo da história, a ilha foi dominada por diversos povos. Seu nome, todavia, provém da expressão árabe “Bent El-Rhia”, cujo significado é “a filha dos ventos”, devido ao vento constante que refresca as temperaturas, especialmente durante o verão.
Até a década de 1980, Pantelleria era um destino quase exclusivo para italianos, quando foi descoberta pelo jet set da moda. Giorgio Armani é o frequentador mais famoso da ilha, visitada também por nomes como Sting e Madonna. Fotógrafos e designers abastados compraram e transformaram antigas habitações mouras em vilas com piscinas de borda infinita.
Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
Atualmente, há uma série de hotéis e resorts de luxo, prontos para receber turistas que buscam um destino exclusivo. Mas, mesmo que não se hospede na ilha, é possível conhecê-la e aproveitar alguns de seus encantos. Há, por exemplo, um voo que sai diariamente de Trapani pela manhã, que leva apenas 40 minutos; a volta é no final do dia.
A origem vulcânica de Pantelleria pode ser constatada em todos os detalhes, desde as dammusi – casas típicas de paredes espessas construídas com pedras de lava vulcânica e tetos arredondados de gesso branco, que servem para coletar as águas das chuvas – até os campos férteis, riquíssimos em substratos e as nascentes de águas termais, que fluem por toda parte.
Na verdade, a paisagem da ilha é bastante diversificada: a costa é de um mar de águas cristalinas, formações de riachos e cavernas, encostas íngremes e recortadas, criadas pelo arrefecimento de fluxos de lava que entraram em contato com a água salgada (e por isso vale a pena um tour de barco em volta da ilha); o interior é verde, rico de uma variedade de vegetais, dentre eles, árvores de frutas cítricas, oliveiras, alcaparreiras e videiras de uva Zibbibo (é possível dar a volta de carro ao redor de Pantelleria em cerca de uma hora). Zibbibo, aliás, é o nome pelo qual a Moscato de Alexandria é chamada na ilha.
LEIA TAMBÉM: O vinho da Ilha da Madeira é um dos estilos mais cultuados por experts

De fato, embora se encontre vinhos secos feitos a partir da Zibbibo, a ilha é conhecida por seus vinhos doces: Moscato di Pantelleria DOC e Passito di Pantelleria DOC. Ambas as Denominazione di Origine Controllata – DOC datam de 1971. Os Moscatos devem apresentar teor alcoólico mínimo de 8% e açúcar residual de 40g/l.
Já os Passitos – cujas uvas passam por processo de secagem sob o sol e o vento de 10 a 12 dias, tornando-se passas, com aromas e açúcar mais concentrados – devem ter, pelo menos, 14% de álcool e 110g/l de açúcar residual. A tendência para os Passitos, na verdade, é terem a fase de secagem das uvas ampliada para até 30 dias, chegando-se a vinhos com pelo menos 140g/l de açúcar residual. São vinhos com grande potencial de envelhecimento.
Pantelleria também é conhecida internacionalmente por suas alcaparras e por seus tomates. Nesse sentido, é comum encontrar plantações junto aos vinhedos, tudo sempre protegido por alambrados de cerca de 80 centímetros de altura, já que os coelhos tornaram-se uma espécie de praga na ilha. É costume local secar os tomates e também as alcaparras, que são conservadas em sal. O ideal é visitar o lugar entre junho e setembro, sendo que nesse último mês, muito provavelmente será possível provar uvas Zibbibo frescas todos os dias.
LEIA TAMBÉM: Nova fronteira do vinho chileno, a Ilha de Páscoa

Com pouco mais de 84 quilômetros quadrados (só para efeito de comparação, Ilhabela, no litoral de São Paulo, tem quase 350 km²), percorrer Pantelleria é fácil. Apesar do tamanho diminuto, há várias opções de estadia em hotéis de três a quatro estrelas, como o Mursia & Cossyra, o Suvaki ou o Resort Acropoli, por exemplo. Todos com uma arquitetura de estilo rústico mourisco. Se preferir, ainda pode alugar uma dammusi típica só para você e sua família.
Um dos locais mais procurados da ilha é o Specchio di Venere, um lago vulcânico com águas termais sulfurosas. Segundo a lenda, foi lá que Vênus olhou seu reflexo ao comparar sua beleza com a da rival Psyche. Acredita-se que a lama do local tenha propriedades medicinais. O mesmo se diz das águas do porto de Gadir, protegido por rochas vulcânicas, e também de Nikà.
Para quem gosta de sauna, pode se aventurar no “bagno asciutto”, perto da Montagna Grande (cume da ilha, de onde é possível ter uma vista completa de todo o entorno), em uma gruta, chamada Benikulà, de onde emanam vapores quentes de cerca de 38°C. Também para quem tem espírito de aventura (pois o trajeto é complicado), vale a pena conhecer o Laghetto delle Ondine, uma pequena baia cercada com águas cristalinas.
LEIA TAMBÉM: Vinhos de Ilha de Elba, na Toscana
Há diversos balneários e termas para conhecer, além de sítios arqueológicos. Circundar a ilha de barco é certamente uma boa pedida. Há passeios que duram o dia todo, incluindo um almoço com spaghetti e paradas em pontos estratégicos. Há ainda opções de passeios com mergulho.
+lidas

A embalagem mais leve ajuda a preservar o meio-ambiente

Daniel Salvador é o novo presidente da Associação Brasileira de Enologia

Na véspera da colheita, tempestade de granizo atinge vinhedos na Espanha

Vinhos de Rioja serão os oficiais da Presidência espanhola na UE

Vinho mais antigo do mundo é descoberto na Espanha