A história de um clássico australiano

por Dado Lancellotti | @contra_rotulo
A história da vinícola australiana Penfolds foi impulsionada por empreendedores visionários. Quem escolhe uma aventura viaja com esperança. Foi assim que Christopher e Mary Penfold buscaram uma nova vida e embarcaram em 1844 no veleiro Taglioni de Londres rumo à Austrália, nova colônia de sua majestade.
Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
Antes de deixarem a Inglaterra, eles receberam uma doação de um terreno em Magill Estate, perto de Adelaide e ao pé do Monte Lofty Ranges, onde se instalaram. Construíram uma casa que chamaram “The Grange” e plantaram mudas de videiras francesas que tinham trazido na viagem.
Christopher era um jovem médico que fazia suas rondas a cavalo construindo amizades ao seu redor. O casal produzia vinhos fortificados no estilo de Jerez e Porto para seus pacientes em casos de anemia. À medida que a demanda aumentou, fundaram sua propriedade oficialmente.
LEIA TAMBÉM: Gigante do vinho reduz marcas e aposta no segmento premium
Entretanto, além da empresa crescer, também florescia a reputação médica do Dr. Penfold, deixando a administração da vinícola para Mary. As primeiras incursões em claretes e Rieslings provaram ser cada vez mais populares e, com a morte dele em 1870, Mary assumiu a responsabilidade total do novo negócio.
Muitas das filosofias de experimentação e vinificação nasceram graças a determinação e esforço de Mary. Ela montava sua égua branca para vigiar o vinhedo com sua luneta à mão e tudo o que sabia sobre vinho, aprendeu sozinha. Mary se aposentou em 1884, cedendo o comando para a filha Georgina. Quando morreu em 1896, o legado seguiu vivo.
LEIA TAMBÉM: Penfolds lança vinho em parceria com Troye Sivan
Em 1948, iniciou-se uma nova fase histórica com Max Schubert se tornando o primeiro enólogo-chefe da empresa. Ele foi o criador do mitológico Penfolds Grange em 1951, do fantástico Bin 389 (também nomeado muitas vezes como “Baby Grange”) em 1960 e de várias outras obras-primas que estabeleceram uma identidade própria em todo globo.
Nos rótulos das primeiras safras, de design bem simples (que o caracteriza até hoje), o vinho era identificado como Penfolds Grange Hermitage. “Hermitage” fazia referência à famosa região francesa de Hermitage (no Rhône), apelidando um estilo de Shiraz, mas a designação precisou ser removida do rótulo por volta de 1990 por questões de regulamentação internacional de denominações controladas.